Honda mantém layout e busca reação na MotoGP com motos de Marc Márquez e Mir

Mantendo uma longa tradição, a HRC apresentou nesta quarta-feira (22) uma RC213V com a pintura tradicional que mistura as cores branca, laranja e vermelha. Meta para 2023 é dar a volta por cima depois de um 2022 abaixo da crítica. E a pressão é alta, especialmente vinda de Marc Márquez

Depois de Yamaha, Gresini, Ducati, Pramac e KTM, chegou a vez de a Honda se apresentar para a temporada 2023 da MotoGP. E, como já era de se esperar, sem surpresas. Como nos últimos anos, a HRC apresentou um layout com poucas alterações, mantendo o tradicional desenho da Repsol, que mistura as cores branca, vermelho e laranja.

Em um evento transmitido ao vivo direto do Campus Repsol, a sede a petrolífera, em Madri, a Honda já chegou sem mistério: de cara exibindo a moto. Tão logo as luzes do palco de acenderam, as duas motos surgiram no centro, evitando qualquer suspense.

Marc Márquez e Joan Mir apresentaram a nova RC213V (Foto; Honda)

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Em termos de pintura, chama atenção uma faixa azul na lateral da moto, onde agora aparece a inscrição ‘Honda Racing’. Na antecessora, esse espaço contava com dois traços grossos na cor preta. Outra significativa mudança está na cor da roda: sai o laranja e entra o vermelho.

A Honda mudou, ainda, o fornecedor do escapamento. Até o ano passado, a gigante japonesa usava o sistema da SC Project, mas, a partir de 2023, passa a contar com a eslovena Akrapovic.

“Trabalhamos muito para melhorara a nossa moto e seguiremos fazendo isso dia após dia para continuar polindo essas inovações”, disse Tetsuhiro Kuwata, diretor-geral da Honda. “Este ano é um grande desafio, pois a MotoGP se tornou um ecossistema muito competitivo”, assumiu.

2023 é um ano importante para a marca da asa dourada. Depois de dois anos e meio de um legítimo calvário, Marc Márquez tenta deixar os problemas físicos de lado para voltar a focar no título. E é justamente por isso que a pressão aumenta nos japoneses. O espanhol já avisou que quer voltar a vencer. E prefere fazer isso com a casa de Hamamatsu. Mas, se não der, vai apostar em outro rumo na carreira.

Akrapovic é uma das novidades da RC213V (Foto: Honda)

Só que a RC213V não está no auge da forma. Ao contrário. Em 2022, a Honda fechou o ano no incomum último lugar do Mundial de Construtores, ainda muito dependente de Marc, ainda que ele tenha passado parte da temporada ausente por lesão ou se recuperando de uma quarta cirurgia no braço direito.

Kuwata celebrou o fato de ter Márquez em boa forma e destacou que todos já sabem do que o hexacampeão da MotoGP é capaz.

“É uma equipe fantástica. Estou muito feliz em ver o estado físico de Marc Márquez. Ele passou anos muito difíceis, mas está forte. Todos sabemos do que ele é capaz”, comentou.

O mais velho dos irmãos Márquez exaltou o layout da RC213, mas evitou falar apenas e trivialidades. O espanhol reconheceu o empenho dos engenheiros da Honda, mas sublinhou que resta muito a ser feito para o teste que começa no próximo dia 11, em Portimão.

“A moto parece ótima mais uma vez neste ano!”, comentou Márquez. “estou realmente ansioso para rodar nas cores da Repsol Honda outra vez no teste de Portugal. É ótimo estar aqui com toda a família Repsol, que está comigo e com a equipe há tanto tempo”, seguiu.

Marc Márquez e Joan Mir formam a nova dupla da Honda (Foto: Honda)

“O teste em Portimão será importante, já que temos algum trabalho a fazer, mas os engenheiros estão trabalhando duro no Japão. Estou ansioso para seguir trabalhando e para começar a temporada. Me sinto em forma e pronto para correr”, acrescentou.

Na tentativa de se reforçar, a Honda promoveu uma dança das cadeiras. Pol Espargaró não teve o contrato renovado e deu lugar a Joan Mir, que ficou soltinho no grid após a saída da Suzuki da MotoGP. A retirada da fábrica japonesa, aliás, também promoveu a chegada de Ken Kawauchi, que assumiu o posto de diretor-técnico da Honda no lugar de Takeo Yokoyama, que passou a executar outras funções dentro da HRC.

“Temos dois ótimos pilotos para nos liderarem neste ano. A história e as conquistas de Marc Márquez não precisam de explicação. Ele nos deu alguns dos momentos mais brilhantes da nossa história e estamos encantados por tê-lo de volta à plena forma”, comemorou Tetsuhiro. “Do outro lado da garagem está Joan Mir, que já é bicampeão mundial aos 25 anos de idade e já provou na pista eu se adapta rapidamente a novas situações. Espero ver os dois alcançando sucesso que a Honda HRC sabe que os dois são capazes neste ano”, completou.

Chama atenção, também, o fato de que Mir decorou o #36 na cor amarela, algo que tinha sido feito na RCV pela última vez nos tempos de Valentino Rossi.

Recém-chegado à equipe, Mir falou do orgulho em se juntar à Honda e destacou que já houve progresso no teste de Sepang.

Faixa azul na lateral é novidade na RC213V (Foto: Honda)

“É incrível vestir as cores da Repsol Honda pela primeira vez e mostrar a última versão da Honda RC213V”, comemorou Mir. “É uma honra me juntar a esta icônica equipe e meu foco é entregar o melhor resultado possível, que é o que é esperado quando você se junta a uma equipe como está”, continuou.

“Já fizemos um bom progresso em Sepang e ainda temos tempo para nos prepararmos em Sepang, seguirmos trabalhando e melhorando”, encerrou.

Com Márquez e Mir, a Honda espera encontrar um novo rumo e devolver a competitividade para a RC213V. Pelo que a pré-temporada em Sepang mostrou, ainda resta um longo caminho pela frente. Com Marc em forma, os japoneses ganham chances melhores, mas a pressão será muito grande. Afinal, o #93 retaliou o braço direito para tentar recuperar a velha forma e ele vai exigir dos engenheiros o mesmo tipo de entrega.

Contudo, o grid da MotoGP é hoje muito forte, o que dificulta — e muito — a tarefa. Mesmo assim, a Honda é uma gigante deste e tem toda a experiência necessária para dar a volta por cima. Resta saber se Márquez terá a paciência de esperar.

“Chegamos para a temporada 2023 depois de alguns anos desafiadores, mas não perdemos nosso espírito ou nossa motivação”, assegurou Kuwata. “A Honda venceu 25 campeonatos na classe rainha, incluindo 24 títulos de Construtores, e sabemos do que somos capazes enquanto companhia e construtores. A competição na MotoGP é mais forte do que nunca, mas seguimos trabalhando no nosso máximo para dar aos nossos pilotos aquilo de que eles necessitam”, assegurou.

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