Mercedes nega que Russell seja beneficiado em duelo com Hamilton: “Carros são idênticos”
Diretor-técnico da Mercedes, James Allison descartou a possibilidade de a equipe estar beneficiando George Russell em detrimento de Lewis Hamilton, jogando a culpa para cima do "bastante problemático" W15
A grande diferença de desempenho entre George Russell e Lewis Hamilton durante as classificações na temporada 2024 da Fórmula 1 tem chamado a atenção. Apontando para o “bastante problemático” W15 e elogiando a consistência do britânico mais jovem aos sábados, James Allison, diretor-técnico da Mercedes, analisou os fatores envolvidos nessa disputa e ainda rebateu os rumores de que a equipe comandada por Toto Wolff poderia estar beneficiando um piloto em detrimento do outro.
Após nove etapas disputadas até aqui no atual certame, Russell foi mais rápido do que Hamilton na classificação em oito oportunidades, sendo superado pelo heptacampeão apenas no GP do Japão, quando o mesmo largou em sétimo, enquanto o #63 foi apenas nono. Na última corrida, no Canadá, Lewis começou do sétimo colchete mais uma vez e ainda teve de ver George garantir a única pole-position do time de Brackley em 2024.
Allison, por sua vez, admitiu que não esperava ver um discrepância tão grande entre a dupla, mas preferiu destacar os problemas vistos no W15, que, de acordo com ele, se tornou um carro melhor somente nas últimas provas. “Eu não teria previsto um oito a um”, disse James em entrevista ao podcast Beyond The Grid.
“E acho que durante grande parte do ano, o carro tem sido uma fera bastante problemática. Tornou-se um carro muito, muito melhor nas últimas duas ou três corridas e, com isso, acho que os julgamentos sobre quem pode ou não ficar na frente do outro se tornaram mais significativos, porque o carro deixou de gerar números aleatórios”, continuou.

“Lewis, não por acaso, se tornou o melhor piloto de classificação da história do esporte. Mas ele está tendo dificuldades para conseguir repetir o mesmo desempenho este ano por causa de margens muitos pequenas”, observou o diretor da Mercedes, que aproveitou para explicar um fenômeno que está acontecendo com todos os pilotos em 2024, não apenas com Hamilton ou Russell.
“Acho que, até certo ponto, a atual combinação carro-pneu, e não apenas conosco, mas com todas as equipes, não gosta de ser levada ao limite — os pilotos conseguem os melhores tempos de volta quando não estão nem tentando. Todo fim de semana é possível ver alguém fazendo uma volta incrível nos treinos livres ou na classificação, em uma sessão ou outra, mas não conseguindo repetir o feito em seguida”, explicou. “Acho que na classificação é bastante difícil tirar o melhor proveito do carro”, apostou Allison.
No entanto, o engenheiro britânico não quis tirar os méritos de Russell, deixando claro que o britânico de 26 anos está sendo “muito consistente” para conseguir boas posições no grid de largada. “Acho que ele é muito, muito consistente em extrair o melhor do carro na classificação — ele é muito bom nisso. Acho que está muito mais equilibrado aos domingos, e o ritmo de corrida de Lewis tem sido muito forte em relação ao do George em várias ocasiões este ano, mas na classificação, George definitivamente levou a melhor”, apontou.
No GP de Mônaco, após mais uma vez ter sido superado por Russell na classificação, o próprio Hamilton levantou questionamentos sobre o desempenho de seu W15. Na ocasião, o #44 afirmou que “não tinha uma resposta clara” para a queda de rendimento, afirmando ainda que não possuía nenhuma esperança de conseguir derrotar seu companheiro de equipe em 2024. As declarações atiçaram os fãs do piloto, que espalharam a narrativa de que Lewis poderia estar sendo prejudicado, já que trocou a Mercedes pela Ferrari em 2025. James, por sua vez, descartou tal possibilidade.

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“Até onde conseguimos, os carros são idênticos. A configuração de motor é idêntica. Se os carros apresentam ajustes diferentes, é porque foi escolha da equipe de engenharia de cada piloto. Mas eles têm a escolha de ter tudo igual, se assim o desejarem”, esclareceu o engenheiro, antes de explicar especificamente sobre o ocorrido na prova em Monte Carlo.
“Em uma ocasião deste ano, e que ficou famosa, em Mônaco, eles tinham uma asa dianteira diferente no carro porque só tínhamos uma disponível e tomamos a decisão de colocá-la no carro o mais rápido possível, e ela tinha de ir para um dos dois. Tivemos uma conversa e Lewis disse para entregá-la a George”, finalizou Allison.
A Fórmula 1 volta entre os dias 21 e 23 de junho, em Barcelona, com o GP da Espanha, décima etapa da temporada 2024. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como de todas as provas do ano.
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