Temor por casos recentes de ebola nos Estados Unidos eleva preparação médica para receber F1 no Texas
Após três pacientes terem sido diagnosticados com ebola no Texas, a preparação médica da F1 foi elevada para a disputa da etapa de Austin. Equipe médica do Circuito das Américas contará com trajes de proteção
A preocupação com o ebola chegou a F1. Depois de três pacientes terem sido diagnosticados com o vírus no estado do Texas, a equipe médica do Circuito das Américas reforçou sua preparação e contará com os devidos equipamentos de proteção caso seja necessário tratar um paciente contaminado.
A atual epidemia do ebola é a maior da história. O primeiro surto aconteceu em 1976, quando o vírus foi descoberto, e causou 431 mortes. Desde março deste ano, entretanto, a doença já deixou mais de 5 mil mortos em países da África Ocidental, em mais de 13,7 mil casos de contágio. A taxa de mortalidade do vírus varia entre 50% e 90%, dependendo do subtipo do vírus e do atendimento médico recebido.

Circuito das Américas vai receber a F1 neste fim de semana (Foto: Tech3)
A transmissão do ebola é feita por contato direto com fluídos corporais — como lágrima, muco, saliva, vômito, suor, sangue e sêmen, por exemplo — de pessoas infectadas. O ebola não é transmitido pelo ar.
A partir do contágio, o paciente pode levar até 21 dias para apresentar sintomas e é só a partir daí que transmite a doença. Os sintomas do vírus são dor de cabeça e de garganta, febre, dor muscular, vômito, diarreia e franqueza. Em casos mais graves, as pessoas infectadas podem apresentar erupção cutânea, interrupção do funcionamento de órgãos, deficiência renal e sangramentos interno e externo.
Para afastar qualquer risco de contaminação, a enfermeira Shirley Borgmann vai carregar todo o equipamento de proteção necessário para tratar pacientes com suspeita de ebola.
“Então estamos tomando muito mais precauções para cobrir todos nós”, garantiu Borgmann.
Borgmann é a gerente de eventos especiais do Hospital Seton, o hospital local. Desde segunda-feira, estações de primeiros socorros, que contarão com um enfermeiro e um técnico de enfermagem, estão sendo montadas no Circuito das Américas. O centro médico da pista vai contar com quatro enfermeiras, dois técnicos, um cirurgião de trauma, um cirurgião ortopédico, um neurocirurgião e dois ou três médicos de emergência.
Com a expectativa de um público de 120 mil pessoas, Borgmann defende que é preciso estar preparados para qualquer eventualidade e conta que a equipe estuda padrões de doença dos locais de onde vêm os visitantes do circuito.
“Nós tivemos três pacientes com malária. Eram fotógrafos”, contou. “Acho que eles estiveram em Abu Dhabi, mas não sei se estiveram em outro lugar antes. Aí teve um quarto paciente também”, recordou.
“As estações de gripe atingem outros países antes de nós, então mesmo que já não estivéssemos preparados para a gripe, teríamos de olhar para esse tipo de coisa para ter certeza que a nossa equipe tomou a vacina da gripe, garantir que eles estejam cientes, que lavem bem as mãos e coloquem máscaras no paciente se ele estiver tossindo”, explicou.
Com casos de ebola diagnosticados no estado, Borgmann contou que tem praticado com os funcionários do hospital a colocação do traje de proteção.

Nina Pham foi a primeira pessoa contaminada pelo ebola nos Estados Unidos (Foto: Getty Images)
“É bastante assustador. Cada vez que vamos trabalhar em um pronto-socorro ou em qualquer parte do hospital, sabemos que estamos expostos a coisas as quais você não é exposto no dia-a-dia. É parte do nosso trabalho dar o melhor atendimento que pudermos, mas também temos de nos manter seguros”, ponderou.
Ainda assim, Borgmann ressaltou que não espera nenhum visitante vindo de países onde o vírus do ebola fez mais vítimas. “Só temos de lembrar as pessoas de pensarem fora da caixa”, concluiu.
No momento, não existem remédios ou terapias específicas aprovadas contra o ebola. Os pacientes estão sendo tratados com terapias experimentais, como transfusão de sangue de pacientes que venceram a doença, ou com drogas como ZMapp, TKM-Ebola, Brincidofovir e BCX4430, que ainda não concluíram todas as fases de pesquisa necessárias para aprovação.
A primeira pessoa a ser diagnosticada nos Estados Unidos foi Thomas Eric Duncan, de 42 anos. O liberiano, que entrou em contato com o vírus em seu país natal, foi ao Texas para visitar familiares e só então sentiu os primeiros sintomas.
Duncan procurou o Hospital Presbiteriano de Dallas em 25 de setembro com febre, mas os médicos receitaram antibióticos e o mandaram para casa. Quatro dias depois, Thomas voltou ao hospital e só então foi submetido ao teste para diagnosticar o ebola. Duncan recebeu um dos remédios experimentais, mas não resistiu e morreu no último dia 8.
Integrante de uma equipe de 70 pessoas que cuidaram de Duncan, a enfermeira Nina Pham foi a primeira infectada em território norte-americano. Pham, de 26 anos, recebeu uma transfusão de sangue de Kent Brantley, um médico que foi repatriado após pegar a doença trabalhando em um hospital na Libéria.
Pouco após do diagnóstico de Pham, Amber Vinson, que também cuidou de Duncan, foi diagnosticada. A enfermeira recebeu tratamento em Atlanta e também se livrou do vírus do ebola.

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