Dança das cadeiras na MotoGP: quem segue, quem muda e quem corre risco de ficar a pé

Na expectativa por uma chuva de anúncios de pilotos, o GRANDE PRÊMIO repassa os rumores da silly-season e analisa o destino dos 22 titulares do atual grid da MotoGP

O ano começou quente no mercado de pilotos da MotoGP. Mas, muito embora as negociações tenham sido feitas ainda mais cedo do que de costume, os anúncios oficiais seguem emperrados. A expectativa, porém, é de que isso mude a partir desta semana, uma vez, depois de uma longa negociação, o grupo MotoGP Sports Entertainment ― a antiga Dorna ― chegou a um entendimento com as equipes em relação ao novo Acordo de Participação, que será válido entre 2027 e 2031. Era a barreira que faltava.

Com a participação das 11 atuais equipes confirmadas ― o que, aliás, ninguém esperava que não fosse acontecer ―, fábricas e estruturas satélites já podem tornar públicos os acordos que povoam o noticiário desde o início do atual campeonato.

Na expectativa por uma chuva de anúncios, o GRANDE PRÊMIO olha para o grid titular de 2026 para analisar o destino de cada um dos atuais 22 pilotos.

Johann Zarco

Titular da LCR, o francês vive um momento difícil na carreira. O #5 está afastado da MotoGP e não tem data para voltar, já que foi vítima de um acidente horroroso no GP da Catalunha e está diante de uma longa recuperação, uma vez que lesionou os ligamentos cruzados anterior e posterior, o menisco e ainda sofreu uma fratura na altura do tornozelo. Johann precisa de cirurgia, mas, antes do procedimento, tem de se recuperar de uma queimadura abaixo do joelho, para evitar risco de infecção.

Enquanto foca na recuperação, Zarco pode respirar aliviado, já que o contrato dele com a HRC ― a divisão esportiva da Honda ― é válido até o fim do próximo ano. Salvo uma incapacidade de recuperação ― algo que Lucio Cecchinello, chefe da LCR, aposta que não vai acontecer ―, o dono de duas vitórias na MotoGP vai seguir com a equipe monegasca.

Johann Zarco tem contrato para o próximo ano na MotoGP (Foto: LCR)

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Toprak Razgatlioglu

Novato no grid, o turco ainda não colocou a MotoGP em chamas. Tricampeão do Mundial de Superbike, Razgatlioglu apostou em um sonho e optou por migrar para o Mundial de Motovelocidade, mas, até aqui, a transição tem se provado para lá de difícil, já que o próprio #7 admite dificuldades para se entender com os novos pneus.

Ainda assim, o lugar de Toprak está seguro, pois o contrato dele com a Yamaha é também válido até o fim de 2027. Portanto, ‘El Turco’ segue onde está no próximo ano.

Toprak Razgatlioglu também tem lugar garantido em 2027 (Foto: Gold & Goose / Red Bull Content Pool)

Luca Marini

Hoje titular da Honda e tido como uma peça importante na evolução da RC213V nos últimos meses, o italiano tem o futuro no vento. A montadora da asa dourada é cotada para fazer uma troca completa no elenco, e Marini já deixou claro que ainda não está interessado em uma posição de piloto de testes.

Diante de um cenário em que a renovação com a Honda parece improvável, Marini foi especulado na VR46, uma vaga mais do que óbvia, dada à relação familiar com Valentino Rossi. O problema é que a equipe de Tavullia está às voltas com os desejos da Ducati. A montadora de Borgo Panigale faz lobby por Nicolò Bulega, que faz uma campanha dominante no Mundial de Superbike a bordo de uma Panigale.

O próprio Luca não espera progressos nas negociações tão cedo, já que entende que outras definições precisam ser feitas antes de ele poder definir o futuro.

Luca Marini acha que ainda vai demorar para definir futuro (Foto: Honda)

Diogo Moreira

A permanência do piloto brasileiro na MotoGP está assegurada até 2028, já que ele assinou um contrato de três anos direto com a HRC. Há algumas semanas, a permanência de Moreira na LCR era dada como certa, mas agora o cenário parece ter mudado de figura.

A imprensa estrangeira aponta para uma mudança nos planos da Honda, com Diogo sendo promovido à equipe de fábrica, e David Alonso, que seria promovido da Moto2, assumindo o lugar dele na LCR. A questão é onde, mas o #11 está seguro no grid e com uma RC214V oficial nas mãos.

Diogo Moreira tem contrato com a HRC até 2028 (Foto: Gold & Goose/Red Bull Content Pool)

Maverick Viñales

O destino do ‘Top Gun’ também é incerto. Viñales revelou há algumas semanas que conta com uma cláusula contratual que abre caminho para a renovação com a KTM. Mas, se há poucos meses a transferência para a equipe principal parecia certa, hoje o cenário é diferente.

