Fã da música brasileira, chefe-adjunto da Lotus crava venda para Renault: “Anúncio é mera formalidade”

Federico Gastaldi, chefe-adjunto da Lotus, um argentino com grande carinho pela cultura brasileira - especialmente no que diz respeito à música - também toma decisões pelos lados de Enstone. E sabe de muitas delas. Sabe o suficiente para cravar que uma confirmação do negócio entre Lotus e Renault está por vir

Faltava Federico Gastaldi, o chefe-adjunto da Lotus, confirmar com todas as palavras que a Renault vai assumir a fábrica de Enstone em 2016? Bem, não falta mais. Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, Gastaldi confirmou: falta apenas assinar. 
 
O chefe contou que a Renault já está trabalhando em vias de acertar a equipe para o ano que vem. Após o GP da Itália, as duas partes se encontraram e se acertaram. Hoje, já trabalham juntas. 
 
“O projeto da Renault é firme. Eles já estão trabalhando nisso há muitos meses. Depois de Monza, o senhor Ghosn [presidente da montadora gaulesa] e o conselho da Renault decidiram ir adiante para oficializar isso. E já estão trabalhando para o ano que vem. Então com a entrada da Renault vai ser mais fácil. Já temos gente deles na parte técnica, administrativa, marketing e comercial trabalhando em Enstone na semana depois de Cingapura", disse.
 
Também abordada a fundo por Gastaldi foi o desenrolar do projeto da Lotus pela Genii desde que o grupo de consultoria financeira assumiu, em 2012, a equipe que um dia foi Renault F1 – e antes disso, Benetton. E foi aí que o argentino confirmou: falta apenas a assinatura para que o projeto Lotus se encerre e faça a Renault voltar a Enstone para dar as cartas.
 
“A verdade é que o nosso projeto começou muito bem quando a Genii Capital comprou a Renault e depois se complicou quando Robert Kubica sofreu o acidente e tivemos de mudar tudo. Havia um programa muito claro e tivemos de seguir em frente, mas depois do acidente de Kubica, infelizmente tivemos de mudar tudo o que havíamos planejado. Tivemos Nick Heidfeld, tivemos Bruno Senna, então entraram Kimi Räikkonen e Romain, que havia sido campeão da GP2 com a Dams e subimos com ele. Então, nos anos de 2012 e 2013 foram muito bons com Kimi, Romain e com a Renault”, contou. 
Räikkönen, de fato, teve bons dias para a Lotus (Foto: Lotus/LAT)
“Até que tivemos a mudança do regulamento dos motores e passamos a ter queda no nível dos resultados. Mas graças a Deus, voltamos com a Renault com um novo projeto e com muita expectativa de buscar o melhor. E a Renault dispensa apresentações”, confessou.
 
“O anúncio depende da Renault, não depende de nós. É mera formalidade. São eles quem têm de decidir, como e onde. A Renault é uma empresa multinacional, uma das montadoras mais importantes do mundo e obviamente nós, como empresa esportiva, não vamos ficar controlando o tempo disso, então fica por conta deles, quando e onde [fazer o anúncio]”, abriu.
 
E assegurou que quer permanecer em seu cargo quando a fábrica de Viry-Chatillòn tomar novo controle da escuderia.
 
“Na verdade, eu gostaria muito de ficar. Eles me ofereceram [uma proposta para] ficar, e para mim seria uma grande honra. Há muitos anos que estou presente de diferentes formas em Enstone, seja trabalhando com a Benetton, depois trabalhando com a Renault na F1, então conheço muita gente que está na equipe. Para mim, é uma família, então seria uma honra ficar. Vamos nos reunir ao fim da temporada e ver como vamos acertar. Mas seria uma honra permanecer”, garantiu.
 
