Leclerc se preocupa com ultrapassagens na F1 2023: “Mais turbulência que em 2022”
Charles Leclerc e Carlos Sainz afirmaram que as duas primeiras provas desta temporada mostraram mais dificuldades para realizar ultrapassagens do que em 2022
Uma das grandes novidades introduzidas na Fórmula 1 com a implementação, ainda na temporada passada, do novo regulamento era redistribuir a carga aerodinâmica dos carros a fim de tentar diminuir o ar sujo e a turbulência, facilitando as disputas mais próximas. E isso deu certo, em algum grau, em 2022. Charles Leclerc e Carlos Sainz, pilotos da Ferrari, entretanto, compartilham preocupações de que possa ter havido uma involução no quesito na F1 2023.
O ar sujo nada mais é que vórtices de ar criados pelo impacto das moléculas com as asas, assoalhos e outras peças nos bólidos que visem a ‘grudar’ o carro no asfalto. Até 2021, esta era uma dificuldade para os pilotos em situação de corrida, já que a alteração das massas de ar gerada pelo impacto desta com os carros da frente alterava o direcionamento das moléculas e, assim, diminuía o potencial aerodinâmico de quem vinha logo atrás, causando turbulência. Uma das soluções foi a implementação do DRS, que tinha como ideia central retribuir a desvantagem nas curvas em situações de reta.
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Para 2022 em diante, a FIA criou um regulamento que tivesse como prioridade redistribuir os ganhos aerodinâmicos, com a volta do efeito-solo. Agora, ao invés de muito depender da atuação das asas, o assoalho passou a ser o principal componente de criação da aderência, diminuindo a geração e o impacto do ar sujo. Mas 2023 parece ter visto um regresso considerável na qualidade das provas.

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“No que se refere ao ar sujo, esses carros pioraram um pouco em comparação com o ano passado. Provavelmente por conta do desenvolvimento aerodinâmico e o novo regulamento”, disse Sainz. “Estão parecendo os carros antigos, com o ar sujo servindo como limitação. Não estava fácil ultrapassar”, falou o espanhol sobre a prova em Jedá.
E o espanhol está certo. No GP do Bahrein, que abriu a temporada 2023, há quatro semanas, houve apenas 30 ultrapassagens na prova, uma queda de mais de 50% em relação ao ano passado. Já em Jedá, a diminuição foi menor, de 38 para 33, mas com uma singularidade: Max Verstappen, da Red Bull, e Leclerc iniciaram mais atrás, respectivamente em 15° e 12°, aumentando o potencial de manobras por terem carros rápidos.
Leclerc concordou com o companheiro e levantou um problema que era comum aos carros antigos: “Eu poderia ter ido um pouco mais rápido, mas, quando me aproximava na casa de 1s de distância do Carlos [Sainz], conseguia sentir a turbulência”, disse o monegasco, que cruzou a linha de chegada na sétima colocação.
Jedá foi mais um fim de semana complicado para a Ferrari, que ocupa o quarto lugar do Mundial de Construtores, com 26 pontos conquistados – 71 a menos que a líder Red Bull.
A Fórmula 1 retoma suas atividades de 31 de março a 2 de abril, com o GP da Austrália, terceira etapa da temporada 2023.
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