Buenos Aires recebe a quarta etapa do campeonato da F-E na temporada 2015/16 com algumas certezas. Uma delas, o favoritismo retumbante da e.dams. É claro que neste ponto não se trata de alguma especificidade da pista de rua argentina, mas um denominador comum no ano até que alguém prove o contrário. Só que é o retorno do local da
prova mais insana da história do campeonato – e isso diz muito.
Um ano atrás, mesmo ainda durante um período complicado do calendário para grandes eventos – 10 de janeiro -, a prova em Puerto Madero contou com arquibancadas lotadas. O público argentino é apaixonado pelo automobilismo e não recebia uma categoria como a F-E em anos. Este ano, então, em fevereiro, não espere algo diferente que muita gente e barulho.
No ano passado, o que acabou acontecendo foi uma corrida para ficar na história. Em não mais que 25 minutos, líderes e substitutos prováveis foram ficando pelos cantos. Primeiro, Sébastien Buemi liderava e atropelou uma zebra e quebrou a suspensão. Depois, Lucas Di Grassi era o ponteiro e também teve uma suspensão quebrada – embora sem culpa do piloto, é verdade. Nick Heidfeld, que vinha na segunda posição atrás de Di Grassi e tinha tudo para assumir a ponta, foi punido por ter se apressado nos boxes. E Sam Bird, que estava atrás dos dois, também acabou punido por não respeitar as luzes vermelhas na saída do pit-lane.
A arrebentação organizada fez a vitória cair na mão da Aguri e de António Félix da Costa. E mesmo o português, caminhando para vencer, quase foi abalroado por Jean-Éric Vergne nos momentos finais.
António Félix da Costa no pódio em Buenos Aires (Foto: Getty Images)
O circuito argentino é um dos favoritos dos pilotos. Na real, as duas provas sul-americanas são bem queridas. São 2,4 km e 12 curvas que beiram o Rio da Prata e variam entre alta, média e baixa velocidade. Um traçado interessante e que exige a parte técnica dos pilotos durante toda a volta. As curvas travadas, como há de se esperar em um circuito de rua, ali estão, mas a curva mais veloz pede uma velocidade máxima de cerca de 170 km/h.
No que diz respeito à competitividade, a e.dams – Buemi, especificamente – sai na frente, sim, mas Di Grassi é bem afeito a pistas deste tipo. Com a regularidade que o piloto da Audi ABT tem mostrado novamente nesta segunda temporada – e a ciência de que é a única chance de bater o suíço -, é seguro apostar que Lucas não vai escapar do que foi visto nas primeiras corridas.
Quem pode ser a Vila Isabel de 2006 (ou a surpresa do dia)?
Mas há mais o que se notar, ainda que seja atrás da briga pela vitória. Primeiro, a Virgin tem encontrado uma forma de contornar o problema sério que tem com o peso do carro de dois motores. Os
resultados em Punta del Este podem não sublinhar a quem olha apenas para eles, mas o desempenho de Sam Bird e Vergne é claramente superior ao que se viu em Pequim, por exemplo. É o mínimo que se espera, também quando uma montadora como a Citroën resolve entrar num campeonato deste porte.
Karun Chandhok na dianteira do pelotão da prova do ano passado em Buenos Aires (Foto: Getty Images)
Na saída do recuo
Ainda não está claro se Heidfeld poderá voltar em Buenos Aires, mas tudo leva a crer que sim. Caso o alemão não possa, a Mahindra talvez tenha algum problema para escalar um substituto a fazer parceria com Bruno Senna, exatamente por causa da nova situação de Rowland com a marca francesa.
Fora isso, as trocas aconteceram na Aguri e na Venturi. O campeão mundial de F1 e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Jacques Villeneuve, não volta para o cockpit monegasco. O canadense, sempre pavio curto, deixou claro que o
estresse ficou grande demais na equipe após os primeiros resultados e a
batida de Punta.
Jacques Villeneuve encerrou a passagem pela F-E no muro (Foto: Reprodução/Twitter)
O mexicano está longe de ser o pior piloto possível, mas mostra uma certa falta de aspirações por parte da esquadra. Fechar com um piloto mediano e de teto limitado só porque já conhece a casa é um atestado de falta de aspirações para um time que tem em Félix da Costa seu grande piloto – e com razão, já que o português é um belo piloto. Talvez a Aguri pudesse ter olhado para alguém como Mathieu Vaxivière, francês vice-campeão da última temporada da World Series, apenas 21 anos e que tem um teto muito mais alto que Durán. Enfim, o que está feito já foi.
A previsão do tempo é que esteja bem calor em Buenos Aires, além de úmido: sempre uma combinação perigosa sobretudo para os carros. Com a apoteose da temporada inicial em mente, é bom que ninguém tire os olhos do desfile dos carros elétricos no sábado momesco.
VEJA A EDIÇÃO #15 DO PADDOCK GP, COM LUCAS DI GRASSI
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