KTM acusa Honda de exceder limite de rotações do motor em 2015 e provoca escândalo no Mundial da Moto3

Diretor da divisão de esporte a motor da KTM, Pit Beirer acusou a Honda de ter excedido o limite de RPM dos motores da Moto3 na temporada 2015. A fábrica austríaca perdeu o título dos construtores do ano passado por uma diferença de 70 pontos, mas viu Danny Kent conquistar o Mundial com seis pontos de margem para Miguel Oliveira

Polêmica não é uma exclusividade da MotoGP no Mundial de Motovelocidade. Diretor da divisão de esporte a motor da KTM, Pit Beirer acusou a Honda de exceder o limite de rotações em seus motores na temporada 2015.
 
Em entrevista à publicação germânica ‘Speedweek’, Beirer afirmou que as NSF250RW atingiam pontualmente 13.600 RPM, enquanto o regulamento determina um máximo de 13.500 RPM. Segundo o dirigente, as motos da Honda superavam o limite regulamentar especialmente em quinta e sexta margem.
Pit Beirer acusou a Honda de violar regulamento da Moto3 (Foto: KTM)
Pit afirmou que a KTM acreditava na retidão da Honda, mas as dúvidas em relação ao campeonato passado surgiram recentemente, após alguns pilotos que anteriormente guiavam a Honda se queixarem da performance da RC250GP. 
 
“Sim, é um fato que a Honda ultrapassou os limites”, disse Beirer. “Nós agora temos alguns pilotos na Moto3 que mudaram da Honda para a KTM. Quando eles subiram pela primeira vez na nossa moto, eles se queixaram que o nosso limitador de velocidade opera de modo tão inflexível que quando atinge 13.500 RPM, ele para abruptamente. Que isso era muito mais confortável com os motores Honda, onde ouviam o motor sendo acionado gentilmente, aumentando o limite de rotações ”, contou.
 
O dirigente afirma que avaliou a performance da Honda e concluiu que as motos nipônicas podem chegar às 13.600 RPM.
 
“Estudamos detalhadamente a telemetria da Honda e vimos que, repetidamente, em quinta e sexta, eles podem alcançar as 13.600 RPM na reta”, acusou. “Alguns pilotos sugeriram que a gente copiasse esse sistema, mas isso seria enganar os outros, seria um absurdo. Se existe um limite de rotações, ele deve ser respeitado”, defendeu.
 
Desde o início da era da Moto3, em 2012, a KTM foi a montadora mais bem sucedida, conquistando o Mundial de Construtores três anos seguidos — 2012, 2013 e 2014. Ano passado, os austríacos foram derrotados pela Honda por uma diferença de 70 pontos.
 
Na disputa entre os pilotos, a KTM venceu com Sandro Cortese e Maverick Viñales nos dois primeiros anos, mas foi derrotada nas últimas duas temporadas, primeiro por Álex Márquez e, no ano passado, por Danny Kent.
 
Em 2015, Kent teve uma atuação impressionante na primeira metade da temporada, mas perdeu consistência no restante do ano, ao passo que Miguel Oliveira só fez crescer. No fim das contas, o britânico ficou com o título por uma diferença de seis pontos.
 
Questionado se essas 100 RPM fariam diferença, Beirer ponderou: “Todo mundo lembra das lutas nas longas retas no Mundial de Moto3, onde muitas vezes nós nos questionávamos o que estávamos fazendo de errado ao ver a Honda ultrapassar as nossas KTM. Com uma máquina como a Moto3, 100 RPM a mais pode ser útil. Em um campeonato como o da Moto3, em que no ano passado nós ficamos com 254 pontos contra 260 da Honda, qualquer mínima coisa pode ser crucial”.
 
Ainda de acordo com Beirer, a Dorna, promotora do Mundial, e a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) já foram informadas da situação, mas não deram um retorno à KTM. 
De acordo com a lista de inscritos divulgada no fim do ano passado, entre os pilotos do grid de 2015, apenas Fabio Quartararo e Andrea Locatelli trocaram a Honda pela KTM. Os dois pilotos vão guiar pela Kiefer em 2016, a mesma equipe que foi campeã com Kent no ano passado e que usava a NSF250RW.
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