Fórmula E adia planos de incluir salários de pilotos no teto de gastos em 2024/25

A Fórmula E pretendia incluir os salários dos pilotos no teto de gastos a partir da temporada 2024/25, mas o entendimento é de que isso poderia afetar o crescimento da categoria. Assim, a nova previsão é de que o plano entre em vigor em 2026/27

Em dezembro de 2021, na última reunião do Conselho Mundial do Esporte a Motor daquele ano, a FIA e a Fórmula E definiram o teto de gastos da categoria para as temporadas seguintes e decidiram que a modalidade teria os salários dos pilotos incluídos neste orçamento a partir da 11ª temporada, prevista para começar em dezembro de 2024. No entanto, de acordo com o portal inglês The Race, esse planejamento não seguirá adiante.

O teto de gastos já é operado na categoria desde a última temporada, a nona de sua história, encerrada em julho com títulos de Jake Dennis, no Mundial de Pilotos, e Envision, no Mundial de Equipes.

A operação é simples: nas temporadas 9 e 10, a Fórmula E prevê um limite orçamentário de € 25 milhões (R$ 132,8 milhões na cotação atual) para as fornecedoras, incluindo gastos de pesquisa e desenvolvimento de motores, atividades de fabricação e serviços de suporte a equipes clientes. Estas, por outro lado, têm seus gastos limitados a € 13 milhões (R$ 69 milhões) — valor que subirá para € 15 milhões (R$ 79,7 milhões) na 11ª edição.

E seria justamente nesta 11ª edição da Fórmula E que os salários dos pilotos seriam incluídos no teto orçamentário, sempre tendo como objetivo apresentar uma categoria sustentável para todas as participantes. Após encontrar resistência de pilotos e algumas equipes, entretanto, a FE decidiu que o plano não entrará em vigor até, pelo menos a temporada 2026/27 — a 13ª da história.

Teto de gastos da Fórmula E segue sem salários até, pelo menos, a temporada 13 (Foto: Fórmula E)

O principal fator na desistência do plano foi a preocupação com o crescimento da categoria. Ao incluir os salários no teto de gastos, a Fórmula E praticamente abdicaria de buscar pilotos em modalidades maiores, como a Fórmula 1, por exemplo.

Caso alguns pilotos da F1 ficassem sem espaço no grid e decidissem partir para a categoria elétrica, em uma situação hipotética, os salários seriam um problema, já que o pico atual da Fórmula E está estimado em € 2 milhões (R$ 10,6 milhões) anuais. Em média, a maioria dos pagamentos gira em torno de € 750 mil (R$ 4 milhões) a € 1,5 milhão (R$ 8 milhões) por ano.

Para efeito de comparação, o menor vencimento da F1 atualmente pertence a Logan Sargeant, que recebe na ordem de € 940 mil (R$ 5 milhões). O maior é de Max Verstappen, com € 50 milhões (R$ 265,7 milhões).

A nona temporada foi a primeira com teto de gastos na Fórmula E (Foto: Fórmula E)

Desta forma, o entendimento da Fórmula E é de que incluir os salários dos pilotos no teto de gastos afastará grandes nomes da categoria no futuro, algo que uma modalidade que se encontra em franco crescimento quer evitar a qualquer custo. Além disso, a complexidade das regras também foi um fator de afastamento dos planos, pelo menos até a 13ª temporada.

“Precisamos lembrar que estamos apenas no primeiro ano do teto de gastos”, disse Roger Griffiths, chefe da Andretti, ao The Race. “Ainda estamos entendendo como exatamente isso funciona, o que será incluído no limite e o que ficará de fora”, avaliou.

“Acho que precisamos ver, pelo menos, uma ou duas temporadas de dados e ficar confortáveis com o trabalho que será feito nisso, na avaliação e nas medições, antes de adicionarmos uma nova camada de complexidade”, pontuou.

O temor da Fórmula E é de que os planos interferissem no crescimento da modalidade (Foto: Fórmula E)

Em uma categoria que reúne equipes reticentes sobre dar chances a novatos — Jehan Daruvala será o único em 2024 —, ficou claro para a Fórmula E que é necessário entender melhor como introduzir novos competidores no grid antes de limitar os salários, pois isso poderia impactar diretamente nos planos de crescimento da categoria para os próximos anos.

A temporada 2023/24 da Fórmula E está marcada para começar no dia 13 de janeiro, com o eP da Cidade do México, no Autódromo Hermanos Rodríguez. No ano que vem, a categoria ainda passa por DiriyahHyderabadSão PauloTóquioMisanoMônacoBerlimXangaiPortland e Londres.

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