Leclerc vive nova onda a favor, mas tem de crescer de vez por duelo com Hamilton e título

Charles Leclerc se aproxima do fim da F1 2024 em alta e com Ferrari em momento positivo. Mas vai precisar de mais que isso para os desafios que se avizinham a partir de 2025

A temporada 2024 da Fórmula 1 chega nas últimas semanas e, assim como no ano passado, a reta final aponta uma Ferrari em crescente. É diferente, verdade, e algo a explorar neste texto, mas se trata de uma nova vitória moral para a Ferrari, que conta os bons presságios sem quase jamais capitalizá-los. Os ventos são outros para 2025, sem uma equipe dominante a colocar todos sob as asas, e então é hora de crescer. Recado que serve para o time e sobretudo para Charles Leclerc. Chegou o momento de dar o último passo rumo ao prêmio que o talento prometeu.

Se no ano passado a Ferrari terminou o ano furando o bloqueio da Red Bull com a vitória – de Carlos Sainz – em Singapura e finalizando com sucesso a primeira parte da reconstrução, a expectativa era de abrir 2024 como grande candidata a rival da equipe da marca de bebidas energéticas. Mas o quanto essa rivalidade realmente seria real? A Red Bull, afinal, estava muito na frente. Não era factível um salto tamanho para abrir o ano brigando pelo título.

Acontece que a realidade se impôs. A F1 vira rápido e de maneira inesperada, como há muito não acontecia. O desfile da Red Bull no começo da temporada virou recuperação meteórica da McLaren e claro achatamento nas diferenças das principais equipes do grid. A Mercedes teve um momento ao sol, mas sobretudo a Ferrari chegou para a valsa. Superou a Red Bull no Mundial de Construtores e ainda sonha com superar a McLaren pelo título. Agora, com o panorama de novembro de 2024, caso uma contagem comece do zero a Ferrari e seus pilotos estariam realmente na briga pelos canecos. E por que imaginar que será diferente em fevereiro do ano que vem, ainda com o mesmo conjunto de regras?

É com isso em mente, a possibilidade de vencer, que Leclerc tem de abordar 2025. É hora de crescer, pois. Leclerc é um grande talento, daqueles que não tem fraquezas técnicas. É bom em todos os cantos da pilotagem, tem a confiança da equipe e agora tem também a experiência na categoria, estando na F1 desde 2018 – e na Ferrari desde a temporada 2019.

Charles Leclerc venceu o GP de Mônaco de F1 em 2024 (Foto: Pirelli)

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Mas 2022 e o período da primeira metade da temporada, em que a Ferrari teve condições para pelear contra a Red Bull, deixou lições de um piloto imperfeito, ainda sem uma lança pontiaguda para ir ao combate final contra os melhores do jogo – neste momento, Max Verstappen. Havia um quê de intranquilidade que piorou conforme o carro da Red Bull ganhava campo em relação ao da Ferrari.

É a grande questão. Leclerc tem e aprender a ser um guerreiro silencioso nas trincheiras das guerras que aparecerem, capaz de lançar mão dum instinto assassino tão tranquilo quanto perigoso. Diferente de Lando Norris, uma espécie de Profeta Gentileza das brigas de pista, Leclerc é agressivo e não teme um combate feroz. O problema é apenas a constância de velocidade e a capacidade de se manter na ponta da lança sem errar e deixar que os infortúnios entrem mais do que deveriam na cabeça.

Leclerc precisa ter memória mais curta. É a prova final para se tornar um dos adultos da F1.

Hamilton e Leclerc vão dividir a Ferrari a partir de 2025 (Foto: F1)

Até porque há novo elemento envolvido. Leclerc superou, com impressionante facilidade, um tetracampeão Sebastian Vettel em queda vertiginosa na carreira e um Carlos Sainz, que, salvo pela grande torcida que o espanhol – e o sobrenome famoso – acumulou, nunca foi páreo de fato. Charles se viu encurralado quando teve carros piores, é verdade, o que também mostra a necessidade de lidar melhor com as frustrações, mas a diferença entre os dois sempre foi obtusa quando o carro era bom. São quase 60 pontos antes do GP de Las Vegas, mesmo que Carlos tenha vencido as mesmas duas provas ao longo do campeonato. A partir de 2025, a história tende a ser diferente.

Enfrentar Lewis Hamilton, próximo companheiro, será diferente. Primeiro porque Hamilton chega a peso de ouro, daquelas contratações que sacode os alicerces da categoria, e com moral estratosférica. Não poderia ser diferente, uma vez que trata-se do maior vencedor de corridas e maior campeão da história categoria, dono de números quase inimagináveis não muito tempo atrás. Porque é o símbolo de uma geração, de uma era no esporte.

Lutar um contra um versus Hamilton, caso seja o Hamilton dos bons tempos, que até apareceu em momentos deste 2024 e não o Hamilton fantasma que flutua pelos corredores da Mercedes buscando uma porta de saída recentemente, é algo de outro tamanho. Caso seja um carro campeão, especialmente. Uma rivalidade muito mais robusta, à Nico Rosberg, que à George Russell numa equipe moribunda.

Leclerc precisa ter postura dura na pista. Não necessariamente chegar à garagem vestido de gladiador, como Rosberg gostava de fazer, mas capaz de estabelecer limites. É preciso que seja assim como o piloto com tempo de casa. Sim, Lewis é o heptacampeão com mais de 100 vitórias, mas Charles tem a seu lado o fato de ser o experiente em Maranello, para onde está indo ao sétimo ano. Foi ele quem viveu alguns dos anos mais desesperadores da história da equipe, em 2020 e 2021. Foi ele quem levou à Ferrari de volta às vitórias e em quem a equipe apostou as chaves do futuro.

Charles Leclerc ainda vai ser campeão da F1? (Foto: Reprodução/Charles Leclerc)

Pensando bem, os dois elementos andam juntos. Tanto para ser candidato real ao título como para superar Hamilton em briga que pode rapidamente deixar a fraternidade à margem, Leclerc tem de fazer a equipe sentir que o talento no qual apostaram anos atrás atravessou a última fronteira. É preciso estabelecer os limites na areia e mostrar que o título não é grande demais para o dia a dia.

É preciso colocar o ponto de exclamação no próprio nome como o grande rival de Verstappen entre os pilotos desta geração.

Fórmula 1 agora volta às pistas para o GP de Las Vegas, nos Estados Unidos, entre os dias 21 e 24 de novembro. Depois, realiza corridas no Catar, última sprint do ano, e Abu Dhabi.

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