Bicampeonato de Fittipaldi e primeiro título da McLaren no Mundial de F1 completam 40 anos nesta segunda

As equipes mais vencedoras da história do Mundial de F1 viveram seu primeiro duelo direto por um campeonato em 1974, e Emerson Fittipaldi se sagrou campeão garantindo a primeira taça para a McLaren

O primeiro dos 12 títulos da McLaren no Mundial de Pilotos completa 40 anos nesta segunda-feira (16). A conquista, em um duelo contra a Ferrari, foi a segunda do brasileiro Emerson Fittipaldi na F1, selada com um quarto lugar no GP dos Estados Unidos no dia 6 de outubro de 1974 — justamente em Watkins Glen, pista na qual o ‘Rato’ conquistara, quatro anos antes, a primeira vitória na F1.

Aquele foi, também, o primeiro duelo direto entre McLaren e Ferrari por uma taça, algo que se repetiria muitas vezes na história. As batalhas mais clássicas são as de 1976, com James Hunt derrotando Niki Lauda, de 1990, com Ayrton Senna batendo Alain Prost, e e em 2007 e 2008, anos em que Kimi Räikkönen e Lewis Hamilton foram campeões mundiais.

Relacionadas

Fittipaldi trocou a Lotus pela McLaren para a temporada 1974. Apesar dos anos de sucesso na escuderia de Colin Chapman, uma desavença na reta final do campeonato de 1973 o levou à mudança. Emerson esperava uma ordem de equipe para que Ronnie Peterson, seu companheiro de equipe, o deixasse passar no GP da Itália — ordem que nunca foi dada.

Na McLaren, fundada pelo já falecido Bruce McLaren e comandada por Teddy Mayer, Fittipaldi presenciou também o início da histórica parceria com a Marlboro. O ano de 1974 foi o primeiro em que o carro do time ostentou a famosa pintura vermelha e branca, remetendo às caixas de cigarro.

Grandes Entrevistas: Emerson Fittipaldi
Fittipaldi trocou a Lotus de Colin Chapman pela McLaren em 1974 (Foto: Getty Images)

Após a mudança, rapidamente se sentiu em casa. “O neozelandês tem o mesmo espírito do brasileiro quando chega na Europa: você está longe de casa e quer focar para acertar tudo. Na equipe, entre eles, todo mundo ajuda muito. Como equipe, era espetacular”, lembra.

Os principais adversários ao longo do ano foram Clay Regazzoni e Niki Lauda, que também chegaram à Ferrari em 1974. E o austríaco fez uma ótima primeira parte de campeonato, saindo do GP da Inglaterra, 10ª das 15 etapas, como líder. Porém, ficou fora dos pontos em todas as provas restantes e, assim, abriu caminho para a ascensão de Fittipaldi e Regazzoni.

Àquela altura, o suíço ainda não tinha vencido nenhuma vez — ganhou só o GP da Alemanha, 11ª etapa. O brasileiro, por sua vez, ganhara no Brasil e na Espanha. E venceria, ainda, o GP do Canadá, penúltimo do calendário.

Na chegada a Watkins Glen para a prova decisiva, eles estavam empatados com 52 pontos. Basicamente, quem chegasse à frente seria campeão, ao passo que Jody Scheckter corria por fora com a Tyrrell.

Nenhum dos três, contudo, fez uma boa prova de classificação. Carlos Reutemann colocou a Brabham na pole-position e liderou de ponta a ponta. Hunt largou em segundo com a Hesketh se manteve nessa posição durante a maior parte da prova, até ser superado no fim por José Carlos Pace, que completou a dobradinha da Brabham.

Estreia de Fittipaldi na McLaren aconteceu no GP da Argentina (Foto: Getty Images)

Scheckter saiu em sexto, Fittipaldi em oitavo e Regazzoni em nono. O suíço, porém, rapidamente se mostrou carta fora do baralho: sem um rendimento minimamente decente da Ferrari, arrastou-se pela pista e terminou com quatro voltas de atraso em relação ao líder.

O ‘Rato’ pulou para sexto na primeira volta e permaneceu ali por um bom tempo, sempre atrás de Scheckter, até ganhar duas posições com os abandonos do sul-africano e de Lauda e cruzar a linha de chegada em quarto. Os três pontos bastaram para que o campeonato fosse matematicamente assegurado.

A festa, contudo, foi ofuscada pela notícia da morte do austríaco Helmuth Koinigg em um acidente na décima volta. Ele perdeu o controle do carro depois que um pneu estourou e bateu com violência contra o guard-rail. Helmuth foi decapitado na batida.

Fittipaldi tornou a enfrentar a Ferrari no ano seguinte, terminando o campeonato derrotado por Lauda. Ao final de 1975, decidiu, então, abandonar uma das melhores equipes do grid para se dedicar ao sonho de fazer uma equipe brasileira vingar no Mundial de F1 — a Copersucar, chefiada por seu irmão, Wilsinho.

Sem o bicampeão, a McLaren contratou Hunt e conquistou o segundo título de sua história, em 1976, contra o mesmo Lauda, que anos mais tarde se tornaria um aliado: deu ao time o terceiro campeonato, em 1984. As demais taças foram levantadas por Prost (1985, 1986 e 1989), Senna (1988, 1990 e 1991), Mika Häkkinen (1998 e 1999) e Lewis Hamilton (2008).

1974 também marcou o primeiro triunfo da McLaren no Mundial de Construtores. A escuderia voltaria a celebrar tal feito em 1984, 1985, 1988, 1989, 1990, 1991 e 1998.

Blog A Mil por Hora, por Rodrigo Mattar
OS 40 ANOS DO BI
 
Parte I: GP da Argentina
Parte II: GP do Brasil
Parte III: GP da África do Sul
Parte IV: GP da Espanha
Parte V: GP da Bélgica
Parte VI: GP de Mônaco
Parte VII: GP da Suécia
Parte VIII: GP da Holanda
Parte IX: GP da França
Parte X: GP da Inglaterra
Parte XI: GP da Alemanha
Parte XII: GP da Áustria
Parte XIII: GP da Itália
Parte XIV: GP do Canadá
Parte XV: GP dos EUA
Emerson Fittipaldi foi campeão com a McLaren já em seu primeiro ano no time (Foto: Getty Images)

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!