Ministério Público denuncia responsáveis por estudo de impacto ambiental em Deodoro

Responsáveis por Relatório de Impacto Ambiental para construção do Autódromo de Deodoro, no Rio de Janeiro, foram denunciados pelo Ministério Público após serem encontradas informações falsas e outras omissões

Duas pessoas e uma empresa foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por apresentarem estudo e relatório de impacto ambiental falsos no processo de licenciamento do Autódromo de Deodoro, que seria construído na capital carioca. A obra gera polêmica desde o início, com MP e Governo Federal se colocando contra o projeto.

Os denunciados são Diego Rafael dos Santos Peixoto e Camilo Pinto de Souza, coordenadores da empresa Terra Nova Escritório de Projetos Ambientais — também denunciada e criada 11 dias antes do processo de licitação. A Terra Nova teria sido contratada pela Rio Motorpark, vencedora da concessão do Autódromo, para elaborar um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e apresentar um relatório, necessário para que a construção fosse à frente.

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O projeto de pit-lane de Deodoro (Foto: Reprodução)

No entanto, diversas informações falsas foram encontradas no relatório, que ainda contava com outras omissões. Entre os problemas, havia inconsistência na análise das alternativas locacionais, ausência de exame detalhado da hidrografia e do apontamento sobre a existência de Área de Preservação Permanente, além de falta de informações claras sobre os impactos socioeconômicos da obra no local.

Antes do indiciamento, o MP afirmou ter buscado “várias reuniões” entre os representantes da empresa e os órgãos públicos, mas os denunciados não demonstraram interesse em esclarecer os pontos de dúvida no relatório. Além disso, nas palavras do Ministério Público, Camilo e Diego “se mantiveram inertes e resistentes” frente aos questionamentos.

As irregularidades continuaram sendo apontadas por diversos órgãos, como o Ministério Público Federal (MPF), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o Grupo de Apoio Técnico Especializado (GATE/MPRJ). Assim, por meio do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), o MPRJ optou pela denúncia.

O projeto de centro de mídia de Deodoro, que teve licenciamento ambiental bastante criticado na época (Foto: Reprodução)

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Por fim, o Ministério Público ainda fez questão de ressaltar “a má conduta dos denunciados, uma vez que tiveram diversas oportunidades de emendar o EIA/RIMA ou tornar o processo de licenciamento mais claro”. Além disso, o órgão destacou a participação de diversos servidores públicos no processo, que apontaram as ilegalidades no licenciamento ambiental antes que a denúncia fosse feita.

“Vale pontuar a enorme mobilização de servidores públicos e outras entidades que se desdobraram para analisar a tempo o estudo de impacto, apontar omissões, realizar as várias reuniões que sequer foram atendidas, minimamente, pelos denunciados, os quais mantiveram suas condutas omissivas e procrastinatórias, até que, enfim, o Poder Público houve por bem indeferir o pedido de licenciamento ambiental”, informou o MPRJ.

Assim, tanto a empresa Terra Nova quanto os denunciados Camilo e Diego responderão por crime previsto no artigo 69 da Lei 9.605/98 — elaborar ou apresentar, no licenciamento, concessão florestal ou qualquer outro procedimento administrativo, estudo, laudo ou relatório ambiental total ou parcialmente falso ou enganoso, inclusive por omissão.

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