Pilotos do WRC se juntam a colegas da F1 contra diretrizes da FIA: “Inaceitável”
Pilotos do Mundial de Rali (WRC) se uniram através da Aliança dos Pilotos de Rali (WoRDA) para criticar Mohammed Ben Sulayem e a rigorosidade da FIA quanto a palavrões
Na manhã desta segunda-feira (24), os pilotos do Mundial de Rali (WRC) divulgaram um pronunciamento em conjunto criticando a gestão de Mohammed Ben Sulayem à frente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a rigorosidade do presidente em punições recentes por conta de palavrões.
O pronunciamento critica as “punições impostas [pela FIA] por lapsos linguísticos menores, isolados e não intencionais” e afirma que a situação já chegou a um “nível inaceitável”. Por isso, os pilotos cobram no comunicado “uma comunicação direta” com Ben Sulayem para que uma “solução urgente” seja encontrada.
Além disso, outra crítica da nota é o valor das multas impostas por esses “lapsos linguísticos”, como a WoRDA descreveu. Os pilotos questionam para onde vai todo esse dinheiro e lamentam as “multas exorbitantes e desproporcionais à renda média e ao orçamento no rali”.
O pronunciamento das estrelas do WRC se assemelha em muitos aspectos à iniciativa tomada pela Associação de Pilotos da Fórmula 1 (GPDA) no ano passado. A nota dos pilotos de rali, inclusive, começa revelando uma “inspiração” nos colegas da F1.

No final, a nota foi assinada pelos pilotos e copilotos do WRC, juntamente com membros de destaque do WRC2 e o ex-copiloto de Sébastien Ogier, Julien Ingrassia, que agora trabalha como apresentador de televisão.
A próxima etapa do WRC 2025 está prevista para acontecer entre os dias 20 e 23 de março, com o Rali Safari do Quênia. Até o fim da temporada, a categoria ainda vai passar por Ilhas Canárias, Portugal, Itália, Grécia, Estônia, Finlândia, Paraguai, Chile, Europa Central, Japão e Arábia Saudita.
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Confira a nota divulgada pelos pilotos da WRC na íntegra:
Os pilotos e copilotos de rali da WoRDA, inspirados pelos colegas da GPDA, unem-se para expressar sua opinião, buscar clareza e cooperar em prol de um futuro mais promissor.
Em primeiro lugar, queremos afirmar que, como em qualquer esporte, os competidores devem respeitar a decisão do árbitro. O respeito a esse princípio não está em questão. Não somos todos profissionais em tempo integral, mas todos enfrentamos as mesmas condições extremas com a mesma paixão implacável.
Seja navegando por florestas densas, atravessando estradas congeladas no meio da noite ou por trilhas de brita traiçoeiras, sempre vamos até o limite – contra os elementos, contra o relógio e contra nossos próprios limites. Além de competidores, nosso papel se expandiu. Hoje, os pilotos e copilotos de rali não são apenas atletas, mas também artistas, criadores de conteúdo e figuras constantes na mídia.
Dos smartphones dos espectadores às câmeras oficiais do WRC, espera-se que estejamos disponíveis o tempo todo – antes, durante e após a competição, do amanhecer ao anoitecer.
A WoRDA sempre reconheceu as responsabilidades e o compromisso em colaborar de maneira construtiva com todas as partes interessadas, incluindo o presidente da FIA, para promover e elevar o nosso extraordinário esporte para o benefício de todos.
Nos últimos meses, no entanto, houve um aumento alarmante na severidade das punições impostas por lapsos linguísticos menores, isolados e não intencionais. Isso atingiu um nível inaceitável.
Acreditamos firmemente que:
- Coloquialismos comuns não podem ser considerados e julgados como insultos genuínos ou atos de agressão.
- Falantes não nativos podem usar ou repetir termos sem total consciência de seu significado e conotação.
- Segundos após um pico extremo de adrenalina, é irreal esperar um controle perfeito e sistemático das emoções.
- O rali é extremo: nível de risco para os atletas, intensidade do foco, duração dos dias… todos os limites são alcançados. Dessa forma, questionamos a relevância e validade da imposição de qualquer tipo de penalidade. Além disso, as multas exorbitantes são desproporcionais à renda média e ao orçamento no rali.
Também estamos preocupados com a impressão pública que essas somas excessivas criam na mente dos fãs, sugerindo que esta é uma indústria onde o dinheiro não importa.
Isso também levanta uma questão fundamental: para onde vai o dinheiro dessas multas?
A falta de transparência só amplifica as preocupações e mina a confiança no sistema. Certamente, as impressões negativas sobre essas punições superam o impacto de qualquer lapso linguístico.
Pedimos uma comunicação direta e envolvimento entre o presidente da FIA e os membros da WoRDA para encontrar uma solução urgente e mutuamente aceitável.
Atenciosamente,
Os pilotos e copilotos de rali membros da WoRDA
Sébastien Ogier, Kalle Rovanperä, Ott Tänak, Thierry Neuville, Martijn Wydaeghe, Jonne Halttunen, Martin Järveoja, Vincent Landais, Adrien Fourmaux, Alexandre Coria, Elfyn Evans, Scott Martin, Grégoire Munster, Louis Louka, Takamoto Katsuta, Aaron Johnston, Martins Sesks, Francis Renars, Sami Pajari, Marko Salminen, Josh McErlean, Eoin Treacy, Cándido Carrera, Gus Greensmith, Jonas Andersson, Yohan Rossel, Arnaud Dunand, Oliver Solberg, Elliott Edmondson, Léo Rossel, Guillaume Mercoiret, Dani Sordo, Julien Ingrassia.
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