Dovizioso começa na frente em circuito desfavorável à Ducati, mas tem Honda e Yamaha por perto em Le Mans

Único a rodar abaixo de 1min32s nesta sexta-feira (18) em Le Mans, Andrea Dovizioso mostrou força em um traçado que não costuma ser favorável à moto de Borgo Panigale. Ainda assim, o #4 teve a sobra constante da Honda de Marc Márquez e das Yamaha de Valentino Rossi, Maverick Viñales e Johann Zarco

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Andrea Dovizioso não poderia ter começado o fim de semana do GP da França de maneira melhor. Além de ter prolongado sua permanência na Ducati até a temporada 2020, o italiano também ditou o ritmo num traçado que não é dos melhores para protótipo de Bolonha. E marcando um novo recorde para o circuito.
 
Nesta sexta-feira (18), Andrea completou um total de 37 voltas e foi o único a rodar abaixo de 1min32s. Com 1min31s936, o #4 fechou o dia com 0s168 de vantagem para Márquez, o segundo colocado.
 
Dominante em Le Mans nos últimos anos ― com sete vitórias nas últimas dez corridas ―, a Yamaha não fez feio neste primeiro dia de atividades. Valentino Rossi foi o melhor entre os pilotos que guiam a YZR-M1, tendo feito a melhor de suas 39 voltas em 1min32s179. Maverick Viñales vem na sequência, com Johann Zarco em quinto, com os três separados por apenas 0s100.
Andrea Dovizioso começou o dia com o pé direito (Foto: Reprodução)
Apesar de favorável à Yamaha na última década, o circuito Bugatti não é um vilão para a Honda, a montadora que mais venceu na pista ― com 13 triunfos ―, mas tem sido difícil para a RC213V nos últimos anos. A última vitória da marca da asa dourada na pista francesa data de 2014, quando Márquez dominou as primeiras dez provas do ano.
 
Para a Ducati, porém, Le Mans sempre foi um pouco mais difícil. Os vermelhos têm como melhor resultado no traçado localizado 200 km ao sudoeste de Paris dois segundos lugares: um com Valentino Rossi em 2011 e um com Loris Capirossi em 2006 ― no molhado.
 
Neste cenário, a performance das três melhores fábricas neste primeiro dia é um indicativo do estado atual da MotoGP. A atuação da Ducati, especialmente nas mãos de Dovizioso, é mais uma mostra do quão bem adaptado o #4 está e também da melhora do protótipo. O desempenho de Márquez, por outro lado, é mais uma forte evidência do enorme salto da RC213V neste ano. A Yamaha, por sua vez, ainda sofre com sua já tradicional irregularidade, mas, como disse Rossi, “gosta de Le Mans”.
 
“Hoje foi um dia realmente bom para nós, porque anunciamos que o casamento com a Ducati continuará pelos próximos dois anos”, disse Dovizioso. “Nós começamos muito bem, com a mente livre, e vimos os resultados. Nós conseguimos ser rápidos desde esta manhã e aí, de tarde, demos outro passo à frente com o acerto”, indicou.
 
“Fui rápido com pneus novos e usados, mas temos de seguir melhorando, pois têm muitos pilotos com um bom ritmo”, alertou.
 
Líder do Mundial, Márquez não escondeu a surpresa com a performance, mas, mesmo tendo liderado a primeira atividade do dia, não se considera o mais forte.
 
“Foi uma surpresa para nós, porque normalmente sofremos aqui”, admitiu o #93. “De qualquer forma, nos custou mais do que em outros circuitos”, apontou.
 
“Em Le Mans, nós tínhamos certas dúvidas, mas nos encontramos bastante bem. Estamos ali, mas não na frente”, resumiu. “Estou em um momento doce com a moto. Me sinto como em 2014, mas agora tem mais competência do que naquela época, o nível dos rivais é mais alto”, completou.
 
Melhor Yamaha, Rossi fez um balanço positivo do dia e, inclusive, reconheceu que não esperava uma performance tão boa.
 
“Foi um dia positivo, tanto pela manhã quando pela tarde. O asfalto nos cai bem, estou entre os três primeiros, então o primeiro dia foi positivo”, comentou o #46. “Por agora, estamos melhores do que esperávamos. Em Jerez, nós sabíamos que íamos sofrer, mas aí [no teste] em Mugello, uma pista em que teoricamente deveríamos ir bem, sofremos. E eu estava preocupado de que as coisas se complicasse aqui. Sem dúvida, a nossa moto gosta de Le Mans”, contou.
 
Vencedor do GP da França do ano passado, Viñales também se mostrou animado, mas comentou que não está tão confiante com a M1 quanto em 2017.
 
“Não tenho a mesma confiança do ano passado, mas esta manhã eu pude igualar o ritmo de corrida do ano passado. A moto do ano passado me dava mais estabilidade”, apontou Maverick. “De manhã, nós demos muitas voltas, porque era importante pegar ritmo. Fui muito melhor do que esperava e a moto se comportou bem. Mas, de tarde, provamos muitas coisas que não funcionaram e que nos fizeram perder tempo. Fiquei muito tempo parado”, relatou.
 
“Este circuito ajuda bastante a nossa moto e funciona bem. Temos de arrumar alguns aspectos da eletrônica, mas estou contente. O importante é não perder o caminho e tirar conclusões. Temos que encontrar um bom acerto”, defendeu. “Está claro que, em relação ao ano passado, os rivais deram um passo à frente muito grande. Nós temos de fazer o mesmo. Estou contente, pois, mesmo sem ter muita confiança com a moto, fui bem e rápido. Espero dar outro passo à frente amanhã”, completou.
 
Vice-líder do Mundial, Johann Zarco também falou em dia positivo, mas confia que a Tech3 pode tirar mais da moto. 
 
“Fizemos um trabalho sólido ao longo do dia. De tarde, nós fomos competitivos, mas ainda falta alguma coisa. Esperamos ter boas condições amanhã outra vez para encontrarmos esse passo, o que com certeza nos ajudaria muito. Aí, acho que seremos capazes de sermos rápidos em todas as voltas”, ponderou.
 
Décimo colocado no primeiro dia de atividades em Le Mans, Lorenzo ficou a 0s640 do companheiro de equipe, mas creditou o desempenho a um erro no acerto da moto.
 
“Não fui mal. O problema é que nos equivocamos no acerto. Não estou satisfeito. Modificamos o acerto e fizemos um ajuste incorreto. Às vezes, acontece”, minimizou o espanhol, que decidiu manter o novo chassi testado em Jerez e Mugello. “Vamos manter o novo chassi, ainda que seja um pouco complicado trabalhar, porque só temos uma unidade e será mais difícil acertar. Ele faz com que o comportamento da moto seja diferente”, encerrou.
 
Para apimentar ainda mais a brincadeira em Le Mans, o primeiro dia atividades em pista terminou com 16 pilotos no mesmo segundo. Mais especificamente, em 0s915.

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