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Parceria com incógnita Carlin aumenta desafio de Alonso e McLaren para segunda Indy 500
Matheus Leist, ou Matt Leist para os norte-americanos, viveu um 2018 em que quase tudo foi novidade. Fez sua primeira temporada como piloto da Indy, debutou nas icônicas 500 Milhas de Indianápolis, lidou com os desafios de correr por uma equipe sem os mesmos recursos de gigantes do esporte, como Penske e Ganassi e, sobretudo, aprendeu demais. Seu
crescimento foi forjado no fogo — literalmente, como na etapa do Texas —, em bons momentos, como nos treinos livres e na classificação em St. Pete, e em outros mais difíceis ao longo do ano.
Agora, com 21 anos, o jovem nascido em Novo Hamburgo se prepara para sua segunda temporada na Indy com a certeza de que está muito mais maduro e pronto para o maior desafio que se impõe para 2019: evoluir com a equipe Foyt, acumular mais conhecimento ao lado do companheiro de equipe e amigo, Tony Kanaan, e finalmente poder figurar no top-10 das corridas, o que ficou perto, mas não aconteceu no seu ano de estreia.
É sobre aprendizado, também, que Leist abriu a entrevista exclusiva ao
GRANDE PRÊMIO dias depois dos testes coletivos promovidos pela Indy e realizados no Circuito das Américas, no Texas, que vai receber pela primeira vez uma prova da categoria, no dia 24 de março.
Matheus Leist encara seu segundo ano na Indy mais maduro e se sentindo um piloto melhor (Foto: John Cole/Indycar)
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“Acho que a gente vem sempre num aprendizado, em qualquer coisa que faça na vida, vou estar sempre evoluindo. E, constantemente, venho mudando e me tornando um piloto melhor. Então é isso o que sempre procuro, procuro sempre aprender muito e foco sempre muito nas minhas coisas e no que eu posso melhorar”, comentou o piloto.
“Mesmo que nossos resultados não tenham sido os melhores no ano passado, tenho certeza que evoluí muito como piloto e hoje sou um piloto muito melhor, mais experiente, mais maduro. Da mesma forma, para quem eu sou, para a pessoa que eu sou”, salientou Matheus.
Ao ser questionado se a condição de não ser mais um novato impõe mais pressão neste segundo ano na Indy, Matheus discordou. “Muito pelo contrário. Acho que não ser mais um novato me tira muito o peso das costas. Obviamente, cada um encara os desafios e as novas etapas de uma forma, e essa é a forma que eu encaro. Me sinto um piloto muito melhor, já”.
Matheus Leist aposta na evolução ao lado da Foyt em 2019 (Foto: John Cole/Indycar)
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“Ano passado foi um ano de extrema importância, não me senti pressionado em momento algum, muito pelo contrário, sempre me senti muito relaxado. Mas esse ano continua a mesma coisa. Sei do que sou capaz, sei do que a equipe é capaz, e a gente vai tentar trabalhar forte para conseguir melhores resultados neste meu segundo ano na categoria, já que agora vou ter mais experiência, vou realmente estar mais esperto, ter passado por muitas coisas que tive de passar no ano passado e que neste ano não vão ser mais novidades para mim”, assegurou.
A admiração pelo amigo, referência e companheiro de equipe Kanaan
Para dar sequência ao seu plano de seguir aprendendo e evoluindo no seu segundo ano na Indy, Matt continua tendo ao seu lado o parceiro Kanaan. Leist fala do amigo e companheiro de equipe com a admiração que o fã tem pelo ídolo e também pelo grande histórico do baiano, campeão da Indy e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis.
“Nunca poderia imaginar que um dia, no meu primeiro ano de Indy, teria o Tony como meu companheiro de equipe. E ter tido esse privilégio foi super bom para mim. Tentei melhorar e me aperfeiçoar sempre o máximo que pude antes, em toda minha carreira, desde quando corri de F4, de F3 na Inglaterra, depois de Indy Lights, eu nunca tive um bom companheiro de equipe, um companheiro que me ajudasse bastante ou que andasse de igual para igual. Quando tive o Tony, no ano passado, sabia desde o começo que ia ser difícil, que passaria por coisas que nunca tinha passado antes, e acho que isso me fez crescer muito”, contou o gaúcho, lembrando do aprendizado lado a lado com Kanaan.
