Fórmula 1 abre testes com Red Bull forte, Mercedes frágil e ‘centrão’ que surpreende

A Fórmula 1 abriu a pré-temporada no Bahrein e trouxe um cenário interessante. Ainda não há conclusões definitivas, mas já dá para entender que a Red Bull 2021 é mais forte, enquanto o grupo do meio segue acirrado

Charles Leclerc enfrenta dificuldades no primeiro dia de testes da F1 no Bahrein

No lugar do frio e da luz de Barcelona, a Fórmula 1 se deparou com o forte calor e muito areia do Bahrein, no primeiro dia de atividades da pré-temporada 2021. Os ventos fortes em Sakhir deixaram o piso muito sujo e tornaram ainda mais difícil a vida das equipes, que têm apenas três dias de preparação para o campeonato que começa por lá mesmo, em 28 de março. Apesar das condições adversas, todo mundo tentou aproveitar ao máximo o tempo de pista, nesta sexta-feira (12). E ainda que seja imprudente e um tento tentador concluir e determinar uma hierarquia de forças da F1, já é possível perceber que alguns times vão colher resultados melhores neste ano.

É caso da Red Bull. Embora esteja tratando tudo com muito cuidado, porque já esteve nessa condição antes, os taurinos mostraram força e consistência. Max Verstappen terminou o dia como acabou 2020. Ou seja, na frente. A velocidade não é o que chama mais atenção, mas, sim, a regularidade, o ritmo de corrida. Não é segredo algum que o time se esmerou desde o ano passado no desenvolvimento aerodinâmico e na potência. E hoje, ficou claro que a esquadra austríaca deu um passo à frente.

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Responsável pelos trabalhos com o RB16B, Verstappen percorreu 139 voltas sem qualquer problema ou queixa. O carro não parece mais tão arisco como aquele que começou a temporada passada. Max se mostrou muito confortável. “Tivemos um dia muito positivo e conseguimos andar bastante mesmo com as condições climáticas complicadas. Estava muito quente com bastante desgaste para os pneus, que é sempre grande aqui, então fico feliz com tudo que aconteceu”, disse o holandês.

Max Verstappen exibe capacete em Sakhir (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

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“O objetivo era ter esse número de voltas e, quando você consegue completar um programa cheio como o de hoje, a equipe fica agradecida pela quantidade de informações que trazemos.”

Há um clima bom, de fato, nas garagens taurinas, mas ainda há a Mercedes. A equipe alemã viveu um dia dos mais complexos. Diferentemente de outras sessões de testes, em que a esquadra esmagou os rivais com uma alta quilometragem e espantou com ótima confiabilidade, desta vez o começo foi tenso. Valtteri Bottas completou apenas seis voltas pela manhã, depois de uma quebra da caixa de câmbio, que “veio do nada”, segundo Toto Wolff, o chefe dos heptacampeões.

Com o problema, a esquadra se fechou nos boxes até a troca. Tempo perdido, em dia em que precisava já testar suas novidades, sobretudo o assoalho novo, que havia sido escondido a sete chaves. Coube a Lewis Hamilton, à tarde, levar o W12 a um teste propriamente dito. O atual campeão andou por 43 voltas e fez apenas o décimo tempo. O inglês enfrentou uma tempestade de areia ainda no início das ações, errou e escapou do traçado algumas vezes. A Mercedes ainda precisa de tempo.

Valtteri Bottas deu apenas seis voltas (Foto: Mercedes)

Chamou a atenção também o pelotão intermediário da F1, mesmo levando em conta o fato de que todo mundo andou com diferentes configurações de peso e motor. Ainda assim, é possível esperar desse grupo uma disputa apertadíssima. A McLaren teve um começo promissor. Daniel Ricciardo liderou pela manhã, enquanto Lando Norris apareceu em segundo à tarde. É bem verdade que não foi uma grande quilometragem de ambos, mas o foco esteve nos estudos das peças aerodinâmicas e o ritmo de corrida. Outro time que se apresentou bem foi a Alpine, nas mãos de Esteban Ocon.

O francês andou por 129 giros, sem problema algum. O carro parece ter um ritmo sólido e deve surpreender. Amanhã, Fernando Alonso assume e será interessante também obter as impressões do bicampeão de volta à F1. Quase na mesma toada, dá para colocar a AlphaTauri. Embora não apareça na frente na tabela de tempos, Pierre Gasly impressionou com um bom ritmo de ritmo. O AT02 tem identidade própria e já é candidato a um lugar nesse grupo central do grid.

A Aston Martin teve momentos distintos. Sebastian Vettel gostou do que viu, especialmente o desempenho do motor da Mercedes, mas acabou sofrendo com confiabilidade. Já Lance Stroll mostrou força com um desempenho concreto a tarde. A Ferrari, por sua vez, testou muito os elementos aerodinâmicos e toda a parte traseira do carro. Há velocidade, mas a confiabilidade parece ser uma questão ainda sem resposta.

A Alfa Romeo esbanjou a confiabilidade de sempre. Se o motor da Ferrari melhorar como promete, a equipe tende a deixar a lanterna do grid, que tem agora a Williams. A Haas, bem, a Haas tem muito o que fazer.

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