Pouco a pouco, detalhes e mais nomes citados no ‘Panama Papers’ estão vindo à tona. No último domingo (3), foram vazados mais de 11 milhões de documentos ligados ao escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca. Grandes nomes da política, cultura e esporte mundiais estão no olho do furacão desta ponte que ainda verá muita água rolar nos próximos dias e meses. Inclusive nomes bem conhecidos do público da F1. Depois da
divulgação do envolvimento de Luca di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari, e Jarno Trulli, ex-piloto de times como Prost, Renault e Caterham, foi a vez de ninguém menos que o líder da temporada 2016, Nico Rosberg, ser citado no caso.
Segundo informa a emissora pública alemã NDR, endossada pelo diário local ‘Bild’, Rosberg se beneficiou de uma empresa de fachada baseada nas Ilhas Virgens Britânicas. O objeto do acordo seria a gestão do seu contrato com a Mercedes, ainda que mais detalhes sobre o assunto não foram divulgados.
O nome de Nico Rosberg também aparece nos documentos do 'Panama Papers' (Foto: Getty Images)
O jornal ‘Bild’ informa que a assessoria de imprensa de Rosberg preferiu não se pronunciar, enquanto seu advogado disse ao jornal francês ‘L’Équipe’ que trata-se de um assunto privado. Já a Daimler, empresa dona da Mercedes, fez menção à confidencialidade dos seus negócios para negar abertamente que a empresa está registrada sob sua propriedade ou mesmo da Mercedes.
A NDR diz em reportagem que o acordo de Rosberg é, na verdade, um contrato entre a Mercedes e uma empresa chamada Ambitious Group Limited, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. Contudo, a ARD, emissora pública alemã, afirma que os documentos relacionados a Rosberg e à Mercedes não indicam que nenhuma das partes fez nada de ilegal.
A Mossack Fonseca trabalha junto a alguns dos maiores bancos do mundo na administração de ativos offshore de clientes. Empresas offshore são aquelas situadas legalmente em um país diferente de seus associados, por isso comumente utilizadas para o estabelecimento de negócios nos chamados paraísos fiscais. Mas o que deixa o grande ponto de interrogação sobre o escritório panamenho é a fama da criação em paraísos fiscais de empresas que não praticam qualquer atividade senão a de fuga de seus associados das cargas de tributação de seus países de origem. Em outras palavras, a Mossack Fonseca tem atuado desde os anos 1970 para que os empresários soneguem impostos.
Os mais de 11 milhões de documentos mostram dados financeiros de mais de 200 mil companhias. A ligação de Montezemolo, presidente da Ferrari por mais de 20 anos até o final de 2014, são contratos assinados em 2007 como advogado do escritório de advocacia Lenville. O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos – ICIJ – suspeita que se trata de uma sociedade por meio da qual Montezemolo opera uma conta na Suíça. Ao jornal italiano L'Espresso, ele nega. "Não conheço este escritório de advocacia", disse.
Piloto de 252 largadas pela F1 e uma vitória, Trulli, por sua vez, aparece como acionista de uma certa Baker Street S.A., uma sociedade registrada em outro famoso paraíso fiscal, as Ilhas Seichelles. Claro, criada com ajuda da Mossack Fonseca. Jarno, aliás, apesar de italiano de Pescara, vive há muitos anos em Lugano, na Suíça.
A história foi divulgada primeiramente pelo jornal alemão 'Sueddeutsche Zeitung' e distribuída pelo mundo pelas organizações de imprensa que possuem vínculo com o ICIJ. Os vazamentos colocaram em apuros os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da Ucrânia, Petro Poroshenko, e da Argentina, Maurício Macri, bem como o diretor de cinema espanhol Pedro Almodóvar, o jogador de futebol argentino Lionel Messi e representou ainda mais uma acusação para que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, tenha de lidar – ele rapidamente negou envolvimento pelo seu Twitter.
São apenas alguns dos muitos nomes envolvidos. E é apenas o início dos nomes, tudo indica, já que os documentos vazados vão de 1977 até o final de 2015, quebrando as cercas de uma das maiores especialistas internacionais em evasão de divisas.
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