Áustria traz nomes novos ao topo, mas Vesti mostra que F2 2023 ainda está sob controle
Como já era esperado, a perna nos circuitos permanentes trouxe novos nomes ao topo, como os vencedores das corridas na Áustria, Jak Crawford e Richard Verschoor. Mesmo assim, Frederik Vesti mostrou que vai ser preciso muito mais para tirar de suas mãos um campeonato que começa a ficar sob o seu controle
Foi um fim de semana de duas ótimas corridas da Fórmula 2 na Áustria. Como já era esperado, o retorno à Europa para a sequência em circuitos permanentes abriu a chance para novos nomes terem o seu momento na temporada, como o caso do estreante Jak Crawford, que venceu pela primeira vez na categoria no sábado, na sprint, e também Richard Verschoor, que voltou ao degrau mais alto do pódio desde o triunfo na prova curta do Bahrein no ano passado. Mesmo assim, o líder Frederik Vesti manteve-se por perto e mostrou que vai ser preciso muito mais para tirar das suas mãos um campeonato que, a cada rodada, começa a ficar sob o seu controle.
Dois fatores importantes deram um tempero a mais no resultado final: a chuva no sábado e um safety-car providencial no domingo. Na primeira corrida no Red Bull Ring, Crawford se valeu do grid invertido, ousou ao começar com os pneus slicks quando o asfalto ainda estava úmido, escapou das confusões causadas pela pista que começou molhada, mas rapidamente foi secando ao longo das 27 voltas realizadas e somou dez importantes pontos no campeonato.
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O companheiro de equipe, Isack Hadjar, também terminou no top-3 pela primeira vez no ano, logo atrás de Victor Martins, segundo colocado. É, portanto, um resultado para se comemorar, mas a Hitech tem deixado a desejar principalmente em ritmo de classificação — vide que os melhores resultados de seus pilotos foram conquistados em corridas sprint. Pouco, muito pouco para quem agora sonha até com a F1.
No sábado, aliás, Vesti foi um mero coadjuvante. Completou a prova, mas perdeu o último pontinho disponível para o companheiro de equipe, Oliver Bearman, que cruzou a linha de chegada em oitavo. Mesmo assim, a combatividade e a inteligência para evitar acidentes e buscar a zona de pontuação deram o primeiro sinal de que, sim, a etapa ainda estava sob controle.
A ordem na casa veio logo na largada da corrida principal, aproveitando-se de uma partida muito ruim de Victor Martins. Vesti assumiu a liderança sem o menor esforço e ditou o ritmo rumo ao que parecia ser mais uma vitória tranquila, a quarta na temporada, o que o colocaria definitivamente como homem a ser batido daqui para frente. Só que a DAMS resolveu devolver Arthur Leclerc à pista com um pneu mal colocado, e o resultado não poderia ser outro: a borracha se soltou no meio da corrida e trouxe o safety-car.
Até aí, nenhuma novidade, ainda mais em corrida de F2. Só que a intervenção do carro de segurança aconteceu exatamente na janela de pit-stops dos que largaram com compostos um pouco mais duros. Ou seja: com o grid junto, esses pilotos teriam pneus supermacios e novos para as voltas finais. Seria um milagre apostar em alguém com a estratégia inversa vencendo sob essas condições, e Vesti era justamente um desses pilotos.
A derrota para Verschoor foi frustrante, nas palavras do próprio piloto. “É claro que estou um pouco frustrado depois de liderar com mais de 4s de vantagem e dominar a corrida. Houve um safety-car no fim do qual todos os pilotos que optaram pela estratégia alternativa se beneficiaram muito, mas ainda assim fizemos uma corrida muito forte”, pontuou. “Pegamos muita confiança neste fim de semana e ampliamos a liderança no campeonato, o que também é muito importante. Vamos nos recuperar e estar prontos para Silverstone”, completou.
De fato, foi mais uma corrida forte da Prema, que ainda teve Bearman na chamada estratégia alternativa muito perto de brigar pelo pódio. Isso significa que, apesar dos novos vencedores, é Vesti quem ainda tem nas mãos o poder de ditar o controle do campeonato. Carro para isso ele tem, e o dinamarquês também evoluiu bastante do último ano até aqui, com performances sólidas e disputas mais cerebrais, buscando os pontos quando necessário. Já são três vitórias no ano — duas em corridas principais — e 20 pontos de frente para Théo Pourchaire. O francês, aliás, mais uma vez foi morno e perdeu o duelo particular para o companheiro de equipe Martins, que conseguiu somar mais pontos pela segunda etapa seguida.
Esse é um filme velho, mas dos melhores: a regularidade. Se mantiver a tocada, e ainda tendo a certeza de que dificilmente não será candidato a vitórias, Vesti caminha a passos firmes para devolver à Prema não apenas o título de equipes, como o de pilotos também.
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