‘Primeiro round’ da ausência de Buemi dá real noção da tarefa de Di Grassi para seguir na briga: vencer domingo

Lucas Di Grassi se saiu bem na primeira perna do fim de semana da F-E em Nova York. Após uma classificação complicada, foi ganhando espaço na pista e conseguiu terminar em quarto. 12 valiosos pontos, mas que ainda deixam Lucas 20 pontos atrás de Sébastien Buemi. Domingo não há outro remédio: é preciso ganhar

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Por meses houve a expectativa para este fim de semana. Não apenas por ser Nova York, a primeira vez que um campeonato de carros de corrida manda uma prova por aquele pedaço do mundo. Mas também, evidente, porque Sébastien Buemi, o provável campeão da F-E, não estaria presente. Agora que a realidade aconteceu, e o campeonato conduziu uma corrida sem seu líder, ficou claro o que é que pode ser considerado uma boa etapa para Lucas Di Grassi no que diz respeito à briga pelo título: vencer no domingo.

 
Claro que algo impensado pode tirar o título de Buemi. Se ele quebrar duas vezes em Montreal, por exemplo, Di Grassi recebe o campeonato de bandeja. Mas não dá para colocar na conta o 'incontabilizável'. Lucas precisa sair de Nova York em vantagem no campeonato. Assim ao menos será capaz de ter algum controle estratégico sobre como abordar a rodada dupla de Montreal em duas semanas.
 
O ideal, evidente, era colocar a quantidade suficiente de pontos entre si e Buemi para que o suíço não conseguisse alcançar caso vencesse as duas corridas e fizesse duas poles, enquanto Lucas chegasse em segundo. Evidente que isso daria uma segurança maior e faria Di Grassi depender apenas de si próprio. Nunca, no entanto, foi uma possibilidade realista. Seria um total de 20 pontos, não havia qualquer chance. 
 
Se Buemi vencer as duas corridas no Canadá, o que é possível para alguém que ganhou seis dos oito ePs em que largou na temporada. E, sejamos honestos, se Buemi completar oito vitórias em dez provas, merece ser bicampeão. Não há nada que Di Grassi possa fazer neste cenário para evitar ficar mais uma vez com o vice.
Lucas di Grassi (Foto: Fia Formula E)
Com o quarto lugar deste sábado em Nova York, após largar em décimo, Lucas somou mais 12 pontos e está apenas 20 atrás. Terminar com a vitória e somar ao menos mais 25 tentos no domingo é assumir algum controle sobre o destino do campeonato. Forçar Buemi a conquistar título a fórceps. Pode parecer bobo, mas a vantagem significa bastante, até psicologicamente. Se sair de Nova York atrás do rival, só será campeão se contar com a sorte.

E o quarto posto de Di Grassi foi impressionante. Ultrapassou quando dava e especialmente evitou se envolver em momentos de confusão numa pista tão travada que provocou alguns princípios de carnificina. Não foi uma colocação ideal, é verdade, mas se arriscar e ir dormir sem pontos no sábado significaria o fim da briga.

 
"Sem duvida foi uma corrida muito boa. Não posso reclamar", disse Lucas em entrevista ao Fox Sports. "É difícil na F-E você ser consistente na busca por bons pontos todas as corridas. E é muito fácil errar, muito fácil bater e muito fácil encostar na parede aqui durante a corrida. Então essa corrida hoje foi muito difícil, assim como ir de décimo para quarto. Amanhã é um dia completamente novo, outra classificação, outra corrida e a gente vai tentar sair daqui com a menor diferença possível para o Buemi, de repente até com uma vantagem para Montreal, esse é o objetivo", afirmou.
 
Na sequência, explicou como foi a disputa com Felix Rosenqvist que terminou com o sueco rodando. "Estava muito difícil de passar o Felix porque ele estava muito rápido, só que tinha um pouco menos de energia por causa da estratégia que ele fez. Então o que eu fiz, eu pressionei ele numa curva antes, fiz ele entrar na sujeira. Ai na curva dois eu mantive ele na sujeira, na hora da frenagem eu fui para a parte limpa e ele acabou freando na parte suja, travou todas as rodas, passou reto e consegui fazer a ultrapassagem", seguiu.
 
Rosenqvist também falou sobre a disputa com Lucas. O piloto da Mahindra, afinal, acabou com problemas depois daquele momento e nem marcou pontos. Se, 71 pontos atrás de Buemi, sonhava com o título nos sonhos mais insanos, agora nem mais isso.
 
"Eu consegui ultrapassar [Di Grassi] no pit-stop, ele tinha mais energia no segundo stint. Freei e acabei errando. É uma dessas coisas que acontecem. Toda vez que você disputa a F-E, aprende alguma coisa. Poderia quem sabe ter feito alguns pontos hoje. Nada mudou em termos de classificação, a Mahinda não pontuou, mas mantivemos a mesma posição nos construtores. Temos ritmo para chegar muito mais à frente. Vamos ver o que vai acontecer", seguiu.
O Empire State Building com as cores da DS Virgin (Foto: DS Virgin)
A vitória de Sam Bird foi quase que magistral. O inglês largou em quarto e foi subindo. Em pouco mais de uma dezena de voltas, liderava. Não passou perto de perder depois disso. Se tornou o terceiro piloto, atrás de Di Grassi e Buemi, a vencer ao menos uma corrida nas primeiras três temporadas da categoria. 
 
Quem passou perto de Bird foi o ex-companheiro Vergne. "Estou muito feliz pela equipe. A corrida foi boa no ponto de vista de energia. O lugar do pole é do lado sujo da pista. Fico um pouco despontado por não poder vencer, mas estou feliz. Amanhã, vamos ver. Estivemos perto de vencer várias vezes", falou. É uma sólida temporada com três pódios para Vergne – seriam mais caso o começo das operações da Techeetah não tivesse produzido um carro tão pouco confiável.
 
Stéphane Sarrazin voltou ao pódio, importante no meio de uma temporada horrenda que vinha tendo. É a primeira vez que a Techeetah vai ao pódio com dois carros. "Foi muito legal. Sabia que de manhã poderia ter feito uma boa corrida. Estava com um bom ritmo e perto dos líderes. Estou orgulhoso pela minha equipe."
 
A F-E continua no domingo, com uma prova às 14h (de Brasília).
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