“Todas as vezes em que a gente ia para a pista, a gente andou sempre perto um do outro, seja em pista de rua, mistos, ovais. Então é um privilégio para mim tê-lo do meu lado ali, principalmente quanto aos ovais. Todo mundo sabe o quanto o Tony é um ótimo piloto em ovais, já ganhou em Indianápolis… Tê-lo ao meu lado, poder extrair tudo o que consigo dele, toda a experiência dele, é um privilégio que poucos pilotos tiveram ou vão ter na carreira. Estou tentando aproveitar a oportunidade o máximo que consigo”, pontuou.
Tony Kanaan é visto como a referência perfeita por Matheus Leist (Foto: John Cole/Indycar)
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Muito mais do que ser companheiro de equipe, Tony acaba sendo sua referência para todas as horas, dentro e fora das pistas. “Fora isso, é uma parceria muito legal. Ficamos bem próximos, fazemos muitas coisas juntos, conversamos muito sobre a equipe, o que a gente precisa melhorar. Então estou muito feliz com essa parceria. Não poderia ter um companheiro de equipe melhor”, comemorou.
Consistência, regularidade e resultados melhores: as metas para 2019
Ainda que a disparidade técnica entre as equipes da Indy não seja tão grande como é na F1, por exemplo, diferenças em termos de estrutura tornam muito mais difícil a tarefa da Foyt de poder brigar por grandes êxitos. Lutar por título e vitórias é algo impensável, ou mesmo pódio parece ser bastante difícil em condições normais. Mas Matheus acredita que, com o crescimento da equipe chefiada por Larry Foyt no aspecto técnico, vai ser mais fácil poder brigar por resultados melhores e figurar com mais frequência no top-10, ou, quem sabe, até entre os cinco primeiros.
Sobre o que esperar para 2019, sobretudo para a primeira corrida, neste próximo fim de semana em São Petesburgo, Leist mostra otimismo, mas com uma boa dose de pés no chão. “É difícil… A gente não sabe ainda onde vai estar andando neste ano, se vamos estar um pouco melhores que no ano passado… Espero que sim, foram muitas mudanças na equipe, bastante coisa nova. Os engenheiros praticamente são os mesmos, mas tivemos muito trabalho na off-season… Vamos ver, acho que a expectativa é boa”.
“Obviamente, a gente precisa ser realista e ver que o que aconteceu no ano passado, do jeito que foi, provavelmente não vai acontecer. Ano passado a gente teve uma super etapa, todo mundo ainda estava conhecendo o carro novo, então aproveitamos a oportunidade e andamos bem. Mas nesse ano, acho que, conversando com a equipe e o Tony, se a gente conseguir andar entre os dez na primeira etapa, vai ser um ótimo resultado para nós”, comentou.
Matheus Leist busca ser mais constante no seu segundo ano no grid da Indy (Foto: Indycar)
Quanto à sequência da temporada em 2019, a grande meta de Leist é ser mais constante, com colocações mais próximas dos ponteiros, e com um olhar voltado já para as 500 Milhas de Indianápolis, no fim de maio. No ano passado, Leist terminou em 13º lugar, sendo o brasileiro melhor colocado na prova vencida por Will Power, da Penske.
“O objetivos é, obviamente, ser mais consistente nesta temporada. Como equipe, a gente pecou um pouco nisso no ano passado. Teve corridas em que a gente andou um pouco melhor, teve corridas em que andamos um pouco mais atrás. Então, não foi muito consistente. Meu objetivo maior é conseguir desenvolver um carro bacana, em que eu e o Tony consigamos andar um pouco mais à frente”, disse.
“E gostaria muito de andar super bem em Indianápolis, o Tony mostrou ano passado que a gente tem um carro que dá para ganhar a corrida. Conseguir colocar tudo junto e, se Deus quiser, a gente vai conseguir resultados melhores. Tomara que a gente consiga chegar em algumas corridas entre os cinco primeiros e, no geral, se manter entre os 12 primeiros na maior parte das corridas do campeonato”, definiu o jovem gaúcho, pensando em como conseguir ter um desempenho semelhante nos mistos e nos ovais.
“Acho que a gente tem de se concentrar, conseguir fazer um acerto melhor. O lugar onde mais sofremos em 2018 foram nas pistas mistas, que tem um composto diferente de pneu. A gente tem de focar também nos ovais curtos, onde também não foi muito bom, então são as nossas maiores fraquezas, vamos assim dizer. Vamos continuar trabalhando para ver se conseguimos tornar o carro mais constante durante toda a temporada”, complementou.