Maverick precisou passar por uma cirurgia no ombro e, enquanto ele cuidava da reabilitação, a casa de Mattighofen decidiu por outro caminho. Assim, a permanência na Tech3 surge como única opção. Só que a equipe hoje liderada por Guenther Steiner ainda tem dúvidas sobre a plena recuperação física dele.

Destino de Maverick Viñales ainda é incerto na MotoGP (Foto: MotoGP)

Fabio Quartararo

O piloto de Nice está em ritmo de adeus à Yamaha. Depois de reiterados votos de confiança, Quartararo cansou de esperar pela melhora na performance da YZR-M1 e vai deixar a equipe no fim do ano, no término do atual contrato.

A expectativa é de que Fabio seja anunciado pela Honda.

Fabio Quartararo (Foto: Yamaha)

Franco Morbidelli

O horizonte não parece dos melhores para o ítalo-brasileiro. Depois de anos de crise com a Yamaha, a expectativa era de que a troca para equipamento Ducati trouxesse de volta a melhor versão do #21, mas isso não aconteceu nem no ano passado, com a Pramac, e nem neste, com a VR46.

Ainda que esteja na lista de candidatos a seguir com a VR46, Franco está mais com os pés fora do grid, com o Mundial de Superbike ventilado como uma alternativa para a sequência da carreira no esporte.

Franco Morbidelli ainda tem futuro indefinido na MotoGP (Foto: VR46)

Enea Bastianini

O italiano também tinha a possibilidade de ser retido pela KTM, mas isso parece distante de acontecer. Bastianini chegou a ser cotado para uma transferência para a Gresini, mas, ao que tudo indica, o destino será a Trackhouse.

A equipe de origem norte-americana promete finalizar em breve o line-up, não apenas em termos de pilotos, mas também apontando o substituto para Davide Brivio, que vai deixar o comando da Trackhouse para se juntar a Honda.

Enea Bastianini é cotado para a Trackhouse em 2027 (Foto: Rob Gray/ Polarity Photo)

Raúl Fernández

O destino do espanhol é incerto. Dono de uma vitória e três pódios na MotoGP, o piloto de Madri tem o futuro indefinido. Até pouco tempo atrás, Raúl era cotado para seguir na Trackhouse, mas agora o cenário é outro.

A time de Justin Marks parece pouco interessado em manter Raúl, que teria como última esperança uma transferência para a Tech3. O problema? Ele já esteve por lá e a passagem não foi das melhores. Assim, a KTM não tem muito interesse e recuperar o passe do irmão de Adrián.

Para o lugar dele na estrutura norte-americano, Manu González, atual líder da Moto2, é um dos mais cotados.

Raúl Fernández também tem futuro indefinido na MotoGP (Foto: Michelin)

Brad Binder

O sul-africano tem passado alheio aos rumores. Parece mais do que evidente que a vaga dele será ocupada por outra pessoa na KTM, mas uma ida a Tech3 não está completamente fora de questão.

Ainda assim, a performance de Binder não justifica uma renovação de contrato e tampouco serve de atrativo para que ele desperte o interesse de outra equipe qualquer.

Brad Binder não aparece nos rumores e pode ficar fora do grid da MotoGP (Foto: Sebas Romero/KTM)

Joan Mir

Enquanto muitos pilotos fazem segredo do próprio destino, o espanhol entregou ao menos parte do ouro. Mir já anunciou que não vai seguir com a Honda na temporada 2027. O #36, aliás, se mostrou até bem irritado com a postura da casa de Hamamatsu.

O horizonte, porém, é positivo para o campeão de 2020, já que a expectativa é que Mir se junte à Gresini para formar dupla com Dani Holgado, que seria promovido da Moto2.

Joan Mir vai deixar a Honda no fim do ano (Foto: Honda)

Pedro Acosta

O tubarão é outro que movimentou o noticiário. Desde o início do ano, Acosta dado como certo na Ducati. E a expectativa para o que o campeão de Moto3 e Moto2 pode fazer com a Desmosedici cresce a cada boa performance na temporada 2026.

Pedro Acosta é esperado na Ducati no próximo ano (Foto: Gold & Goose / Red Bull Content Pool)

Álex Rins

O #42 tem os dois pés praticamente fora do grid. Sem performance na Yamaha ― também por causa da falta de desempenho da YZR-M1, diga-se de passagem ―, o espanhol já foi informado pela equipe que outra pessoa foi contratada para o lugar dele.

O pior? Álex sequer é cotado para as outras vagas do grid.

