5 coisas que aprendemos no sábado do GP do Bahrein de Fórmula 1 2023

Enfim, classificação. Como não poderia deixar de ser, na abertura do campeonato, a classificação do GP do Bahrein mostrou bastante coisa para o que vem por aí na Fórmula 1 202. De Madonna a Mark Twain e O Facínora

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Finalmente, chegou o primeiro gosto mais competitivo da temporada 2023 da Fórmula 1. Um aperitivo, apenas, como tinha de ser a classificação #1 numa temporada de 23 delas, 23 corridas e mais seis corridas sprint. Mas nenhuma outra definição de grid é tão esperada quanto a primeira, aquela que traça pilastras fundamentais para o que esperar no restante do campeonato. Ou, pelo menos, porção inicial. Neste sábado (4), o mundo começou a entender do que cada equipe é feita e qual mistura é bastante para seus pilotos.

Então, para começar a entender o que a pista mostrou, o GRANDE PRÊMIO destaca cinco coisas que aprendemos com a classificação no deserto barenita.

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Like a Virgin, de Madonna, lançado a quase 40 anos (Foto: Reprodução)

No Q1 mais apertado da história, ser novato custou caro

O especialista em dados e estatísticas da Fórmula 1, Sean Kelly, publicou no Twitter que o Q1 do GP do Bahrein foi o mais apertado da história desde que a categoria adotou o atual formato, em 2006, 17 anos atrás. Todos os 20 carros foram separados por 1s1, algo impressionante, e nenhuma equipe foi eliminada de mala e cuia. Alpine, AlphaTauri, McLaren, Haas, Alfa Romeo e Williams tiveram um fora e um dentro cada. Todos muito próximos entre si, com direito a Lando Norris classificando com a mesma volta, até os milésimos, que o eliminado Logan Sargeant.

Num pelotão de tamanho equilíbrio, o custo do noviciado foi alto demais. Os estreantes Sargeant, Oscar Piastri e Nyck de Vries ficaram pelo caminho logo de cara, todos andando pior que os devidos companheiros de equipe. Como virgens, tocados pela primeiríssima vez pelo calor do acelerar dos motores da Fórmula 1, no ar seco do deserto, o importante é perder o medo e entregar toda a devoção a estes carros. Madonna ensinou.

Yuki Tsunoda e a AlphaTauri: símbolos de um pelotão intermediário que já não existe (Foto: Red Bull Content Pool)

Acabou o pelotão intermediário… pelo menos na classificação

A letra tinha sido dada nos últimos dias: o pelotão intermediário ficara pelo caminho. A diferença entre Yuki Tsunoda, melhor entre os pilotos que não defendiam Red Bull, Ferrari, Mercedes ou Aston Martin no Q1 e De Vries, companheiro dele e mais lento na pista — Pierre Gasly acabou indo para trás até ter volta cancelada, mas fiquemos com a volta original a fim desta análise — foi de 0s7. No Q2, coisa bem semelhante.

A verdade é que, com um deslize, AlphaTauri, Alpine, Haas, Williams, AlphaTauri e Alfa Romeo podem ser enterradas, ao passo que com uma grande atuação de um de seus pilotos, já se habilitam a brigar para ser melhor do resto. A Williams crê estar atrás em ritmo de corrida, mas a diferença é bem menor do que se imaginava. O pelotão está mesclado.

Max Verstappen faturou a pole do GP do Bahrein (Foto: Red Bull Content Pool)

Red Bull é menos dominante que se imaginava. Mas é dominante

Se a expectativa era que a Red Bull lavaria o rosto com o restante das equipes, a realidade foi mais pragmática. Ferrari, Aston Martin e até a Mercedes, ainda que menos, foram capazes de incomodar a Red Bull no sábado da classificação no Bahrein. Na hora de decidir a pole, porém, Max Verstappen encaixou duas voltas abaixo de 1min30s e Sergio Pérez, uma. Os dois trancaram a primeira fila e mostraram que, ainda que dê para se animar com o equilíbrio geral, ainda existe clara superioridade dos rubro-taurinos.

Sergio Pérez foi apenas 0s138 mais lento que Verstappen (Foto: Red Bull Content Pool)

A noite jogou a favor da Red Bull

Da mesma forma como acontecia no ano passado, o que se sabe é que a Red Bull tem excepcional ritmo de corrida, ainda melhor que o da classificação. É possível que no domingo o público veja a Red Bull disparar e desfilar para vencer, mas uma coisa é interessante de tentar entender para agora e próximas etapas: a noite parece ajudar a Red Bull.

Conforme a noite foi caindo e baixando a temperatura, a Red Bull foi assumindo mais e mais o protagonismo do dia. Não se trata de uma surpresa absoluta também: já se esperava que o Bahrein fosse ressaltar as qualidades do time chefiado por Christian Horner. O RB19 responde bem a temperaturas mais amenas e baixas. É algo muito interessante para as primeiras duas corridas do ano e que transforma a Red Bull em favorita por margem esmagadora no domingo.

Quem atirou em Liberty Valance? É a questão do clássico ‘O Homem que Matou o Facínora’, de John Ford (Foto: Reprodução)

Rumores sobre a morte da Mercedes foram muito exageradas

Era maio de 1897 quando uma informação chegou ao jornal estadunidense The New York Times e apontava que o escritor Mark Twain estava à beira da morte. O jornalista Frank Marshall White, resolveu, então entrar em contato com Twain, que morava fora dos Estados Unidos. O escritor respondeu em carta. O conteúdo e a frase exata são costumeiramente vítimas de correções históricas, mas o que ficou para a posteridade como resposta real foi: “A informação da minha morte foi exagerada por demais”.

Como discípulo do editor do jornal Shinbone Star, que resolveu manter o conto mais atraente e ignorar a retidão da história narrada pelo senador Ranson Stoddard, no clássico ‘O Homem que Matou o Facínora’, de John Ford, minha resposta à incorreção da frase de Twain poderia ser uma, apenas: aqui é o Oeste, senhor! Quando a lenda vira fato, publique a lenda.

Fato é que tanto se falou da dificuldade da Mercedes com o conceito do carro, a velocidade de reta, o equilíbrio, a sexta-feira assustadora. Mas veio o sábado e as coisas voltaram a seus lugares. Lewis Hamilton ficou tão animado que disse ter acordado pensando que seria sorte ir ao Q3. No fim, ficou em sétimo, com George Russell em sexto. A diferença de ambos para Verstappen foi de 0s6. Ano passado, Hamilton também foi 0s6 mais lento que o pole, no Bahrein, mas Russell esteve 1s6 atrás e na nona colocação somente.

Desta feita, a Mercedes está na briga. Tinha um carro melhor no TL3, sabe o que fazer para tirar mais dele na corrida e, naturalmente, já se trata de um bólido melhor em ritmo de domingo, enquanto a Ferrari piora em condições de corrida. A Aston Martin, ao menos em teoria, tende também a melhorar e ser um constante incômodo. A briga entre as três equipes é boa e não tem nenhuma delas atrás. A morte da Mercedes foi um exagero.

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