F1 dá sorte e monta Olimpo com Verstappen, Hamilton e Alonso no mesmo pódio
Mesmo sem conseguir alinhar mais talento e melhores chances ou campeonato de duelos eletrizantes, Fórmula 1 conseguiu ver Max Verstappen, Lewis Hamilton e Fernando Alonso na cerimônia do pódio
O GP da Austrália foi corrida cheia de roteiros. É claro que as decisões da direção de prova da FIA e seus comissários tomaram protagonismo, porque causaram uma sequência de distorções esquisitas a olhos vistos, mas há outro ponto digno de registro: a força do pódio. Nas três primeiras posições, Max Verstappen, Lewis Hamilton e Fernando Alonso. É fácil argumentar que são os três melhores pilotos do grid e que existe possibilidade de voltarem a dividir posições de gala.
É, na verdade, um grande presente para a Fórmula 1. Quando a temporada desponta com piloto e equipe marcados para o título, é necessário que grandes histórias sejam contadas através do grid. E o fato é que, desde o primeiro suspiro de carros na pista em 2023, Red Bull e Verstappen anunciaram que farão um longo desfile pelo mundo para conquistar o pote de ouro que espera reservadamente no fim do arco-íris. Não há outro final para o Mundial.
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Por sorte da Fórmula 1, outras grandes histórias se anunciaram. O salto de qualidade da Aston Martin, por exemplo, no primeiro projeto realmente tocado pelo chefe Mike Krack, que chegou logo no começo do ano passado. Agora com Fernando Alonso, aos 41 anos, na vaga de um Sebastian Vettel que viveu duas temporadas de brilharecos no time de Silverstone: não estava mal e de vez em quando fazia a velha chama do tetracampeão aparecer, mas inegavelmente já não era mais o piloto especial de outros tempos.
Alonso, para a sorte de todo mundo, segue tão mágico quanto há 15 anos. É um feito absoluto que um piloto siga na ponta dos cascos de seu talento notável durante duas décadas, mas é precisamente o que Fernando consegue. É difícil apontar um fator em que não seja tão bom hoje quanto em 2006, quando conquistou o bicampeonato.

Tinha apenas um pódio em quase uma década, mas conseguiu voltar na primeira corrida do ano. De cara, quando muito se falava sobre as habilidades e a proximidade do fim da trajetória, se ainda tinha gasolina para queimar, Alonso chegou com força. Firme nos testes, líder em treinos e pódios na primeira prova. E na segunda. E na terceira. É a grande história do ano, porque qualquer papo sobre aposentadoria virou especulação sobre novas vitórias ou até título, quem sabe, no ano que vem, se a Aston Martin crescer ainda mais.
“Acho que Fernando deveria ter vencido mais corridas do que tem, acredito que ele merece muito mais”, disse Verstappen. “Portanto, sim, eu ficaria feliz em vê-lo ganhar a 33ª, mas também gostaria de vê-lo ganhando mais, então vamos ver nas próximas etapas”, acrescentou.
Aí, há Lewis Hamilton. Não há como avaliar o começo de campeonato do heptacampeão sem apontar o retumbante fracasso da Mercedes, que resolveu manter o conceito problemático do ano passado. Acreditava que era uma questão de ajustes finos para o sucesso, mas então os bólidos foram para a pista. A situação era claramente dramática. Hamilton se incomodou, disse que não foi ouvido.
Depois de uma boa corrida no Bahrein, foi claramente superado por George Russell na Arábia Saudita e na classificação da Austrália. A Mercedes promete revolucionar o W14 nas próximas semanas e meses, mudar bastante com relação ao carro que começou o ano, mas mostrou sinal de vida em Melbourne, mesmo assim. Há uma importante briga interna — e briga apenas esportiva, na busca por mais pontos — para Lewis: superar o jovem talentoso que desde o ano passado está a seu lado. Inclusive, marcou mais pontos.
Só que Russell sofreu vários azares no começo da prova australiana e saiu de ação. Diferente dele, Hamilton ficou e empreendeu grande atuação para o segundo lugar e o primeiro pódio da Mercedes no ano.
Um pódio de 11 títulos mundiais, com direito aos únicos três campeões que sobraram no grid após as aposentadorias de Vettel e Kimi Räikkönen, nos dois últimos anos.

Hamilton e Alonso podem viver entre tapas pela imprensa, com um racha que nunca foi totalmente superado mesmo 16 anos depois da temporada em que dividiram a garagem, mas também dividem alguns beijos. Os dois se cumprimentaram em meio ao pós-corridas cheios de sorrisos. Sabe aquele ditado muito empregado nos esportes americanos, “game recognizes game”, algo como “craque reconhece craque”? É isso. Podem não se bicar muito na vida pessoal, mas na hora que se encontram na pista, é festa.
Os dois veteranos têm a companhia do piloto de maior talento que a F1 viu surgir desde a virada para os anos 2010, já bicampeão e na busca pelo tri e pelo top-5 histórico de vitórias. Tudo isso virá neste ano, mas vale tanto quanto ser colocado na mesma prateleira destes caras.
A Red Bull manda nas coisas na Fórmula 1 e, por isso, Sergio Pérez sempre será favorito e entrar no pódio em condições normais. Mas até que a Ferrari, Alpine ou McLaren mostrem capacidade de reação, há sempre a chance de ver os três melhores do grid nas três primeiras posições. Algo que faz bem à Fórmula 1. Por pura sorte, ainda que a categoria não tenha interesse em alinhar os melhores talentos nas oportunidades mais robustas. Mas a sorte também é da vida, e nada de errado há nisso.
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