Bahrein critica Anistia Internacional e diz que relatório sobre direitos humanos oculta “avanços muito significativos”

Na esteira da divulgação de um extenso relatório por parte da ONG, que noticia violação permanente de direitos humanos no país, o governo barenita criticou o documento por entender que não evidencia esclarecimentos prestados pelas autoridades locais

Palco da quarta etapa da temporada 2015 do Mundial de F1, o Bahrein volta a ser o foco das atenções das entidades protetoras dos direitos humanos. Na última quinta-feira, a Anistia Internacional publicou um extenso relatório, dotado de 79 páginas, detalhando “violentos abusos” contra ativistas pacíficos e críticos do governo do rei Hamad bin Isa al-Khalifa, dono do máximo posto da monarquia barenita desde 2002. Entretanto, as autoridades do alto escalão do governo do Bahrein criticaram o relatório e sugeriram que o documento não reflete a realidade atual do país insular.

Chamado de ‘Por trás da retórica: abusos de direitos humanos no Bahrein continuam sem cessar”, o documento aponta que as autoridades locais não cumpriram a promessa de realização das reformas sociais necessárias para colocar fim à repressão por parte do Estado, ocorridas desde a eclosão do movimento chamado Primavera Árabe, que desencadeou manifestações populares em prol da democracia no norte da África e também em países do Oriente Médio. O GP do Bahrein de 2011 teve de ser cancelado semanas antes por motivos de segurança.

Protestos em prol da democracia no Bahrein ganharam corpo com a eclosão da Primavera Árabe, no fim de 2010 (Foto: Divulgação)

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“Poucos darão conta, ao olhar para o GP do Bahrein deste fim de semana, que a imagem internacional que as autoridades do país tentam projetar, de um Estado progressista e reformador, empenhado no respeito e cumprimento dos direitos humanos, não é mais do que uma máscara que esconde a sinistra realidade”, afirmou Said Boumedouha, vice-diretor do Programa do Oriente Médio e do Norte da África da Anistia Internacional.

“Quatro anos se passaram desde a revolta que abalou o Bahrein, a repressão é generalizada e os abusos violentos continuam a ser cometidos por parte das forças de segurança”, explicou Boumedouha. “As autoridades do Bahrein têm de dar provas concretas de que as promessas de reformas que fizeram são mais do que uma retórica vã”, defendeu.

De acordo com a Anistia Internacional, as autoridades locais continuam reprimindo os dissidentes, prendendo ativistas pacíficos e críticos do regime. Além disso, todos os protestos públicos estão proibidos em Manama há dois anos e os que são realizados fora da capital, são reprimidos com gás lacrimogêneo e tiros de espingardas de caça aos pássaros.

O relatório da ONG traz depoimentos de manifestantes presos e vítimas de violência por parte das forças policiais do Bahrein. Alguns alegam terem sido brutalmente espancados, inclusive acusando a polícia de agredi-los com o uso de um martelo.

No entanto, por meio de comunicado, o governo barenita disse que o relatório emitido pela Anistia Internacional é dotado de “deficiências significativas” e não evidenciam importantes esclarecimentos prestados pelas autoridades locais. O comunicado salienta que o relatório oculta “avanços muito significativos” obtidos para aprovação de reformas institucionais e legais nos últimos quatro anos.

Na sequência das respostas do governo do Bahrein à entidade, as autoridades acusam a Anistia Internacional de deturpar a posição do país sobre liberdade de opinião, expressão e reunião pacífica, alegando que tais direitos são protegidos pela Constituição e que “os mantém de forma robusta”, indicando também que não vai tolerar “ataques violentos ou incitação à violência cometida sobre o pretexto da liberdade de expressão e de protesto pacífico. É dever do governo proteger os cidadãos, residentes e estrangeiros, e o governo não faz apologia da violência”.

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