Lorenzo prevê ano de “mais erros” na MotoGP e avalia: “Podemos ver muito mais quedas de todos os pilotos”

Jorge Lorenzo avaliou que, com a chegada da Michelin para substituir a Bridgestone, os pilotos devem cometer mais erros ao longo de 2016 e, assim, sofrerem mais quedas

As primeiras três corridas da temporada 2016 da MotoGP registraram um aumento no número de quedas em relação ao ano anterior. Em 2015, as provas de Catar, Estados Unidos e Argentina trouxeram um total de dez tombos, com esse número saltando para 15 neste ano. Um aumento, portanto, de 50%.
 
Nesse cenário, os pilotos apontam para a mudança dos pneus como causa provável para parte dessas quedas, já que a nova borracha, especialmente a dianteira, é menos indulgente que os compostos Bridgestone.
Jorge Lorenzo avaliou que 2016 deve ser um ano de mais erros e quedas (Foto: Yamaha)
A classificação da MotoGP após o GP das Américas

Após o GP das Américas, que registrou um total de cinco quedas, inclusive de Valentino Rossi, que encerrou um jejum de 560 dias sem cair em corridas, Jorge Lorenzo avaliou que 2016 será mesmo um ano de mais erros.

 
“Este ano, provavelmente, veremos mais erros do que nos últimos quatro ou cinco anos”, avaliou. “Agora que nós caímos na Argentina, o mais importante é não cair mais e tentar reduzir o atraso para Marc [Márquez] nas próximas corridas”, continuou. 
 
Critico dos pneus Michelin desde o início dos testes, Jorge lembrou que os pilotos seguem sem saber a causa dos acidentes de Loris Baz e Scott Redding na Malásia e na Argentina, respectivamente, e afirmou que é difícil ganhar confiança com os novos calçados.
 
“Nós estávamos um pouco assustados para ver como esses novos pneus que a Michelin trouxe para cá seriam em comparação com o outro, mas nós vimos que talvez seja necessário um pouco mais de tempo para aquecê-los e, no final, não foi muito diferente”, avaliou. “Mas nós ainda não sabemos as razões pelas quais, em Sepang e na Argentina, algumas Ducati, motos não oficiais, tiveram problemas”, citou. 
 
“Mas, obviamente, a Michelin acha que com estes pneus os pilotos estão mais seguros para seguir na pista com estas condições. Nós temos de aceitar e tentar trabalhar com esses pneus”, comentou.
 
De acordo com o piloto da Yamaha, a característica dos pneus Bridgestone permitia que os competidores salvassem quedas quando perdiam a frente da moto, o que não acontece com os Michelin.
 
“Nós vimos muitas quedas com a frente, obviamente a Michelin melhora a frente cada vez mais e mais, mas nós ainda não temos a mesma confiança dos últimos anos, quando, às vezes, se você perdesse a frente, você podia evitar a queda”, indicou. “Agora, se você perde a frente, tem muito mais chance de você cair e este é o próximo passo para melhorar. Com este pneu dianteiro, a gama de performance é muito pequena. Com o tanque vazio talvez esteja funcionando bem, mas o tanque cheio, fica travando”, explicou.
 
“Se você usa um traseiro mais macio, a frente trava menos do que se você tem um duro, então você tem de entender bem as condições e tem de estar no controle de todas essas pequenas coisas”, ponderou. 
 
Além disso, Lorenzo reconheceu que poderia ter evitado a queda na Argentina se tivesse sido mais paciente. 
 
“Provavelmente, com mais paciência, eu teria terminado no pódio com a queda de [Maverick] Viñales e das duas Ducati, mas eu não tive paciência. Talvez eu esteja acostumado com a condição anterior, quando eu nunca caía, mas eu precisava ter sido um pouco mais cuidadoso para ficar na moto e agora eu me arrependo um pouco disso”, admitiu. “Não posso mudar isso e, como vimos hoje, podemos ver muito mais quedas de todos os pilotos”, encerrou.
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