F2 defende presença de veteranos Nissany e Boschung no grid: “Bom para os jovens”
Bruno Michel, CEO da Fórmula 2, disse que veteranos como Roy Nissany e Ralph Boschung também são parte da categoria, ressaltando que a única coisa que impede a presença de um piloto no grid é ele ser campeão
A Fórmula 2 é, em teoria, uma categoria de base que prepara pilotos para a Fórmula 1, uma vez que é o último degrau antes da elite do automobilismo mundial. Na prática, no entanto, ainda é comum ver no grid pilotos que já acumulam mais de cinco temporadas, como é o caso de Ralph Boschung e Roy Nissany, mas a presença dos veteranos foi defendida pelo CEO da F2, Bruno Michel.
Boschung, que lidou com uma lesão no pescoço este ano, renovou com a Campos e vai para a sua sexta temporada completa na F2. Já Nissany foi anunciado pela PHM — antiga Charouz — para a disputa da temporada 2023, a sua quinta na categoria.
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Michel foi questionado pelo portal F1 Feeder Series se ter pilotos veteranos no grid atrapalha a proposta da classe em revelar novatos, mas o dirigente lembrou que a única regra da F2 que impede a presença de um piloto no campeonato é caso ele seja campeão. É o que aconteceu, por exemplo, com Felipe Drugovich, que venceu a disputa este ano e, automaticamente, deu adeus à categoria.
“A única regra que temos é que o vencedor não pode continuar, e acho que todos entendem o porquê de fazermos isso, caso contrário, seria um problema”, disse Michael. “Quanto aos demais, ficamos sempre felizes em receber pilotos como Roy ou Ralph. Eles amam a categoria, fazem corridas muito boas e são bastante experientes. É bom para os jovens que estão chegando ter esses caras como comparação também”, acrescentou.
“É sempre um desafio muito interessante. Temos 22 lugares na F2, portanto se houver 22 pilotos vindos da F3, aí a situação é outra. Ralph chegou até mim e perguntou: ‘É um problema para você se eu continuar aqui ano que vem?’. Desde que ele goste e que a equipe também goste, ele tem o apoio adequado para isso”, completou Michel, acrescentando que é bom para a série ter “um pouco de tudo”.
“Estive conversando com Tatiana [Calderón], e ela ficou muito feliz por voltar à Fórmula 2 depois de alguns anos. É um campeonato que eles gostam muito, então não vou dizer ‘Não, dê espaço aos mais jovens’. Acho bom ter um pouco de tudo, eles também são parte disso”, finalizou.

Sobre a regra que proíbe o campeão da F2 de continuar na classe no ano seguinte, Drugovich falou logo após a conquista do título sobre a dificuldade que os pilotos que saem da F2 têm de conseguir uma vaga na Fórmula 1. “Na minha opinião, ou você é campeão e não pode ficar mais, mas precisa ser promovido à F1, ou pode ficar”, disse o brasileiro na ocasião.
Michel, aliás, discordou de Felipe na época, mas usou como argumento a vantagem que o piloto teria pela experiência — uma fala que, agora, soa um tanto contraditória.
“Discordo disso. Acho que é uma pirâmide, e você tem de ter um sistema em que, em algum momento, você sobe ou sai”, argumentou o dirigente, dizendo ainda que “não gostaria que a F2 ou a F3 se tornassem categorias profissionais”. “Se isso acontecer, o problema será exatamente esse. Teremos pilotos ficando para sempre no mesmo campeonato, tendo grande vantagem por serem mais experientes em relação aos jovens que estão chegando”, concluiu.
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