Álex Rins já sabe que perdeu lugar na Yamaha (Foto: Yamaha)

Jack Miller

O australiano também parece se encaminhar para o adeus à MotoGP. Ano passado, Miller passou perto de deixar o elenco, mas foi mantido também pela experiência com motor V4, algo necessário pela Yamaha neste momento de transição do propulsor de quatro cilindros em linha.

Só que a Pramac pinta como destino para Izán Guevara, piloto da equipe na Moto2. E Jack não é cotado para nenhum outro lugar.

Jack Miller ainda não tem vaga para 2027 (Foto: Pramac)

Fabio Di Giannantonio

Melhor colocado entre os representantes da Ducati no Mundial de Pilotos 2026, o italiano deve se despedir da marca de Bolonha no fim do ano. Depois de conseguir um contrato de fábrica, Di Giannantonio não viu horizonte com a conterrânea e decidiu mudar de áreas.

De acordo com a imprensa internacional, Fabio aceitou uma oferta da KTM para ser titular da equipe oficial.

Fabio Di Giannantonio deve migrar para a KTM no próximo ano (Foto: VR46)

Fermín Aldeguer

O espanhol chegou à MotoGP com um contrato sólido com a Ducati. Em 2026, Aldeguer completa o primeiro ciclo de dois anos de um acordo que pode ser renovado por mais dois. E a expectativa é de que ele siga ligado à marca, ainda que em outro endereço.

Aldeguer deve vestir o uniforme da VR46 no próximo campeonato, deixando a Gresini depois de duas temporadas.

Fermín Aldeguer deve correr com a VR46 no próximo ano (Foto: Gresini)

Francesco Bagnaia

O bicampeão da MotoGP deve seguir um rumo diferente na carreira. Depois de faturar dois títulos com a Ducati, o #63 entrou em uma bruta crise no ano passado e a má fase acabou minando o relacionamento com a marca de Borgo Panigale.

Assim, a expectativa é que Pecco migre para a Aprilia, formando dupla com Marco Bezzecchi.

Francesco Bagnaia deve deixar a Ducati no fim do ano (Foto: Ducati)

Marco Bezzecchi

Atual líder da MotoGP, o italiano tem a situação mais do que resolvida. Antes mesmo do início da temporada, a Aprilia concluiu o matrimônio com Bezzecchi, que assinou contrato até 2028.

Promovido ao posto de líder da equipe de Noale, Marco foi o único a ter contrato anunciado neste ano, já que as equipes seguem a espera do Acordo de Participação.

Marco Bezzecchi já assinou com a Aprilia até 2028 (Foto: Aprilia)

Álex Márquez

O vice-campeão de 2025 é mais um que vai mudar de endereço em 2027. Depois de uma passagem de bastante sucesso pela Gresini, o espanhol recebeu uma oferta da KTM e a expectativa é de que ele se torne piloto de fábrica no próximo ano.

O caçula dos Márquez ainda está afastado da MotoGP por causa das lesões sofridas durante um forte acidente no GP da Catalunha.

Álex Márquez é cotado para correr pela KTM (Foto: Gold & Goose / Red Bull Content Pool)

Ai Ogura

O japonês é sempre uma caixinha de surpresas no campo contratual. Depois de surpreender ao deixar a Honda a ver navios e saltar para a MotoGP com a Trackhouse, Ogura agora faz uma nova mudança.

A partida dele da equipe satélite da Aprilia já foi confirmada por Davide Brivio, mas falta a oficialização de um acerto com a Yamaha. Quando os rumores começaram, Rins revelou que tinha sido comunicado da contratação de um substituto. Ou seja…

Ai Ogura vai deixar a Trackhouse e deve correr com a Yamaha (Foto: AFP)

Jorge Martín

O espanhol era para ser o homem forte da Aprilia, mas o cenário mudou ainda no início do ano passado, quando Martín tentou romper o contrato na metade do caminho. Com as pontes queimadas, o #89 não tinha muita expectativa de ficar em Noale e consta que ele assinou para substituir Quartararo na Yamaha.

Nas últimas semanas, surgiram rumores de que a Aprilia estava tentando mudar esse cenário, mas as possibilidades não parecem muito boas, especialmente após o strike causado pelo campeão de 2024 em Balaton Park.

Jorge Martín também não deve seguir na Aprilia (Foto: Reprodução)

Marc Márquez

Campeão vigente da MotoGP, Marc Márquez negocia um novo contrato com a Ducati há meses. A expectativa é de que o espanhol siga vestindo o uniforme de Bolonha, com a duração do contrato sendo o foco principal das especulações.

No caso do #93, não existem boatos de uma transferência de equipe, mas sim em torno de uma eventual aposentadoria.

Marc Márquez negocia novo contrato com a Ducati há meses (Foto: AFP)

MotoGP volta a acelerar entre 19 a 21 de junho, em Brno, para o GP da Tchéquia, nona etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.

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