Lorenzo encontra Yamaha na Ducati e abre trabalhos na Catalunha com mesma dinâmica de Mugello
Depois de muito apanhar, Jorge Lorenzo começa a sentir que pilota Ducati da mesma forma como fazia com a Yamaha. Vindo de uma vitória no GP da Itália, o #99 abriu os trabalhos na Catalunha no topo da folha de tempos.
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Agora que tem o futuro assegurado na Honda, Jorge Lorenzo parece ter se entendido de vez com a Ducati. Vindo de uma vitória dominante em Mugello, o #99 fechou o primeiro dia de treinos na Catalunha no topo da tabela de tempos, 0s107 melhor que Andrea Iannone, o segundo colocado. Completando o mix de marcas, Maverick Viñales aparece em terceiro, já 0s492 mais lento que o ponteiro.
Sempre fiel a seu estilo suave de pilotar, Lorenzo demorou um pouco para dominar a Desmosedici, mas agora que já está com passaporte carimbado para se mudar para a Honda no próximo ano, começa a se sentir como nos tempos da Yamaha, mesmo que sinta que o protótipo de Bolonha nunca parecerá natural.

Jorge Lorenzo achou a Yamaha na Ducati (Foto: Michelin)
“Apesar de ser difícil que eu veja a Ducati como uma moto mais natural para mim, sei que estamos muito mais perto”, disse Lorenzo. “Hoje eu vi na televisão que estou pilotando de uma forma muito mais similar a que fazia na Yamaha, que é uma moto muito diferente”, ponderou.
“Ainda digo a mesma coisa de quando cheguei na Ducati: não posso mudar meu estilo e tenho de ir forte com o que tenho sem modificá-lo”, frisou.
No topo da tabela em Montmeló, Lorenzo minimizou o resultado, mas reconheceu que teve um ritmo forte nas duas sessões do dia.
“É só sexta-feira. Faltam três treinos, a classificação e, especialmente, a corrida”, apontou. “Está claro que hoje tivemos um dos melhores ritmos, para não dizer o melhor, tanto de manhã quando de tarde. De manhã, entre os que mantiveram o pneu desgastado, fui o mais rápido. De tarde, junto com [Marc] Márquez, ou talvez mais do que ele, tinha o melhor ritmo”, reconheceu.
“Eu me vejo muito bem e muito confiante em todos os pontos do circuito e, sem dúvida, posso manter muito mais energia do que antes. Isso é muito importante”, completou.
Falando em Márquez, o líder do Mundial teve um dia um tantinho mais difícil. O #93 sofreu uma queda na segunda sessão e fechou o dia com o 12º posto no resultado combinado, 0s952 atrás do líder. O resultado, no entanto, não preocupa.
“Nós encontramos o problema, mas temos de tentar solucionar. Tem muita aderência, mas a derrapada é mais agressiva e te permite menos erros”, indicou. “Hoje, eu fiz o meu treino. Me vejo em 12º, mas sei onde estou. Quando você é líder do campeonato, você tem mais confiança. Isso te ajuda a não variar seus planos e trabalhar com seu método”, sublinhou.
O piloto da Honda, no entanto, já começa a ficar de olho em Lorenzo, uma vez que considera que, apesar dos 54 pontos de atraso, o piloto de Palma de Maiorca ainda pode ser uma ameaça na luta pelo título.
“Acho que, a esta altura do campeonato, todo mundo tem possibilidades de chegar ao fim do ano e ser campeão”, afirmou Marc. “Já sabemos como é Jorge e, quando ele pega a dinâmica e o ‘modo martelo’, não tem quem o pare”, seguiu.
“Seguramente, virão circuitos diferentes onde esperamos que ele sofra um pouco mais, mas aqui parece que ele está na dinâmica de Mugello”, opinou. “Acho que se ele estivesse nessa posição há cinco anos, eu diria que não tem chance, porque uma corrida ruim significava um terceiro ou quarto. Mas com esta igualdade que beneficia o espetáculo e a todos os pilotos, ele pode, porque uma corrida ruim é um oitavo ou um décimo. Se você vence, recupera 20 pontos de uma vez. Ainda restam muitas corridas pela frente”, reconheceu.
Terceiro na tabela, Andrea Iannone fechou a sexta-feira “bastante satisfeito”, mas considera que ainda tem de melhorar, especialmente no trato com os pneus.
“Estou bastante satisfeito, mesmo que não me sinta em grande forma. Estou feliz com muitas coisas, mas precisamos melhorar em muitos aspectos e tenho de ser mais preciso”, falou. “Nós confirmamos as sensações do teste, mas resta saber o que acontecerá a longo prazo com os pneus, evitando o desgaste na segunda metade da corrida, como fizemos em Mugello”, recordou.
Andrea lembrou que as condições da pista são similares às do mês passado e lembrou que é difícil assegurar um ritmo constante.
“Nos testes, a aderência não foi tão grande e até agora é assim. É, definitivamente, melhor do que o asfalto anterior, mas parece que não é como nas outras pistas. O asfalto colocado fora da primeira curva é bem perigoso, muito escorregadio”, reclamou. “A única coisa que me preocupa é a capacidade de salvaguardar o ritmo ao longo a corrida, considerando que, se pudéssemos, estaríamos sempre lutando pelo pódio”, avaliou.
Melhor Yamaha neste primeiro dia em Montmeló, Maverick Viñales se mostrou satisfeito com o trabalho feito pelo time comandado por Ramón Forcada, mas contou que ainda sofre para ter ritmo em suas primeiras voltas.
“As sensações são muito boas, apesar de ter tido muito mais aderência no teste do que agora. Mesmo assim, fiz uma boa volta”, comparou. “Precisei de mais tempo do que o esperado para ser rápido, mas foi porque a moto estava em configuração de corrida. Ainda custa um pouquinho nas primeiras voltas, mas logo dou um passo”, relatou.
“Nós trabalhamos para a corrida. Estamos fazendo um bom trabalho. Este ano, você não pode se basear nos tempos, mas estou contente, porque consegui o tempo no calor”, comemorou. “Quando a temperatura subiu, a roda dianteira ficou um pouco instável e a moto patinava bastante. Nós demos um passo à frente, acho que encontramos o que nos faltava e agora temos de seguir trabalhando na dianteira. A moto se comportou de forma muito parecida de manhã e de tarde”, finalizou.
Companheiro do #25, Valentino Rossi liderou a primeira atividade do dia e também se mostrou animado com a performance da YZR-M1.
“Estar na primeira posição é sempre uma boa sensação”, resumiu. “Nós usamos pneus macios esta manhã, porque esta tarde precisávamos trabalhar bastante com os diferentes pneus para tentar entendê-los para a corrida. Como sempre, a escolha é muito aberta, tanto na frente quanto atrás. Nós tentamos entender, mas precisamos fazer mais alguns quilômetros amanhã. Também precisamos trabalhar na moto, mas a primeira impressão deste primeiro dia é positiva”, concluiu.
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CHOQUE DE REALIDADE
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