Leist acredita que a temporada 2019 vai ser tão parelha quanto a do ano passado, mas sem ser tão polarizada assim pelas gigantes Penske, Ganassi e Andretti. “Acho que as equipes grandes não sobraram tanto assim como parece. Acho que foi um pouco mais equilibrado. Obviamente, em toda categoria, vão ter as equipes grandes, que vão dominar o campeonato, vão ter as equipes intermediárias, as equipes fracas… Mas acho que foi um campeonato bem equilibrado, para ser sincero”.
“A gente viu várias equipes chegando na frente, várias equipes fazendo pódio, ganhando corrida. Foi um campeonato super equilibrado, e acredito que não vai ser muito diferente neste ano. Acho que a tendência é que as coisas permaneçam mais ou menos parecidas como o ano passado, mas pelo que vimos nos últimos testes, principalmente em Austin e Sebring, que há uma tendência de que equipes que andaram no meio ou mais para trás no ano passado andem um pouco melhor, sim, neste ano”, acrescentou.
Expectativa para Indy 500: Alonso, proteção ao cockpit e o sonho com o leite da vitória
Matheus já venceu em Indianápolis. Foi em 2017, no ano em que correu pela Indy Lights, com o triunfo na chamada Indy 100 como piloto da Carlin. Já na temporada passada, na sua estreia propriamente dita na Indy, Leist fez um bom papel e terminou a prova na volta do líder.
Para 2019, o brasileiro vai ter a chance de dividir as pistas de Indianápolis com Fernando Alonso. O bicampeão mundial de F1 tornou-se um dos grandes amigos do seu companheiro de equipe, Kanaan. Matheus torce para poder estar perto e conversar com o espanhol nos dias de preparação no IMS ao longo do mês de maio.
“Vai ser um momento muito especial na minha carreira. Cresci vendo o Alonso correr na F1. Eu o vi ganhar os dois Mundiais. Então vai ser super bacana. Tomara que consiga encontrar com ele, trocar uma ideia também, além de ser rival dele dentro da pista. Tenho certeza que vai agregar muito à Indy, além do que ele já agregou na última vez que veio correr por aqui”, disse.
Uma das grandes novidades para 2019, justamente a partir das 500 Milhas de Indianápolis, é a adoção de uma nova proteção de cockpit aos pilotos. Não chega a ser ao halo, mas também trata-se de uma solução provisória, com uma proteção definitiva a ser adotada a partir de 2020, explica Leist.
“A Indy vem sempre inovando. A cada ano que passa, a gente vem tentando evoluir em questão de segurança. É uma ideia provisória, que com certeza vai ajudar em certos aspectos, mas ainda não é o projeto final. A Indy vem desenvolvendo, há praticamente dois anos, uma ideia, e tomara que dê certo em algum momento. Os carros passaram por muitos testes e ainda não é viável passar por aquele protetor”, afirmou.
“A gente já passou por testes com o halo também, mas não seria eficiente para o nosso carro, para o tipo de corrida que a gente faz. Então aquela ideia provisória que a gente vai em andar em Indianápolis, e dali pra frente, é para esse ano. E aí, para o ano que vem, a ideia é, sim, ter algo mais evoluído”, emendou o piloto.
Por fim, Matheus fala sobre o sonho de poder cruzar a faixa de tijolos na frente e poder beber o icônico leite da vitória em Indianápolis.
“Cara… Isso é uma coisa que acho que é bem pessoal, cada piloto tem um jeito de ver suas coisas, suas metas. Tento sempre visualizar como vão ser as coisas. Já sonhei ganhando as 500 Milhas várias vezes, trabalho todos os dias nisso. Acho que o ano passado me serviu bastante para ver como são as coisas, como é correr lá e, realmente, é uma corrida muito difícil, requer muitas coisas. Tem de realmente ser o teu dia para poder ganhar. Mas estou lá, estou entre os 33 que vão correr. E, se Deus quiser, vai dar tudo certo. Vou continuar trabalhando forte, dar meu melhor durante os treinos, que é a hora mais importante, e daí seja o que Deus quiser na corrida. Tomara que meu dia chegue, mais cedo do que tarde”, completou Leist.