Diretor da Renault prevê “corrida armamentista” na F1 em 2017 e teme por equipes com menos recursos financeiros

Cyril Abiteboul entende que a adoção do novo regulamento técnico vai fazer com que as equipes tenham de gastar muito mais, e isso fatalmente vai prejudicar os times com menores recursos financeiros, caso, por exemplo, da Force India. Desta forma, a Renault acredita que terá condições de fechar o ano no rol das cinco primeiras do Mundial

 

A F1 sempre se notabilizou por ser um esporte caro e que envolve cifras bilionárias, prejudicando muitas vezes a trajetória de equipes com menor poderio financeiro. Em janeiro, por exemplo, a Manor faliu e fechou suas portas depois de ver sua jornada em busca de um novo investidor naufragar. E agora, com a adoção do novo regulamento técnico a partir desta temporada, a expectativa é que os times tenham de gastar ainda mais para permanecerem competitivos, resultando em uma verdadeira “corrida armamentista” em que leva a melhor quem pode investir mais. É nisso o que acredita o diretor-geral da Renault, Cyril Abiteboul.

 
Com a expectativa de investir quase R$ 1 bilhão por temporada, a Renault tem como objetivo para 2017 terminar em quinto lugar no Mundial de Construtores. Pavimentando seu caminho para o futuro, a escuderia anglo-francesa acredita que, em 2020, terá totais condições de lutar pelo título, e para isso não vai economizar. No entanto, outras equipes, sem o suporte de uma montadora, tendem a ficar para trás.
 
“Acho que esta temporada vai ser uma corrida armamentista, e realmente temo pelas equipes que contam com menos recursos”, comentou o engenheiro francês à revista britânica ‘Autosport’ na esteira do lançamento do R.S.17, carro da Renault para a nova temporada da F1.

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Cyril Abiteboul acredita que equipes com menos recursos financeiros vão ter dificuldades em 2017 (Foto: Renault)
Abiteboul disse que o carro apresentado na última terça-feira em Londres será bem diferente em relação ao que irá à pista no fim de semana de abertura da temporada, em março, na Austrália, em razão do grande desenvolvimento que será feito neste período. Um desenvolvimento que custa caro e que nem todas as equipes têm condições de realizar com excelência.
 
“Quando vejo este carro que nós estamos apresentando, não é o mesmo que vamos testar em Barcelona. E o carro que vamos testar em Barcelona não vai ser o de Melbourne. Então, corrida após corrida, vamos ter a introdução de novas peças”, explicou o ex-chefe da Caterham, que teve o mesmo destino da Manor e fechou as portas. “Honestamente, estive em uma equipe pequena, que não foi bem-sucedida, e realmente sinto pelas equipes que tem de se manter. Os recursos vão ser muito difíceis para as equipes menores”, salientou.
 
Entre os times que Abiteboul acredita que vão sofrer com a nova regra da f1 e o aumento dos custos está a Force India. A equipe de Silverstone se superou e conseguiu o melhor resultado da sua história ao terminar o Mundial de Construtores do ano passado em quarto lugar. No entanto, a equipe teve de pedir adiantado o dinheiro da premiação justamente por conta da instabilidade financeira, em que pese a ascensão esportiva nos últimos anos.
 
“Acredito que a maior parte do orçamento da construção do carro da Force India será gasta agora, só para lidar com o novo regulamento. Isso também é algo que estamos levando em conta considerando o recurso que nós temos. Devemos facilmente bater equipes como a Haas e a Force India, e assim por diante”, disse.
 
Abiteboul lembrou também que a Renault vem contratando funcionários de forma maciça, tanto na fábrica de motores em Viry-Châtillon, na França, como também para a sede da equipe, em Enstone, na Inglaterra. Tudo para tornar o time capaz de lutar de igual para igual com potências como Mercedes, Red Bull e Ferrari. Mas o francês fez um alerta.
 
“Nós somos 1.050 pessoas em Viry e Enstone. Agora, em Viry, queremos ser mais ou menos estáveis, mas temos algumas contratações-chave com conhecimentos específicos que sentimos que precisamos fazer para recuperar o atraso. Se eu me concentrar em Enstone, passamos dos 475, da época de quando nós compramos a Lotus, e agora estamos em 580. Estamos planejando estar com 640 no fim do ano, tendo como objetivo final chegar a 650. Mas se você comparar com a Red Bull e a Mercedes, eles estão entre 750 e 800. E isso não é para onde queremos ir”, declarou o engenheiro.
 
“Gostaríamos de pensar que com 650 conseguiríamos competir contra eles, mas nunca seríamos capazes de competir contra eles com o que nós temos atualmente. Não acho que é muito sustentável ter números tão grandes para dois carros de corrida, sinceramente, então talvez algo tenha de ser feito diante de uma perspectiva de regra para conseguir cortar isso”, finalizou Abiteboul.
 
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