GUIA 2025: O que ausência em grid da F2 pela 1ª vez diz sobre automobilismo brasileiro?

A categoria de acesso à Fórmula 1 sem um brasileiro no grid é algo que não acontecia desde 2016, quando ela ainda se chamava GP2. Mas o momento atual tem, sim, explicação — ainda que o futuro seja mais nebuloso

O título de Gabriel Bortoleto na temporada 2024 da Fórmula 2 deu ao Brasil uma importante estatística, já que se tornou o primeiro país a ter mais de um piloto campeão da categoria desde a sua criação, em 2017. O primeiro a alcançar o feito carregando o pavilhão verde e amarelo foi Felipe Drugovich, em 2022, e desde sempre, ao menos um competidor brasileiro esteve no grid. A única vez, aliás, que isso não havia acontecido fora em 2016, na extinta GP2. Bom, em 2016 e também agora, este ano, já que nenhum dos 22 inscritos correrá com a bandeira do Brasil bordada no macacão.

É, claro, um fator histórico, ainda que o país tenha ficado sem um representante na categoria máxima dos monopostos, a Fórmula 1, pelos últimos oito anos. Mas com oito títulos mundiais nas costas e enorme tradição nas pistas, a ausência no grid da F2 2025 não é tão alarmante quanto possa parecer, e isso pode ser facilmente explicado pela trajetória do próprio Bortoleto.

Já era notável no segundo ano de FRECA que havia nele potencial para conquistas maiores, tanto que Fernando Alonso não perdeu tempo para colocá-lo debaixo do seu guarda-chuva. Quando chegou à Fórmula 3, pouco se imaginava que ele fosse ser um dos grandes destaques, ainda mais liderando o campeonato de ponta a ponta.

Veio, então, a Fórmula 2, e a expectativa de um grid muito mais acirrado se cumpriu. Gabriel precisou de algumas rodadas para atingir velocidade e consistência necessárias para bater de frente contra Paul Aron e Isack Hadjar, que despontavam como principais postulantes ao título. Com direito a uma performance apoteótica na rodada da Itália, sacramentou o segundo título seguido na base como estreante.

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Fórmula 2 retorna sem brasileiro no grid (Foto: Reprodução/F2)

A ascensão meteórica de Bortoleto, portanto, foi uma surpresa, já que não seria nenhum absurdo imaginar ao menos um ano de adaptação na F2 antes de realmente brigar nas cabeças. E, inevitavelmente, ficou uma lacuna para ser preenchida no grid este ano, uma vez que Rafael Câmara, outro jovem muito promissor, ainda precisa trilhar o concorrido caminho da Fórmula 3 depois de conquistar o título na FRECA em 2024.

Câmara, aliás, é um nome que reforça o ótimo momento atual do Brasil na escada da F1. Integrante da academia da Ferrari, é uma das apostas para a temporada 2025 e pode tranquilamente seguir os passos de Gabriel, inclusive se destacando já no ano de estreia. Isso aceleraria a subida natural para a F2 no ano que vem, mas é preciso dosar a expectativa e entender que o mais natural é isso acontecer somente em 2027.

O que ninguém tem dúvidas é de que ele vai chegar lá, sendo o quando a única resposta a ser dada. Mas e depois? E não, não é sobre o depois da F2, no sentido de haver alguma chance para Câmara brigar por um lugar ao sol entre os ditos 20 melhores pilotos do mundo. A questão aqui cai sobre a sucessão a Rafael, que neste instante parece muito incerta.

Pedro Clerot vai disputar o segundo ano de FRECA com a Van Amersfoort, que não é exatamente um time de ponta na base. Em 2024, ficou em oitavo lugar, mas chegou a conquistar dois pódios. Matheus Ferreira vai de F4 Italiana, talvez a mais chamativa das F4, mas eles e qualquer outro que inicie essa caminhada levará tempo até chegar à F2, e se chegar — afinal, não podemos esquecer que os jovens que estão em classes júnior necessitam de patrocínio para manterem as vagas em determinado campeonato.

É por isso que 2025, de certa forma, também acende um pequeno alerta para o que será do futuro do automobilismo brasileiro no ‘Road to F1’, que por mais tradição que tenha, sempre estará um degrau abaixo do europeu em termos de oportunidade, e isso inclui os pilotos. A melhor vitrine para o Brasil nesse momento seria Bortoleto explodir na F1. Só ver a quantidade de jovens vindos dos Países Baixos na esteira do sucesso de Max Verstappen. Mas sem jogar pressão sobre o rapaz, claro, o melhor mesmo é curtir o momento e deixar o destino seguir o seu curso.

A Fórmula 2 retorna neste fim de semana com a rodada da Austrália. As atividades de pista abrem na noite de quinta-feira (13), horário de Brasília, com o treino livre às 20h. Depois, às 3h30 de sexta-feira (14), os pilotos realizam a classificação. Na madrugada de sábado (15), à 0h15, acontece a largada da corrida sprint, enquanto a corrida principal será às 21h30 de sábado (15). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da temporada 2025.

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