Embora soberana na folha de tempos, a Ducati não corre sozinha em San Marino. Usando a tática que adotou ao longo de toda a temporada, Marc Márquez focou no ritmo de prova e não teve um grande destaque no combinado dos tempos, mas, mesmo fora do teste que reuniu alguns de seus rivais em Misano em meados do mês, se colocou tranquilamente como um candidato ao triunfo.
Ao contrário do que os tempos possam indicar, no entanto, Dovizioso não está muito satisfeito, já que não se sentiu tão bem quanto no teste realizado recentemente.
Andrea Dovizioso ditou o ritmo, mas não ficou de tudo feliz (Foto: Ducati)
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“A realidade é que encontramos condições completamente diferentes. A aderência é completamente diferente, o pneu está funcionando de uma maneira estranha, completamente diferente do teste, então temos, com certeza, de mudar alguma coisa para amanhã, pois, temos a velocidade ― é bom confirmar isso ―, mas não tive uma sensação realmente boa na moto durante os treinos”, relatou Andrea. “Agora nós temos de estudar melhor os adversários, para entender a velocidade que eles têm. Eu não me sinto tão bem. Estou feliz em ser o primeiro, porque o tempo de volta é bom mesmo sem um feeling realmente bom. No geral, a moto está melhor do que no ano passado”, comparou.
Questionado se seu desconforto é mais com a frente ou com a traseira da moto, Andrea respondeu: “O pneu traseiro funciona de uma maneira estranha e acho que isso afeta também a frente. Mas é, principalmente, a traseira”.
“Talvez seja [a umidade]. Nós não sabemos. Nós sabemos que o pneu Michelin é muito sensível, então é a única razão, pois a moto é a mesma”, explicou. “Vamos ver amanhã. No geral, a velocidade é boa”, resumiu.
Mesmo encontrando em Misano condições diferentes àquelas do teste, Lorenzo celebrou o início positivo de fim de semana.
“Ontem choveu, então a pista parece mais escorregadia do que há um mês, aí os tempos de volta são mais difíceis de fazer”, considerou. “No fim, com pneus novos, nós fizemos uma ótima volta. Nós também estávamos trabalhando muito no ritmo de corrida para domingo, então acho que foi um bom começo com o segundo lugar. Nós estamos bem satisfeitos”, frisou.
Questionado sobre o quão confiante está em conquistar mais uma vitória na terra da Ducati, Lorenzo respondeu: “Bom, nós estamos trabalhando bem. No momento, nós estamos em uma ótima forma, conquistando bons resultados. Misano é uma das minhas pistas favoritas. Para a Ducati, até este ano, sempre foi uma pista difícil, mas acho que nossa moto agora é muito completa, então nossa esperança é muito grande. Estamos ansiosos para a corrida”.
Marc Márquez mostrou ter armar para brigar (Foto: Repsol)
“Os outros fizeram um teste há pouco tempo, mas o nosso ritmo é bom. Eles tinham um pouco de vantagem no principio, mas a equipe foi muito precisa quando foi necessário. De tarde, nós nos colocamos já quase que no nível da Ducati. Já absorvemos este teste que eles fizeram aqui”, avaliou Marc. “Nós corremos um risco esta amanhã, mas fizemos isso porque os outros fizeram um teste. A equipe calculou bem, mas eu cometi um erro e não me sobrou tempo para fazer uma volta com um pneu macio. O Papa ajudou para que não chovesse”, brincou o piloto, que visitou o Vaticano na quarta-feira.
Satisfeito com o primeiro dia de trabalhos, Márquez listou os rivais pelo triunfo no domingo e, além das Ducati, incluiu Cal Crutchlow e Maverick Viñales, terceiro e quarto colocados, respectivamente.
“Hoje nós demos bons passos adiante e, sobretudo, nós conseguimos melhorar bastante de tarde, o ritmo está muito bom e podemos dizer que estou contente”, comentou. “Tudo está muito igualado, especialmente com as duas Ducati, Viñales e Crutchlow, que são que mais ou menos vão brigar pela vitória”, previu.
Ainda analisando o terreno em Misano, Márquez evitou certezas, mas avaliou que pode lançar mão de sua versão calculista ou partir em busca da vitória.
“Depende de como me encontrar. Se for como em Brno, serei mais calculista, mas se estiver, bem, se verá o da Áustria, lutando pela vitória”, avisou. “Mas sempre pensando que, se não for possível, temos de pontuar. Não é como no ano passado, quando sabíamos que cada ponto era importante, mas é preciso saber gerir a vantagem que temos”, completou.
Viñales, por sua vez, era o retrato da animação. 0s213 mais lento que o líder, o #25 voltou a destacar a evolução que a Yamaha conseguiu nos testes privados recentes.
Valentino Rossi ressaltou mudanças na pista entre o teste e os treinos de hoje (Foto: Yamaha)
“Estamos contentes, mas vai ser tudo muito apertado. Nós trabalhamos muito bem. As sensações são similares as do dia do teste, inclusive melhores”, contou Maverick. “Nós melhoramos a eletrônica e isso repercute na aceleração. Ainda estamos um passo atrás do resto, mas estamos perto”, considerou.
Para avançar com a eletrônica, a Yamaha recrutou Michele Gadda, que integra o time da marca no Mundial de Superbike.
“A nova incorporação ajudou muito, mas ainda falta um pouco. A eletrônica faz mais do que o acerto”, explicou. “O passo que demos no teste foi importante. Com certeza, demos um passo, do contrário, não estaríamos na frente”, ponderou.
Companheiro de Viñales, Valentino Rossi aparentou ter muitas dificuldades em Misano nesta sexta, mas nem por isso terminou o dia insatisfeito.
“Era muito importante entrar no top-10 já nesta tarde, porque não sabemos como vai ser amanhã e, no fim, nós conseguimos”, ponderou Rossi. “Mas foi um dia difícil, porque a pista tem pouca aderência e, em comparação com o teste, fica mais complicado””, apontou
“Por um lado, estou feliz, porque tenho uma boa sensação com a moto e estou melhor do que nos testes, mesmo sendo oitavo”, contou. “Ainda temos muito para trabalhar, pois em muitos lugares não estou 100% na freada. Vamos ter de trabalhar no equilíbrio da moto e também na eletrônica, mas o importante era estar no top-10”, concluiu.
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