Guia Fórmula E 2025: Reestruturação tensa faz DS Penske mirar ataque em Porsche e Jaguar

A DS Penske apostou alto na chegada do engenheiro Phil Charles, considerado o responsável pelo sucesso da Jaguar na era Gen3, e terá a primeira oportunidade de colher os frutos em 2024/25. Resultado será importantíssimo para o futuro a longo prazo, já que a equipe não tem permanência garantida na categoria após 2026

De passado extremamente vitorioso sob outra nomenclatura mas um presente ambicioso e ao mesmo tempo imprevisível, a DS Penske é uma das principais personagens do grid da Fórmula E para os próximos dois anos. Esse é o período em que o Gen3 Evo atual estará na pista antes da chegada do Gen4, momento no qual o time ainda não definiu se ainda estará competindo. O fato é que o investimento e a reestruturação foram focados em brigar pelo título a partir de agora, e tudo passa por um nome: Phil Charles.

Diretor-técnico e efetivamente chefe de equipe da DS Penske, Charles é um engenheiro de renome na Fórmula E, considerado o “Adrian Newey dos carros elétricos”. O inglês tem um currículo de respeito, com passagens por Renault e Toro Rosso na Fórmula 1, mas foi na modalidade criada em 2014 que atingiu outro patamar.

Recrutado pela Jaguar após a passagem pela F1, Charles acumulou uma série de funções e praticamente construiu a equipe técnica de uma das maiores forças da Fórmula E atual. Foi após o trabalho do engenheiro que os felinos se colocaram como protagonistas da era Gen3, campeões do Mundial de Equipes com o time de fábrica em 2023/24 e com a cliente Envision na temporada anterior. E é isso que a DS Penske quer.

Curiosamente, a estreia de Charles veio no último eP de São Paulo, exatamente a etapa que vai marcar o início de sua primeira temporada completa na equipe. E o engenheiro chegou à equipe com carta branca para mudar, o que levou a uma série de saídas e contratações, principalmente na parte técnica. As tretas surgiram naturalmente, e nem todas as decisões de Charles foram encaradas de forma positiva internamente.

Será que chegou o momento da DS Penske na Fórmula E? (Foto: DS Penske)

Como exemplo, o ex-diretor de estratégia, Clement Ailloud, declarou ao deixar a equipe que “hoje, esse time e seu espírito estão sendo despedaçados. Então, decidi me afastar. Sei que o futuro será brilhante e divertido em outro lugar, sei o tipo de gente com quem quero trabalhar e sei que corrida e performance podem ser feitas com um sorriso no rosto e um espírito familiar“. Nigel Beresford, gerente, e Thibault Arnal, engenheiro de Jean-Éric Vergne, também foram embora. Ou seja, nem todo mundo ficou feliz com as mudanças, e os relatos de um ambiente tóxico começaram a pipocar.

A reestruturação proposta na chegada de Charles tem sido conduzida de forma dura, o que indica uma formatação bem diferente para a DS Penske na próxima temporada. O fato é que se esperava mais da aliança quando ela começou, no início da era Gen3, mas apenas uma vitória foi conquistada desde então: no eP de Hyderabad de 2023, com Vergne aproveitando uma batida entre os dois carros da Jaguar. Com o sonho de atingir um novo patamar, o controle foi dado a Charles.

E não é como se esse patamar fosse completamente desconhecido para a marca, pelo menos do lado da DS. Ainda como DS Techeetah, a equipe foi campeã de Pilotos com Vergne em 2018/19 e António Félix da Costa em 2019/20, além de ter saído com as duas taças de Equipes nessas temporadas. É, em sua concepção, um time que se acostumou a vencer, mas deixou os dias de glória para trás. Charles surgiu como a mente que pode alterar essa rota, e os primeiros efeitos práticos desse trabalho serão conhecidos em 2024/25.

Grande líder técnico da equipe, Vergne segue para mais um ano (Foto: DS Penske)

A questão é: a DS Penske nem sabe até quando estará na Fórmula E. A equipe não esconde que a questão financeira em torno da permanência para a era Gen4 ainda não foi decidida, o que significa que os próximos dois anos podem ser os últimos no grid. A Stellantis, que controla tanto a equipe como a Maserati, já confirmou que os italianos vão seguir, mas não há nenhum posicionamento em relação ao time preto e dourado.

O prazo, então, é curto, e as mudanças precisam gerar resultados nas duas próximas temporadas. O talento está lá, na forma do bicampeão Vergne, mas o francês simplesmente não teve o conjunto necessário para conseguir brigar. Ainda assim, fez duas ótimas temporadas e aniquilou Stoffel Vandoorne na concorrência interna, deixando claro que faltou apenas um carro melhor para desafiar Porsche e Jaguar. O Gen3 Evo surge como essa esperança, assim como a contratação de Maximilian Günther, e os frutos do trabalho de Charles e cia serão vistos pela primeira vez agora. Depois de algumas decepções, muitas mudanças e tretas internas, chegou a hora de a DS Penske mostrar a que veio.

Fórmula E começa a se preparar oficialmente para a estreia da temporada, já nesta semana, no dia 7 de dezembro, em São Paulo. O GRANDE PRÊMIO fará a cobertura completa do evento, com presença IN LOCO, e do campeonato na íntegra.

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