5 coisas que aprendemos com o GP de St. Louis, 9ª etapa da temporada 2026 da Indy

Vitória de Josef Newgarden, atuação de destaque de Caio Collet, erros raros da Ganassi e mais: os principais aprendizados da movimentada corrida da Indy no oval de St. Louis

A Indy voltou a entregar um espetáculo em seu retorno ao oval de St. Louis. A nona etapa da temporada 2026 teve 17 mudanças de liderança, 475 ultrapassagens e uma disputa intensa pela vitória até as voltas finais, reforçando por que as corridas em ovais seguem entre os maiores atrativos do automobilismo norte-americano.

Em uma prova marcada por estratégias variadas, interrupção por chuva e diferentes protagonistas ao longo da noite, Josef Newgarden voltou a mostrar por que é considerado uma referência nesse tipo de circuito. O piloto da Penske conquistou mais uma vitória em St. Louis e ampliou ainda mais sua reputação como um dos maiores especialistas em ovais da geração atual.

Além do triunfo de Newgarden, a corrida deixou outras histórias importantes: a atuação promissora de Caio Collet antes do abandono, os erros incomuns da Ganassi, a recuperação de Christian Rasmussen e os desafios enfrentados pela categoria com uma programação que avançou madrugada adentro. Confira cinco lições deixadas pelo GP de St. Louis.

Newgarden, o rei dos ovais da Indy

Uma das melhores experiências do automobilismo mundial é acompanhar uma corrida da Indy em um circuito oval. O GP de St. Louis foi mais uma confirmação disso, com 17 mudanças de liderança e 475 ultrapassagens ao longo da prova. E, quando a categoria corre nesse tipo de pista, um nome costuma se destacar acima dos demais: Josef Newgarden.

Josef Newgarden (Foto: Penske)

O norte-americano possui uma leitura de corrida rara nos ovais, quase como se disputasse uma partida de xadrez a mais de 300 km/h. Sabe exatamente quando atacar, economizar equipamento ou assumir riscos. Isso apesar de chegar à prova carregando a lembrança do acidente em Indianápolis, quando um erro incomum resultou em uma forte batida e em uma lesão no pé esquerdo.

Não por acaso, os próprios rivais admitem estudar o estilo de pilotagem de Newgarden em St. Louis. Marcus Ericsson revelou ter passado a semana analisando as corridas do americano na pista — e talvez não seja coincidência que o sueco tenha terminado em segundo lugar, conquistando seu primeiro pódio na Indy em dois anos.

Collet está no caminho certo

Os resultados ainda não refletem integralmente o desempenho que Caio Collet vem apresentando em sua temporada de estreia, mas o brasileiro segue construindo uma trajetória promissora para se firmar na Indy por muitos anos. St. Louis foi mais um exemplo disso, apesar do desfecho frustrante.

Caio Collet (Foto: Indycar)

A classificação ficou abaixo do esperado, com apenas a 20ª posição no grid, mas a agressividade demonstrada durante a corrida compensou rapidamente. Collet ganhou posições ainda no primeiro stint, passou a frequentar as primeiras colocações e chegou a liderar a prova por sete voltas para a Foyt.

Quando a chuva interrompeu a corrida, o brasileiro ocupava a segunda posição e sonhava com o primeiro pódio da carreira. O abandono por problema de motor, que terminou em lágrimas, não apaga uma atuação que esteve muito mais alinhada ao potencial demonstrado pelo piloto ao longo do fim de semana.

Ganassi falha miseravelmente

Reconhecida pela eficiência estratégica e excelência nos boxes, a Ganassi viveu uma noite completamente fora dos seus padrões em St. Louis. A equipe sofreu com problemas relacionados ao combustível em dois carros e comprometeu resultados importantes.

Primeiro, Kyffin Simpson ficou sem combustível antes de uma relargada, mesmo havendo tempo suficiente para uma parada preventiva. Mais tarde, Scott Dixon e Álex Palou apostaram em uma estratégia agressiva de economia, mas foram surpreendidos pela bandeira amarela na volta 197, que logo se transformou em bandeira vermelha por causa da chuva.

Dixon conseguiu fazer uma parada emergencial, embora tenha sido punido e obrigado a largar do fim do pelotão na relargada. Já Palou permaneceu na pista e acabou ficando sem etanol dentro do pit-lane. Até que o carro fosse religado, perdeu duas voltas e viu qualquer chance de resultado competitivo desaparecer. Um domingo para ser esquecido pela equipe.

Rasmussen confirma vocação para os ovais

Christian Rasmussen foi terceiro colocado no GP de St. Louis (Foto: Indycar)

Christian Rasmussen vinha enfrentando uma temporada abaixo das expectativas. Antes de St. Louis, seu melhor resultado era apenas um 14º lugar, mas a Carpenter manteve a confiança no dinamarquês e renovou seu contrato por múltiplos anos na semana passada.

A atuação no oval de St. Louis ajudou a explicar essa confiança. Rasmussen fez uma corrida de recuperação constante, avançando posições a cada stint até entrar definitivamente na disputa pela vitória.

Nas voltas finais, chegou a assumir a liderança e duelou diretamente com Newgarden pelo triunfo. Porém, ao exigir demais dos pneus na tentativa de se manter à frente, perdeu rendimento e terminou em terceiro. Ainda assim, conquistou com folga seu melhor resultado na temporada e reforçou sua reputação como especialista em ovais.

Os embalos da madrugada de segunda-feira

Will Power (Foto: IndyCar)

A Indy repetiu em St. Louis a estratégia de programação noturna que trouxe bons índices de audiência em 2025. A largada foi marcada para as 22h de Brasília, uma hora mais tarde do que no ano anterior, apostando novamente no público do horário nobre norte-americano.

A chuva, porém, alterou os planos da categoria. A longa interrupção por bandeira vermelha empurrou o encerramento da prova para a madrugada no Brasil e já para a segunda-feira em algumas regiões dos Estados Unidos.

Durante a paralisação, a sensação de desgaste era evidente no paddock. Além do horário avançado, equipes e pilotos chegavam ao fim de uma sequência de cinco fins de semana consecutivos com atividades em pista. Diante desse cenário, talvez uma bandeira verde um pouco mais cedo não tivesse feito mal a ninguém.

Indy agora faz uma pausa e retorna entre os dias 19 e 21 de junho, com o GP de Road America, na cidade de Elkhart Lake.

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