Uma das primeiras notícias que a Renault recebeu da parte da Lotus, no entanto, foi a de que Romain Grosjean não estará junto para ser um piloto francês na equipe que vai andar sob a bandeira da França. Em seu lugar, Jolyon Palmer, campeão da GP2 em 2014. Ao lado, apesar de duas péssimas temporadas, Pastor Maldonado.
Federico Gastaldi e Pastor Maldonado (Foto: Lotus/Facebook)
"Romain, como você sabe, foi parte da família de Enstone por muitos anos. Ele foi trazido pela Genii Capital, Gravity, Gerard López desde jovem, ganhou a GP2 com a Dams, chegou à F1 e fez um trabalho fantástico. Para mim, me surpreendeu que ele tenha saído, mas ao mesmo tempo eu entendo que para ele é positivo mudar de equipe", avaliou. 
 
"Ele esteve nesta equipe na época da Renault, depois nos tempos de GP2 e da Genii. A mim, pessoalmente, claro que não fiquei totalmente feliz porque ele, repito, é parte da nossa família. Por outro lado, já conhecemos bem Jolyon, conhecemos seu pai… é um piloto excelente e muito inteligente dentro e fora da pista", elogiou. 
 
"Se nós dermos um grande carro, certamente ele fará um bom trabalho. Estamos na expectativa para que Jolyon tenha sua oportunidade, enquanto Pastor também já é parte da nossa família. Vou te dizer o que muita gente não sabe. Quando assumimos o controle da equipe, nós queríamos Robert Kubica e Pastor Maldonado, mas a Williams se adiantou e contratou Pastor. Eles vieram mais rápido e, por uma questão de horas, não tivemos Pastor ao lado de Kubica", lamentou.
 
O que Gastaldi não fez foi negar o mais óbvio: 2015 foi um pesadelo para a Lotus em tudo que se pode considerar fora da pista. Enquanto o carro foi bem melhor que no ano passado, as situações legal e financeira foram de muita dor de cabeça.
 
“É verdade. Foi um ano muito desafiador para nós. Na verdade, foi um ano bastante complicado. Um desafio importante para toda a equipe, para o pessoal na fábrica em Enstone, para os pilotos, também para os donos da equipe… agora estamos numa situação em que está chegando a Renault, então estamos pensando no projeto com a Renault de volta para casa”, admitiu.
Ano estranho, o da Lotus em 2015 (Foto: AP)
Ainda ao GP, confirmou que o ex-chefe da Renault, Bob Bell, deverá voltar ao time no próximo ano. Espera-se que para o cargo de diretor-técnico.
 
“Bob Bell? Provavelmente, sim. Ele também fez parte da família Renault em Enstone por muitos anos, é um profissional querido, então é bem possível que sim. É uma ferramenta positiva que nos conhece muito bem, conhece bem nosso trabalho, é muito honesto”, falou.
 
Por fim, argentino que é, Gastaldi também falou de sua ligação com o Brasil. Ele levou a conversa para os grandes nomes do automobilismo e a rivalidade no futebol, mas ficou claro que o que mais gosta nestas terras tupiniquins é a música. E nem por conta apenas da vinda ao maior festival de música já realizado por aqui, mas também por saber contar tantas figuras do cancioneiro popular brasileiro.
 
“Para mim, obviamente que os brasileiros são irmãos. A cultura do Brasil, a música brasileira… gosto de Toquinho… quando era pequeno, escutava Roberto Carlos com minha avó, Caetano Veloso, Tom Jobim. Depois, Paralamas do Sucesso. Gosto muito. Vim para o Rock in Rio em 1985, então gosto muito da música brasileira desde pequeno, gosto muito daqui", falou. 
 
"Na Argentina, há muito da cultura brasileira, gente que fala português. E fora que o automobilismo é muito lembrado: Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna, que são lembrados assim como nosso Fangio. Então temos uma ligação natural. Tem o futebol, somos competitivos, mas somos irmãos”, encerrou.
 

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Posted by Grande Prêmio on Quinta, 12 de novembro de 2015

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