Mercedes considerava possível punição e Hamilton deduziu: rádio revela as voltas finais na Alemanha

Lewis Hamilton e a Mercedes venceram o tumultuado GP da Alemanha, mas não escaparam de uma investigação dos comissários por uma manobra ilegal do inglês na entrada do pit-lane. Apesar da candura e da reprimenda, as trocas de mensagens entre o inglês e a equipe revelaram que havia uma preocupação com uma possível punição

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Se há um ponto fraco nesta Mercedes 2018 é a estratégia. A melhor equipe do grid nas quatro últimas temporadas agora enfim tem de lidar com uma concorrência forte e que, por muitas vezes, parece ter um melhor conjunto, como aconteceu em Hockenheim neste fim de semana, mas as decisões do pit-wall continuam sendo o calcanhar de Aquiles dos prateados, e isso ficou de novo evidente na Alemanha, apesar da dobradinha improvável no domingo. A verdade é que o Lewis Hamilton poderia até ter perdido a corrida por mais uma hesitação dos engenheiros. E mais uma vez, o próprio piloto percebeu que havia algo errado, e isso revela muito sobre as falhas dos engenheiros. O episódio da mudança de decisão para um eventual pit-stop de Lewis é mais um episódio que deixa evidente a vulnerabilidade do time prata.

 
Tudo aconteceu na volta 52 da corrida alemã, durante o período do safety-car e a indecisão entre chamar Hamilton para a troca de pneus ou não. A Mercedes fez as mudanças no carro de Valtteri Bottas e faria o mesmo com o inglês, mas decidiu, no último minuto, deixar o #44 na pista e, na consequente, liderança. Só que o engenheiro optou por mantê-lo fora quando Lewis já estava se encaminhando para os boxes. O britânico, então, teve de cruzar a linha que separa o pit-lane das garagens para voltar à pista, manobra considerada ilegal. 
 
Tão ilegal que os comissários chamaram Hamilton e a Mercedes para explicar a confusão toda. Pelo regulamento, apenas por motivo de força maior é permitido cruzar de volta à pista, mas a FIA levou em consideração a indecisão do time e acabou dando uma punição mais branda – apenas uma reprimenda. Mas o rádio da equipe nas voltas finais do GP da Alemanha mostrou que o time realmente esperava uma sanção. E mesmo Hamilton sabia que poderia ser punido.
Lewis Hamilton precisou abrir de Bottas na parte final da corrida. Motivo: evitar uma punição (Foto: Mercedes)

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Logo depois que o líder Sebastian Vettel escapa da pista e bate, abandonando a prova, o engenheiro Peter Bonnington avisa Hamilton sobre o rival. Nisso, Lewis já está se dirigindo aos boxes, quando o engenheiro muda de ideia e grita para que o britânico “fique fora”. Hamilton reage.

 
A conversa entre Bonnington e Hamilton revela bem a confusão e a preocupação com a punição:
 
Peter Bonnington: Fique fora, fique fora… Dentro, dentro, dentro
 
Lewis Hamilton: Ei, cara!
 
Peter Bonnington: Desculpa, companheiro. Apenas vá.
 
Lewis Hamilton: Eu já estava na entrada, cara
 
Lewis Hamilton: Estamos com problemas?
 
Peter Bonnington: Negativo, negativo. Apenas fique na pista
 
Depois da saída do safety-car, Bonnington vai avisando a Hamilton sobre as diferenças para Bottas, que já havia sido advertido a manter a segunda colocação, e pede que o inglês aperte o ritmo. Informa também sobre a chance de chuva na volta final e segue instruindo o tetracampeão para aumentar a diferença, mudando as configurações do motor. Vai assim até que o #44 cruza a linha de chegada. Neste momento, a conversa é a seguinte:
 
Peter Bonnington: Milagres acontecem, companheiro!
 
Lewis Hamilton: Eu tenho uma punição? 
 
Peter Bonnington: Negativo, cobrimos todas as lacunas.
 
Depois da prova, o chefe da Mercedes, Toto Wolff, não chegou admitir que havia realmente uma preocupação com uma eventual punição, mas afirmou que os engenheiros apenas tentaram garantir uma distância mais segura. "Valtteri estava planejando fazer um único pit-stop e parecia que ele tinha melhores pneus que os carros da Ferrari. Da mesma maneira, Lewis tinha um grande ritmo com os macios, então estava pronto para tentar tirar a diferença com os ultramacios na segunda parte da corrida. Mas aí as coisas ficaram caóticas quando o safety-car entrou. Foi bem confuso no rádio. Tínhamos um carro na pista e outro nos boxes. No fim, isso cobria cada opção para nós”, afirmou.

Hamilton, por sua vez, reconheceu que todo o episódio foi um tumultuado, dizendo que viveu o "segundo e meio mais confuso" no momento da entrada dos boxes.

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