Albon aumenta teto da Williams e faz lição de casa ao ser protagonista

Piloto elevou nível do sarrafo na equipe de Grove e, com Latifi ao lado, evidentemente foi alçado ao protagonismo de maneira justa e rápida. Performances na Austrália e em Miami, além da extensão de contrato entre as partes, provam isso

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O carro da Williams é ruim, o pior do grid — já falamos extensivamente sobre isso. Por conta disso, não dá para encher a boca e dizer que a fase de Alex Albon na temporada de 2022 da Fórmula 1 é boa. Uma andorinha só não faz verão, pois. Mas dá sim para falar que o piloto faz, dos limões, limonada.

Não que assumir o posto de protagonista da equipe de Grove seja uma tarefa difícil, claro — não podemos nos esquecer que Nicholas Latifi é o companheiro de Albon. Ainda assim, o campeonato do tailandês — que se vira com o pouco que o FW44 entrega — é interessantíssimo, com pontos de brilho. E o conjunto da obra culmina em uma merecida extensão de contrato.

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Até aqui no ano, a Williams merecidamente ocupa a lanterninha do Mundial de Construtores, com somente três pontos somados. Albon, que figurou na zona de pontuação duas vezes, foi responsável por todos eles.

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A primeira presença nos pontos foi no GP da Austrália, terceira etapa do campeonato. E quando um carro é ruim, sobressai a qualidade do piloto, que fica ainda mais evidente. Em Albert Park, Albon foi desclassificado no sábado porque a Williams não conseguiu prover, à FIA (Federação Internacional de Automobilismo), combustível suficiente para amostra após o treino classificatório. Punição? Queda para o último lugar do grid.

Partindo de 20º, com o pior carro da temporada… todo mundo esperava e não seria nenhum absurdo — pelo contrário, seria o normal — que Albon não conseguisse se desgrudar do pelotão do fundo. Mas em meio a uma Fórmula 1 que ainda buscava entender plenamente o novo regulamento para 2022, o tailandês brilhou.

Os pneus ficaram maiores para a atual temporada, ponto central da remodelada era técnica da categoria. No começo, estava difícil compreender plenamente o comportamento deles. Mesmo assim, o tailandês batalhou contra o desgaste dos compostos da Pirelli e segurou seus pneus duros por 57 voltas. No giro final, foi aos boxes, viu a equipe de Grove calçar os compostos macios em seu FW44 e conseguiu cruzar a linha de chegada em 10º.

Albon na Austrália: histórico (Foto: Williams)

Mesmo não vencendo, Albon foi o piloto do dia em Melbourne. Performance histórica, heróica inclusive — com requintes mágicos e que rendeu até mesmo elogios da Pirelli. Sem exagero. 

“Foi uma corrida boa, mas foi difícil e nós precisamos lutar bastante. Foi como 30 voltas de classificação para nós. Não sei o que acontece com o pneu duro, mas sempre funciona quando a gente o coloca no carro. Ainda assim, estava claro que terminar em décimo era algo inimaginável para nós. Você pensa na estratégia de corrida com os carros em 19° e 20°, e bem atrás do 18°, mas fizemos funcionar”, comemorou o piloto após a etapa na Austrália.

Após bater na trave e ficar em 11º no GP da Emília-Romanha, Albon voltou aos pontos em Miami. Nos Estados Unidos, de maneira rara e quase exclusiva, o FW44 não estava de todo ruim. Assim sendo, o tailandês escalou o pelotão depois de largar em 18º e recebeu a bandeirada novamente na 10ª posição — mas subiu um degrauzinho na tabela final depois de Fernando Alonso ser punido.

“Para ser honesto, tivemos o ritmo durante todo o final de semana. A classificação foi uma anomalia e ficamos muito frustrados com o 18º lugar. Na corrida, estávamos lá — alcançamos os carros à frente”, pontuou depois da etapa.

Em alta e figurando entre os pilotos com melhor performance na temporada naquele momento, a expectativa era de que Albon continuasse ‘aprontando’ vez ou outra. Não rolou: de lá para cá, dois abandonos — incluindo o forte acidente sofrido em Silverstone — e somente um 12º lugar como melhor posição.

Mas mesmo assim, é da compreensão geral que os resultados recentes pouco têm a ver com uma hipotética queda de desempenho do piloto. O verdadeiro culpado é o FW44, inegavelmente. E se com as coisas do jeito que estavam — e estão — para a Williams na F1 2022, somente a ousadia se faz capaz de premiar a equipe de Grove. Como mostrou no Albert Park e em Miami, Albon tem ousadia de sobra. Não à toa, o time correu para garantir a permanência do tailandês a longo prazo.

Ele fica! Albon será piloto da Williams até pelo menos 2024 (Foto: Williams)

“Alex é um piloto incrível e um membro valioso da Williams, por isso estamos em êxtase em poder confirmar que trabalharemos juntos a longo prazo. Alex trouxe uma grande mistura de habilidades e aprendizados perspicazes que ajudarão a trazer mais sucesso ao nosso time no futuro”, disse o CEO e chefe de equipe da Williams, Jost Capito. “Ele é feroz, provou ser um integrante popular e leal, e estamos muito satisfeitos por ele nos fornecer uma base estável para prosseguirmos com o desenvolvimento nessa nova era da F1”, finalizou.

De escanteado na Red Bull e emprestado para o DTM, para uma temporada de ressurgimento na Williams. Justamente pelo período que ficou fora da principal categoria de automobilismo do mundo, Albon mostra-se grato só de estar ali. Pouco importa a carroça que pilota. Esta é a virtude dos grandes: mesmo em meio às adversidades, demonstram positividade e fome de mostrar valor.

“Estou muito motivado e focado, o ano que passei fora me deixou com muita fome para mostrar às pessoas meu valor. Honestamente falando, sempre rola um pouco de ansiedade, de como vai ser, mas foi uma sensação boa saber que entrei no ritmo rapidamente.”

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