Kanaan explica troca de Pourchaire por Siegel e admite: “Sabia que ia tomar porrada”
Ao GRANDE PRÊMIO, Tony Kanaan falou sobre a criticada troca de Théo Pourchaire por Nolan Siegel na McLaren e explicou que piloto francês poderia deixar equipe a qualquer momento
Diretor esportivo da McLaren, Tony Kanaan se viu em meio a um imbróglio a ser gerenciado na temporada 2024 da Indy: o carro #6. Inicialmente, o americano David Malukas foi contratado para guiar o carro, mas uma fratura na mão em um acidente de bicicleta acabou tirando o piloto provisoriamente do posto, dando espaço ao reserva Callum Ilott, que pilotou na primeiras corridas.
Ativando uma cláusula que rescindiu o vínculo com Malukas, a escolha da McLaren foi o francês Théo Pourchaire, atual campeão da Fórmula 2, que foi sacado após seis corridas para dar lugar ao novato Nolan Siegel. A escolha abrupta pelo jovem americano, que venceu as 24 Horas de Le Mans na classe LMP2, acabou gerando críticas pelas trocas frequentes. Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, Tony defendeu a escolha, afirmando que o plano por Siegel era antigo.
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“Em relação ao Siegel, já tínhamos cogitado, conversando com o Ozz Negri, esses caras que viram bastante ele. Nosso projeto com o Siegel era colocá-lo na Juncos por um ano do mesmo jeito que os caras [Andretti] fizeram com o [Kyle] Kirkwood na Foyt, botar o moleque para bater cabeça e trazer ele para cá”, afirmou Kanaan.
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Tony também citou que o ‘toma lá, dá cá’ do time teve origem com Álex Palou. O atual campeão da Indy tinha um vínculo assinado com a McLaren para 2024, mas acabou desistindo do acordo e optando pela permanência na Ganassi, mesmo quando já tinha recebido até valores do acordo. A escolha, entre as poucas opções restantes, foi inicialmente Malukas, que se destacou pela Dale Coyne entre 2022 e 2023.
“Fatos que as pessoas não sabem e algumas coisas que posso te falar. E é aquela coisa, quando você tem certos detalhes que não pode contar, ou as pessoas inventam, ou tomam decisão que acham que foi. O achismo. Quem começou essa história foi Álex Palou, que largou a gente na mão. A merda começou lá atrás. Aí dali para frente, a gente vem tentando apagar o fogo”, disse Tony.
“Aí vou lá e contrato o Malukas. Aí o Malukas vai lá e quebra a mão e fala para mim que vai ficar bom em St. Pete. A gente vai descobrir que o cara ainda tem seis meses. E o que eu falo para um patrocinador? Tem pressão de patrocinador, a gente precisa anunciar alguém, eu sou novo no trabalho. Não sou só eu que tomo a decisão, mas sou eu que estou à frente e eu que sou o Tony Kanaan. Falei para os caras: queria mandar o tanto que as pessoas acham que eu mando. Não foi uma decisão só minha”, seguiu.
Tony também explicou que, apesar do vínculo assinado com Pourchaire até o fim de 2024, o fato do francês ser reserva da Sauber na Fórmula 1 colocou a McLaren em risco, já que a equipe suíça poderia resgatar o atual campeão da Fórmula 2 a qualquer momento, o que deixaria o time papaia na mão caso Pourchaire se destacasse.

“A gente assina o Théo. Ele é piloto reserva da Sauber. O que ninguém sabia é que, realmente, ele vem emprestado para nós, mas a Sauber poderia pegá-lo a qualquer momento de volta. Então, quer dizer, a partir do momento que o Théo começasse a andar bem, ou ele renegociaria, ou eles levariam de volta. E tá tudo certo. A gente precisava tampar um buraco para este ano. Não tinha nada certo para o ano que vem. É lógico que como qualquer empresa, quando você coloca um contrato na frente de alguém, você tenta se proteger. Colocamos uma opção nele, porque acho que é mais do que justo, estávamos investindo no moleque, que tinha sido campeão e tal, mas ia sentar numa fogueira gigantesca. E aí, tive de tomar essa decisão”, seguiu.
Outro fator decisivo da decisão da McLaren foi o fato de Siegel substituir Agustín Canapino no GP de Road America pela Juncos. Na ocasião, Nolan tinha acabado de vencer em Le Mans e foi chamado para o time argentino para correr em Elkhart Lake após Agustin “tirar uma licença” depois da polêmica com fãs, que atacaram Pourchaire virtualmente após um acidente em Detroit.
“O Siegel, estávamos conversando, mas ele estava fazendo a Indy Lights [NXT]. Como ele não ia largar o campeonato, não ia pegar o moleque. Aí ele decide ir lá, no meio daquela história do Canapino e realmente ele iria abandonar a Lights. O que iria acontecer? A Juncos ou alguém iria assinar ele. Era muito óbvio. Tínhamos um relacionamento bom com a Juncos, aí deu aquela cagada toda e separamos. Sentei eu e Zak e falamos: ‘bom, vamos tomar tiro, mas vamos ter de tomar uma decisão’. A partir do momento que eu sabia que estava tranquilo com a minha decisão, sabia que ia tomar muita porrada. Mas ao mesmo tempo, estou pensando no futuro. É o moleque de 19 anos, consigo moldar ele para os próximos anos”, declarou Tony.

O dirigente brasileiro também citou que o projeto com Siegel é de longo prazo, e que os resultados pouco atrativos em 2024 ainda não importam na visão da equipe. Kanaan também apontou que as dificuldades da Indy tornam a categoria mais imprevisível e difícil até para nomes como Pourchaire, que mesmo campeão de F2 e pedido pelos fãs na F2, não teve facilidade em se adaptar.
“A decisão foi essa: vamos tomar porrada agora, mas bota esse moleque. Certeza que não vai dar muito bom esse ano porque é uma categoria extremamente competitiva. Trouxe um cara que ganhou tudo na Fórmula 2, mas olha as corridas do Théo. Tirando a primeira corrida dele…é foda. Os carros são foda. Por que caras como eu, Helio [Castroneves], [Will] Power e [Scott] Dixon duram tanto? Porque a gente conhece tanto o carro que é difícil chegar alguém assim. De uma hora para a outra, aparece um Palou da vida. Se não, é difícil. Demora, então já que temos de construir alguém, vamos investir no moleque. Ele tem talento, nós vamos tomar cornetada, mas isso é algo que consigo moldar ele. De repente, no futuro, não posso ficar só na mão do Pato. O Chip [Ganassi] tem Palou e Dixon, o Roger [Penske] tem três pilotos. Estamos construindo o negócio, mas como é McLaren, como o nome é famoso, você sabe como é, as pessoas vão cornetar. O Zak não é um dos chefes menos polêmicos que existe, ele adora. A gente sabia que ia levar porrada”, concluiu.
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