“Um pouco como namorar”: como pistas da Fórmula E são idealizadas e construídas

A Fórmula E se prepara para sua terceira corrida inaugural consecutiva em 2023, agora no Brasil, e o GRANDE PRÊMIO explica — passo a passo — como a categoria viabiliza a construção de novas pistas em grandes centros urbanos

A Fórmula E vai desembarcar no Brasil pela primeira vez em sua história no próximo fim de semana, com o primeiro eP de São Paulo, e a população da maior capital do país já sente os efeitos das alterações feitas pela categoria no Sambódromo do Anhembi, local da corrida. Com pistas configuradas no coração de grandes centros urbanos — que certamente afetam o cotidiano da população —, como funciona a logística da categoria na concepção de novas praças?

A definição de uma nova pista na Fórmula E precisa obedecer a uma série de fatores, e corridas inaugurais como Hyderabad e Cidade do Cabo, as duas últimas realizadas pela modalidade, precisam de pelo menos 18 meses de antecedência para saírem do papel. É neste ponto em que as cidades anunciam o interesse de receber a FE, e o contato é feito por meio de Oli McCrudden, diretor de desenvolvimento de cidades da categoria.

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“É um pouco como namorar. Ambos os lados têm uma ideia clara de como querem que o futuro pareça, mas primeiro, eles precisam ter certeza de que estão com alguém que compartilha a mesma visão. Requer comunicação aberta, colaboração, compreensão e compromisso. Todas essas qualidades, que são vitais para um relacionamento pessoal bem-sucedido, realmente se aplicam em grande escala em nosso mundo e estabelecem as bases para uma parceria forte e frutífera”, explicou McCrudden.

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Como são construídas as pistas na Fórmula E? O GRANDE PRÊMIO explica (Foto: Jaguar)

Depois que os contatos são estabelecidos e o interesse é oficializado, é necessária a criação de um design para o traçado, feito por meio de um especialista. A partir daí, a Fórmula E estuda a viabilidade do local, o nível de trabalho necessário para transformar as ruas em uma pista de corrida e a posição das estruturas obrigatórias para a realização das atividades.

O pedido formal de homologação feito ao Departamento de Segurança da FIA precisa ser feito com nove meses de antecedência, e inclui a nomeação de um inspetor para o circuito e a realização de simulações que visam testar as características de segurança da pista. Caso algum problema seja identificado, as correções necessárias são sugeridas neste momento.

Por fim, antes da definição das medidas de segurança, o documento elaborado pelo Departamento de Segurança da FIA passa por mais uma avaliação, além da visita presencial de um Inspetor Oficial da FIA e funcionários da Fórmula E. Assim, além do layout, todas as estruturas — como barreiras de proteção, separações de pista, garagens e centro médico, entre outras — são avaliadas mais uma vez.

O plano de segurança, então, é definido de acordo com a necessidade de cada local. A Fórmula E analisa a quantidade necessária de bombeiros para potenciais situações de emergência, enquanto a FIA realiza simulações no layout escolhido para garantir que a corrida tenha zonas de frenagem suficientes para a regeneração de energia.

O traçado escolhido pela Fórmula E para a estreia do eP de São Paulo (Arte: Fórmula E)

Essas simulações também servem para definir a extensão da corrida, e caso alguma inconsistência seja encontrada, podem ser solicitadas mudanças adicionais no circuito — como a retirada ou inclusão de uma chicane, por exemplo, ou a mudança no número de voltas.

Por fim, as equipes do grid recebem o desenho definitivo da prova com cerca de um mês de antecedência e iniciam seus trabalhos nos simuladores, enquanto a pista começa a ser construída em torno de duas semanas antes do evento. Essa construção conta com a presença de especialistas da FIA, que supervisionam as atividades e orientam caso alguma mudança seja necessária.

Assim como na Fórmula 1, a FE também realiza uma caminhada na pista na abertura do fim de semana, que inclui o diretor de prova Scot Elkins — que também é diretor de circuitos —, o motorista do safety-car, o Delegado Esportivo, o Delegado de Segurança Eletrônica, os construtores do circuito e a equipe que comanda a categoria. Desta forma, todos se familiarizam com o layout e podem sugerir quaisquer modificações de última hora.

A última ação antes do início das atividades de pista é feita por Elkins, que elabora um relatório de inspeção e garante que todos os critérios tenham sido atendidos pelos realizadores do evento. Após a estreia do circuito, um grupo composto por membros da FE, da FIA e dos pilotos se reúne para debater possíveis melhorias.

Além de Hyderabad, Cidade do Cabo e São Paulo, Portland é a outra estreia programada para 2023 pela Fórmula E (Foto: Reprodução)

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“A Fórmula E é a única no mundo do esporte a motor a correr predominantemente em pistas temporárias dentro das cidades. Isso exige uma abordagem completamente diferente para a construção e aprovação da pista, que ocorre em um período comparativamente curto de tempo”, afirmou o diretor de prova.

“Durante esse período, muito precisa ser feito para garantir que o circuito em questão seja, acima de tudo, seguro e construído em conformidade com os padrões gerais esperados em um Campeonato Mundial da FIA. Durante todo o processo, a FIA trabalha em estreita colaboração com a Fórmula E, bem como o promotor local e a Autoridade Nacional de Esportes [ASN], e o sucesso das novas corridas recentes em Hyderabad e Cidade do Cabo é um testemunho da eficiência dessa colaboração”, finalizou Elkins.

A próxima etapa da Fórmula E será o histórico eP de São Paulo, primeira corrida da categoria no Brasil desde sua fundação, programada para acontecer no dia 25 de março. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO, diretamente do Anhembi, com transmissão de treinos livres, classificação e corrida com imagens em nosso canal do YouTube.

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