Vítima de falha na Argentina, Redding fala em pneu “caindo aos pedaços” em Jerez e reconhece: “Fiquei preocupado”

Scott Redding não poupou detalhes na hora de relatar os problemas que enfrentou em Jerez de la Frontera com o desgaste dos pneus Michelin. O britânico admitiu ter ficado preocupado durante a corrida e contou que, ao fim da disputa, faltavam pedaços em seus compostos

 
De acordo com o piloto da Pramac, as 27 voltas da corrida foram uma batalha contra a falta de tração e trouxeram de volta memórias do que aconteceu na Argentina. Em Termas de Río Hondo, o pneu traseiro do britânico soltou uma lâmina de borracha durante um dos treinos.
Scott Redding não ficou nada satisfeito com os pneus em Jerez (Foto: Pramac)
A classificação da MotoGP após o GP da Espanha

Após uma análise, a Michelin concluiu que inúmeros fatores contribuíram para o problema que afetou o calçado da Desmosedici de Scott e, por isso, decidiu abandonar a construção mais macia e seguir apenas com compostos de estrutura mais rígida.

 
Um dos quatro pilotos que foi para a pista com pneu traseiro macio — junto com Pol Espargaró, Héctor Barberá e Bradley Smith —, Redding garante que não fez a escolha errada, mas contou que sentiu que havia algo estranho com o composto.
 
“Não foi a escolha errada”, garantiu. “O pneu estava caindo aos pedaços. Eu provavelmente não deveria dizer isso, mas é a verdade e isso me custou outra corrida”, continuou.
 
“O problema foi que eu senti que tinha alguma coisa errada e eu não queria continuar forçando até que acontecesse a mesma coisa da Argentina. Nós checamos o pneu e ele começou a delaminar, formar bolhas e saíram pedaços”, contou. “Então nós precisamos arrumar alguma coisa ou eles precisam arrumar alguma coisa. Simplesmente não funcionou desde a largada e ficou cada vez pior. Ele patinava de forma bem agressiva, mas o que eu mais senti foi que, mesmo na reta, estava patinando. Em quinta marcha, ainda estava patinando”, frisou.
 
O piloto da Pramac reconheceu que ficou assustado com a situação, mas decidiu dar à Michelin o benefício da dúvida.
 
“Quando eu saía das curvas lentas e carregava o pneu, sentia que o pneu estava esmagando, quase como se o aro estivesse tocando o pneu. Então quando eu vi o estado do pneu — tinham peças batendo, faltando, batendo, faltando”, relatou. “Eu fiquei preocupado. Não vou mentir. Nas duas curvas mais rápidas aqui eu podia sentir patinando e sabia que isso não seria bom”, comentou.
 
“Mas eu dei o benefício da dúvida e fui até o fim, e ficou inteiro. Têm pedaços faltando. Mas, honestamente, não acho que teria durado mais cinco voltas”, ponderou.
 
Além disso, Redding acredita que foi o maior prejudicado com as mudanças feitas pela Michelin após o incidente da Argentina.
Scott Redding fechou o GP da Espanha em 19º (Foto: Pramac)
“Eles fizeram uma grande mudança que, para ser honesto, nos afetou mais. A Ducati está com dificuldades, mas os outros caras conseguem encontrar alguma coisa em algum lugar. Então precisamos tentar descobrir alguma coisa na moto”, indicou. “Mas, sabe, tinham outros caras que estavam patinando muito mais e nós passamos o fim de semana todo tentando resolver isso com a eletrônica e o estilo de pilotagem. Eu não ousaria pensar no que teria acontecido se não tivéssemos feito isso”, falou.
 
“Não estou só culpando o pneu, mas não tinha nada que eu pudesse fazer. Nós precisamos sentar [com a Michelin] e a Ducati e decidir o que fazer para seguir adiante”, considerou.
 
Ao site britânico ‘Crash.net’, um porta-voz da Michelin reconheceu que tinham alguns rasgos no pneu de Redding, mas nada além do esperado para uma corrida de 27 voltas em uma pista que atingiu os 40°C.
 
“Tinham alguns rasgos no pneu de Scott. Nada muito maior do que uma moeda e o desgaste do pneu não foi mais extremo do que vimos no pneu com que Marc Márquez venceu em Austin”, comparou. “No que nos diz respeito, não houve um problema de segurança com o pneu e o desgaste era o esperado depois de 27 voltas em mais de 40°C neste circuito com o pneu macio”, avaliou.
 
“Em relação à perda de tração em linha reta, algo que Jorge também mencionou, é uma coisa que precisamos avaliar. Por exemplo, pode ter sido uma amalgama da pista — pois os pilotos disseram durante todo o fim de semana que tinha muito pouca aderência — e o aumento da temperatura no dia da corrida. Mas, de qualquer jeito, é algo com que temos de aprender”, ponderou. “Uma coisa bastante positiva deste fim de semana é que trouxemos cinco diferentes pneus para cá — todos foram usados na corrida, em várias combinações, e, infelizmente, Álvaro [Bautista] caiu, mas ele foi o único a cair. E quando você compara isso com a Moto2 e a Moto3, é um bom indicativo do quão bem os pneus funcionaram”, concluiu.
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