Opinião GP: Não importa o quão distante, Ferrari põe cor (vermelha) e esquenta temporada ao incomodar Mercedes

A questão não é pontuar o quanto falta para a Ferrari chegar de vez na Mercedes, mas apontar que o campeonato de 2015 ganhou cor – a vermelha – com a Ferrari, que soube fazer o dever de casa, fez-se equipe novamente e tem dois pilotos em perfeita sintonia refeitos de um ano ruim. A Ferrari, assim, tira a F1 do marasmo prenunciado

FOI ASSIM: há pouco mais de um mês, Lewis Hamilton cruzou a linha de chegada no Albert Park para vencer o GP da Austrália, e 34s depois surgiu Sebastian Vettel, fazendo a estreia na Ferrari com a terceira colocação. Naquele exato momento, o pensamento geral foi: acabou. A Mercedes vai levar de barbada de novo e ninguém vai se meter ali entre os prateados, que novamente vão protagonizar uma batalha feroz pelo título, ainda que a atuação do alemão Nico Rosberg em Melbourne tenha sido um pouco mais comedida do que em outras ocasiões.

Agora, três corridas mais tarde e com o GP do Bahrein na conta, a impressão ainda é a de que a esquadra comandada por Toto Wolff possui o melhor carro, e isso é amplamente evidenciado na classificação. Mas a regra que coloca dois pneus diferentes equipara a disputa na corrida. Isso porque a Ferrari foi lá fez um carro que trata muito bem dos pneus — antigamente uma de suas maiores preocupações.

Neste mesmo ponto no ano passado, o time de Maranello tinha apenas 52 pontos e vinha na quarta colocação, enquanto a Mercedes já somava 154 pontos e quatro vitórias. Agora, a diferença entre as duas primeiras colocadas no Mundial é de 52 pontos — pouco menos da metade da diferença do último ano.

A Ferrari colocou fogo na temporada 2015 da F1 (Foto: AP)

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A Ferrari, de fato, cresceu em 2015. Depois de uma temporada apagada e marcada por decisões atrapalhadas, a equipe italiana decidiu se refazer e promoveu uma reestruturação sólida e bem pensada. A contratação de Sebastian Vettel e do chefe Maurizio Arrivabene são os alicerces mais firmes dessa ‘nova Ferrari’, e isso ficou bem claro no entusiasmo do sempre calado Kimi Räikkönen. "O ambiente na equipe é o melhor que eu já tive", disse.

Dono de uma personalidade dócil, o carismático comandante italiano deu liberdade aos seus funcionários, retirou a pressão dos ombros dos ferraristas ao evitar falar em resultados imediatos e conseguiu uma parceria das mais harmoniosas e competitivas do grid, ao combinar Vettel e Räikkönen na mesma garagem — uma sintonia que tem se mostrado perfeita.

A dupla, que vem de um ano igualmente apagado em 2014, se reencontrou agora, tirando todo o proveito de um ambiente bem menos tenso e mais leve, aliado a um bom e confiável carro. Quer dizer, tudo isso junto ajudou a colocar a Ferrari sob os holofotes de novo. A equipe italiana é a grande surpresa do campeonato e a única que pode azedar a salada de batatas dos alemães no momento.

Antiga segunda força do Mundial, a Williams decaiu muito de 2014 para 2015. Tentou mudar aonde perdia para a Mercedes, mas acabou comprometendo pontos fortes, como velocidade de reta. A operação continua o calcanhar de Aquiles dos ingleses, mas a questão é que, em corrida, a equipe de Grove não consegue chegar na Ferrari, tampouco na Mercedes. Em classificação, ainda se defende bem, mas, quando realmente importante, ainda dá mostras de que estagnou em algum momento entre o fim da temporada passada e o início desta.

Só que ninguém imaginaria que a esquadra vermelha fosse botar fogo e esquentar o campeonato de 2015 como vem fazendo. Antes da Malásia, onde venceu categoricamente com Vettel, a esquadra sequer era cogitada, mas, nesta semana, já estava no banco de apostas como também favorita à vitória em Sakhir – até Felipe Massa apontou para uma chance real de triunfo da antiga equipe.

A verdade é que, longe ou perto — a questão real nem é esta, quantificar a diferença —, em condições normais no fim de semana barenita, a Ferrari colocou seus dois carros entre as duas Mercedes. E isso não é pouco. É assustador para os prateados, mas altamente satisfatório para os fãs.

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