
Sérgio Sette Câmara passou meses como piloto do sistema de jovens da Red Bull, chegou a testar um carro da Toro Rosso em teste coletivo da F1. Ao primeiro sinal de problemas, no entanto, acabou sendo cortado – assim como a gigantesca maioria dos jovens pilotos que por lá passam. Agora, no entanto, o sistema está esvaziado e sem gente pronta para a F1. Segundo Sette Câmara, reflexo da falta de paciência.
O piloto, que hoje vive bom momento na F2 com a tradicional Carlin, a Red Bull pega pilotos ainda adolescentes, em plena formação profissional e até pessoal, e não admite inconstâncias.
"O grande problema do programa da Red Bull é que eles não dão uma segunda chance para os pilotos deles. Nessa idade aí, da adolescência, a gente precisa disso. Acabaram jogando muitos pilotos fora e ficaram sem nenhum. O único que está aí e pode dar frutos para eles é o [Dan] Ticktum, que ganhou [o GP de] Macau ano passado depois da minha batida – ele anda bem. Mas vários outros não chegaram e tinha potencial", disse em entrevista exclusiva dada ao GRANDE PRÊMIO.
Um exemplo no qual a Red Bull deveria se espelhar? Para Sérgio, algo que ela mesmo fez no passado, com Daniel Ricciardo.
"Acontece que precisam fazer o que fizeram, pegar um piloto que não tinha nada a ver, estava andando de endurance. Um exemplo legal para falar do programa é o [Daniel] Ricciardo. Foi uma das poucas vezes que não aplicaram 100% da filosofia deles. Ele tinha ganho a F3 Inglesa e tinha chegado em segundo na World Series, então tinha provado [talento]. Mas em 2011, quando ele foi fazer a segunda temporada dele de World Series, estava andando mal, tendo dificuldades, e podiam ter jogado o cara fora", lembrou o piloto.
Sérgio Sette Câmara (Foto: FIA F2)
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"Mesmo assim, colocaram na Hispania. E depois ele foi para Toro Rosso e agora está aí, como um dos pilotos mais queridos na F1. Não só pelo carisma, mas pelo talento que tem, a constância que trás. Por aquelas voltas que ele faz, como em Mônaco em 2016 e esse ano de novo, quando foi pole, e são voltas que mostram que ele está num patamar diferente nesse tipo de circuito", elogiou.
"Foi um cara para quem eles deram uma segunda chance e funcionou. Então podiam aplicar mais isso e perdoar um piloto muito jovem às vezes", falou.
Não é novidade que Brendon Hartley – alguém que nem mais estava andando de monoposto quando foi convidado pela Toro Rosso, no ano passado – não está agradando e a equipe busca uma solução. O último alvo foi Lando Norris, companheiro de Sette Câmara na F2 e jovem ligado à McLaren. A equipe inglesa, aliás, barrou a oferta da Red Bull.
Questionado pelo GP sobre a possibilidade de ter procurado a Red Bull para beliscar este espaço, negou. Segundo ele, é hora de fazer um bom trabalho na F2. E elogiou Norris como opção.
Sergio Sette Câmara está pronto para voltar ao cockpit da Carlin neste fim de semana em Paul Ricard (Foto: James Gasperotti/Quick Comunicação)
"Não, a gente não fez contato com ninguém da Toro Rosso. A Red Bull é quem normalmente entra em contato com os pilotos, e eu estou focado no meu negócio de F2, quero terminar o campeonato na frente. Nem tinha pensando nisso, na verdade. Agora a Red Bull realmente está virando uma entrada diferente, porque está faltando piloto do programa deles e não é mais tão exclusivo. Acredito que se eles estiverem precisando vão selecionar pilotos", afirmou.
"O Norris era uma boa opção, porque já conseguiu vários resultados e pode trazer dinheiro para equipe, além de ser um grande talento e nome. Mas parece que queriam que ele vestisse a marca da Red Bull por vários anos, e a McLaren não gostou. Eu não sei, não estou muito atualizado, só li a notícia que vocês mesmos escrevem", encerrou.
Sette Câmara voltou à F2 na última etapa, na França, após se recuperar da lesão no pulso que sofreu na batida em Mônaco. O campeonato retorna às pistas no próximo fim de semana, na Áustria.
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