Na Garagem: Kanaan ofusca final em Fontana e vence na Indy pela última vez
Em Fontana, Tony Kanaan venceu pela última vez na Indy no dia em que ofuscou a disputa de título entre Will Power e Helio Castroneves. Foi o único triunfo do brasileiro na Ganassi
Foi em um 30 de agosto de 2014 que Tony Kanaan conquistou a 17ª e última vitória de sua extensa carreira na Indy. No único triunfo que conquistou representando a Ganassi, o brasileiro ofuscou a batalha pelo título entre Will Power e Helio Castroneves, ambos da Penske, para receber a bandeira quadriculada na frente em Fontana, na Califórnia.
Depois da incrível vitória nas 500 Milhas de Indianápolis com a modesta KV, em 2013, Tony voltou a receber a chance em um titã da Indy quatro anos após a surpreendente saída da Andretti. Inicialmente, Tony pilotaria o carro #8 do time, mas foi transferido ao #10 após o tetracampeão Dario Franchitti anunciar aposentadoria das pistas depois da lesão na coluna sofrida no acidente em Houston.
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Durante a temporada, Kanaan se destacou, como de praxe, nos ovais. Mas acabou demorando a ver a vitória acontecer. Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, Tony relembrou a passagem e destacou a corrida de Iowa, quando liderou por quase 250 voltas, mas foi batido por Ryan Hunter-Reay e Josef Newgarden com duas voltas para o fim.
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“Naquele ano, batemos na trave três vezes. Se olhar em Iowa, liderei a corrida inteira, deu uma amarela no final, o [Josef] Newgarden colocou pneus novos e me passou na volta final. Estava em décimo. Não encaixava. Era uma pressão gigante, porque era companheiro do Dixon, era pra eu estar no carro #8, mas teve a lesão do Franchitti e fui para o carro #10, que era ‘o carro’ que ele ganhou tudo”, comentou.
Tony largou da sétima posição, mas rapidamente se colocou em quarto. Na briga pelo título, Helio era o pole-position, mas logo virou Juan Pablo Montoya e Scott Dixon assumindo as primeiras posições, caindo para terceiro. Will Power foi forçado a fazer uma corrida de recuperação após largar de 21º.
O colombiano ficou na ponta até o terceiro ciclo de paradas, quando viu a crescente Andretti de Hunter-Reay o ultrapassar e assumir a ponta. Já na segunda metade da prova, Castroneves e Kanaan surgiram nos dois primeiros lugares. Hunter-Reay, que estava no páreo, foi quem causou a única amarela da corrida ao rodar sozinho na volta 175.
O sonho do título de Helio acabou encerrado no seu último pit-stop, na volta 217, quando ultrapassou o limite de velocidade nos boxes. Punido, viu Tony assumir a ponta e vencer em dobradinha da Ganassi com Scott Dixon em segundo. Ed Carpenter completou o pódio.
“Não classificamos bem, mas sabíamos que tínhamos um carro bom. Tratei logo de ir lá para frente no começo porque não queria ficar naquele pelotão pelo medo de acontecer alguma coisa, e aí ficou entre eu e o Hélio. Ele tava disputando campeonato e tinha muito mais a perder do que eu, então sabia que não ia jogar muito duro. Quando saiu a punição, minha maior preocupação passou a ser o Dixon. Porque ele estava logo atrás, continuamos mantendo e já sabia exatamente o carro que ele tinha, então era mais tentando administrar os retardatários, poupando os pneus, andando lá em cima para economizar os pneus, para não me expor. Foi relativamente uma corrida tranquila. Não foi fácil, mas foi sob controle”, completou.
Fontana acabou sendo a última vitória de Kanaan na Indy. Ele seguiu pela Ganassi em mais três temporadas, somando mais seis pódios. Se transferiu para a Foyt em 2018, fazendo duas temporadas completas e uma apenas em ovais, com 1 pódio conquistado. A carreira na Indy ainda seguiu por mais três anos, dois deles pela Ganassi, disputando todos os ovais em 2021 e apenas a Indy 500 em 2022, além de uma passagem também só em Indianápolis em 2023.
“Foi um alívio gigantesco, principalmente em termos de pressão. Eu estava me colocando uma pressão muito grande, e foi em uma pista que eu sempre me dei bem, fui campeão de Indy Lights nela, e era a mesma pista que a gente tinha uma birra do cacete porque o Greg Moore morreu nela. Era um misto de sensações, mas aquela vitória fez muito bem. Acabamos o ano bem fortes, o Chip ficou super contente porque tive a vitória, foi um ano muito bom para mim na Ganassi. Tive um ano melhor e depois degringolou de vez. O legal de ganhar a última corrida é o seguinte: você ganha e pode comemorar até março do ano seguinte. Foi super importante, um final de temporada muito feliz”, seguiu.
“Desde que a gente largou, eu tinha bastante condições de controle da corrida. É claro que é uma corrida apertada, então não sabia se ia ganhar ou não iria. Mas sabia que se me colocasse na posição onde estava, ia conseguir brigar no final”, concluiu.
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