FIA alega “nada de novo” e rejeita pedido da Ferrari sobre punição de Sainz na Austrália

A Ferrari teve audiência com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para a revisão da punição a Carlos Sainz no GP da Austrália, mas o pedido foi rejeitado pela entidade

A Ferrari solicitou à FIA (Federação Internacional de Automobilismo) a revisão da punição a Carlos Sainz na Austrália, mas a resposta do órgão regulador foi direta e curta: “Não há nada novo ou relevante que não estivesse disponível para as partes que buscam a revisão no momento em que a decisão foi tomada. O pedido, portanto, foi rejeitado”.

“Consideramos o fato dessa colisão ter ocorrido na primeira curva da primeira volta da relargada, quando, por convenção, os comissários normalmente teriam uma visão mais branda dos incidentes. No entanto, decidimos que, apesar de ter sido um incidente na primeira volta, consideramos que havia espaço suficiente para Sainz tomar medidas e evitar a colisão, o que não aconteceu. Portanto, impusemos 5s de punição”, diz o documento da FIA.

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A audiência aconteceu na manhã desta terça-feira (18) e durou pouco mais de duas horas e meia, ainda tratando dos incidentes da relargada parada final da última etapa realizada, o GP da Austrália, no último dia 2. A equipe de Maranello considerou três fatores: a telemetria, os argumentos do espanhol e dos demais pilotos, sobretudo Alonso, que foi envolvido no acidente.

De acordo com a entidade, a decisão dos comissários foi, de fato, baseada na telemetria. O piloto do carro #55 culpou a dificuldade de visibilidade pelo sol, além da falta de aderência por causa dos pneus frios. Para FIA, contudo, “não é algo justificável para impedir uma punição por causa de uma colisão”.

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Os italianos também apresentaram, como precedente, a situação entre Felipe Massa e Sergio Pérez no GP do Canadá de 2014, quando os dois se encontraram na última volta de prova. À época, a Force India pediu revisão da punição ao mexicano, que também foi negada. Em resposta, a FIA também explicou que são situações diferentes, já que a punição de Sainz aconteceu durante a corrida, não depois — no caso de Pérez, ele foi levado ao hospital e não conseguiu dar sua versão aos comissários após a prova.

“A característica distintiva aqui é que nossa decisão foi tomada durante a corrida. Consideramos desnecessário para nós ouvir Sainz ou qualquer outro piloto para confirmar a punição, já que ele foi totalmente culpado pela colisão. Uma decisão que nós adotamos rotineiramente e somos encorajados a adotar quando a causa da colisão é clara e há uma necessidade para as penalidades serem aplicadas o mais rápido possível”, continuou a FIA.

Carlos Sainz ficou revoltado com a punição sofrida (Foto: AFP)

Entenda o caso:

FIA (Federação Internacional de Automobilismo) anunciou na última sexta-feira (14) que iria realizar uma audiência para ouvir a Ferrari sobre a punição dada a Carlos Sainz no GP da Austrália. A equipe italiana fez um pedido de revisão da sanção, alegando que recebeu um “tratamento diferente” durante a decisão dos comissários de prova, em Melbourne. O encontro virtual foi marcado para acontecer a partir das 4h (de Brasília) desta terça-feira.

caótica corrida no Albert Park teve três bandeiras vermelhas e a bandeirada sendo dada ao vencedoMax Verstappen imediatamente após o safety-car deixar a pista. Na segunda interrupção, causada por uma batida de Kevin Magnussen no muro, a direção de prova optou pela relargada parada a três voltas do fim, e o que se viu foi uma sequência de acidentes que tirou quatro carros da prova.

A Ferrari de Sainz acabou colidindo com o Aston Martin de Fernando Alonso no meio da confusão e por pouco não tirou o compatriota da corrida. Mais atrás, Pierre Gasly acertou em cheio o companheiro de equipe, Esteban Ocon, e ainda teve enrosco entre Logan Sargeant e Nyck de Vries. Todos os incidentes foram investigados, mas apenas o #55 foi punido antes mesmo do fim da prova.

Carlos tomou uma sanção de 5s, o que o fez perder o quarto lugar. Na classificação final, o piloto apareceu em 12º. A Ferrari se queixou da forma como a punição foi dada, afirmando que Sainz não foi ouvido.

Fernando Alonso, que recuperou o pódio após a relargada anulada, defendeu Sainz (Foto: AFP)

Então, a entidade que gere o esporte confirmou que a equipe italiana “apresentou um pedido, com base no artigo 14 do Código Esportivo Internacional, solicitando uma revisão da decisão dos comissários”. A audiência tinha como objetivo verificar que se Ferrari identificou “um novo elemento significativo e relevante”, para que a punição fosse revista.

Chefe da Ferrari, Frédéric Vasseur já havia manifestado a insatisfação com a punição e o desejo de revisar o veredito dos comissários de prova. “A única coisa é que em relação ao incidente Gasly/Ocon e, claro, Sargeant/De Vries na curva 1, a reação dos comissários não foi a mesma. Primeiro, eles terão de olhar nossa petição para ver se poderão reabrir o caso. Então teremos uma segunda audiência um pouco mais tarde, com os mesmos comissários ou com os da próxima reunião, com a decisão em si”, disse o francês.

“Esperamos que, pelo menos, o caso seja discutido e que, pelo bem do esporte, esse tipo de decisão seja evitada quando houver três casos na mesma curva, porém não o mesmo julgamento”, frisou Vasseur, que continuou: “A maior frustração partiu de Carlos, você o ouviu pelo rádio. Ele não foi ouvido.”

“Foi um caso muito especial. E acho que teria feito mais sentido uma reunião, considerando que a corrida acabou e [o incidente] não afetou o pódio, como aconteceu com Gasly e Ocon [que foram chamados pelos comissários para esclarecimentos]”, seguiu.

Frédéric Vasseur saiu em defesa de seu piloto pelo acidente (Foto: Ferrari)

“Cabe aos comissários [dizer] qual é a punição certa, mas, para mim, para a equipe, ao menos por Carlos, reabrir a discussão é o primeiro passo. O resultado dependerá da FIA. Temos nossos argumentos, mas iremos revelá-los para a FIA. Sem dúvida, esperamos que a decisão seja revista e não seja a mesma”, salientou o dirigente da Ferrari.

O próprio Alonso, que foi a parte afetada no incidente com Sainz, considerou a sanção “severa demais”. Vasseur evitou apontar para culpados, mas pontuou que há sempre duas versões em acidentes de pista, por isso entende que o trabalho dos comissários não é tão simples.

“Não é um trabalho fácil. E também é difícil tomar uma decisão com a corrida ainda em curso. Sempre pedimos por decisões durante a corrida. Esse caso foi um pouco particular, com três bandeiras vermelhas, duas largadas, com a última uma volta atrás do safety-car. É daí que vem a frustração, pois tivemos a sensação de que o incidente entre Ocon e Gasly foi tratado de forma diferente”, ressaltou.

Sainz ocupa a quinta colocação no Mundial de Pilotos da F1 2023. O espanhol é responsável por 20 dos 26 pontos conquistados pela Ferrari após três etapas.

Fórmula 1 entrou em um recesso forçado de quatro semanas, por conta do cancelamento do GP da China, e retoma a temporada 2023 entre os dias 28 e 30 de abril, com o GP do Azerbaijão, nas ruas de Baku.

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