Com poucas chances de retorno, Kubica revela recusa de teste na F1: “Seria como pegar uma faca e me apunhalar no peito”
Robert Kubica revelou que recusou um teste na F1 ano passado. Polonês se mostrou ciente de que tem pouquíssimas chances de voltar ao Mundial e justificou recusa de teste dizendo que queria se proteger
Robert Kubica não parece mais ter esperanças de voltar à F1. Em entrevista à publicação britânica ‘The Mirror’, o polonês admitiu que uma volta ao Mundial é improvável e revelou ter recusado a chance de testar um bólido da categoria no ano passado.
Kubica sofreu um forte acidente em fevereiro de 2011, quando participava do rali Ronde di Andora, na Itália. O polonês bateu em um guard-rail, que perfurou o Skoda Fabia e atingiu o piloto.

Robert Kubica admitiu afastamento da F1 para evitar memórias (Foto: Citroën)
O então titular da Renault sofreu múltiplos traumatismos no braço direito, na perna e na mão. Os médicos chegaram a considerar a possibilidade de amputar o braço de Kubica, mas conseguiram reverter a situação.
Depois de um longo processo de recuperação, Kubica voltou a competir em setembro de 2012, disputando o rali Ronde di Gomitolo Lana, que venceu. Após o retorno bem sucedido, Robert conquistou o título do WRC2 em 2013 e neste ano disputou o WRC, tendo como melhor resultado um sexto lugar no Rali da Argentina.
“No ano passado, fiz algum trabalho no simulador para a Mercedes, mas, com as minhas limitações, não consigo guiar um carro de F1 em circuitos como Monte Carlo e Cingapura, onde as curvas são mais apertadas”, explicou. “Não tenho rotação no punho e no antebraço. Nos carros de turismo e de rali, posso compensar com o meu ombro, mas na F1 o espaço no cockpits é muito apertado, muito estreito”, seguiu Kubica.
“No ano passado, tinha um plano para eu testar um carro de F1 e eu estava bem confortável de que poderia fazer isso”, contou. “Mas a minha pergunta era: ‘E depois?’. O depois não é possível para mim por conta das minhas limitações. Então eu não fiz, porque queria me proteger. Tinha um risco muito grande de que eu iria curtir e aí… bom, seria como pegar uma faca e me apunhalar no peito com ela”, comparou.
Três anos após o acidente na Itália, Kubica admite que é difícil assistir seus antigos rivais na F1 e, por isso, agora foca no mundo do rali.
“Se eu penso na F1? Sim e não. Tenho que viver para o que vem depois, não de memórias”, defendeu. “Eu poderia ir às corridas de F1 e ter mais contato com amigos e pessoas que conhecia na F1. Mas eu decidi evitar isso. Não porque não sou amigável, mas por conta das lembranças. Sou sincero: assistir uma corrida de F1 não é fácil."
“Nos primeiros dois anos depois do meu acidente, eu estava me concentrando na minha recuperação e era mais fácil assistir na época. Agora é um pouco mais difícil. Não porque vejo Lewis [Hamilton] e Nico [Rosberg] lutando pelo campeonato e penso que os conheço desde cedo, nós disputamos todas as temporadas desde 98, mas só porque sinto falta de pilotar junto com eles”, relatou.
“Vou ficar bem se eu nunca mais guiar um carro de F1 de forma competitiva outra vez. Seria melhor se eu pudesse, mas sei que o tempo está correndo contra mim”, admitiu. “Quando você não pode ter algo, você faz funcionar aquilo que você tem. Quando você não pode comer um bife, ou você come ovo ou não come. Então, no fim, você come ovo e aprecia”, concluiu.

OS 20 ANOS DO PRIMEIRO TÍTULO DE SCHUMACHER
Há 20 anos, Michael Schumacher dava o primeiro grande passo para ficar na história. Naquele 13 de novembro, o alemão – que dez anos mais tarde se tornaria heptacampeão mundial – conquistava o seu primeiro título na F1.
E que temporada peculiar foi a de 1994. Sem dúvidas, um dos campeonatos mundiais mais inesquecíveis da história.
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