Austrália propõe Ferrari x McLaren, mas vê Mercedes perto e Red Bull em apuros
A primeira sexta-feira (14) da temporada 2025 da Fórmula 1 terminou com um cenário mais equilibrado do que se esperava após o fim dos testes no Bahrein. A McLaren ainda parece à frente, mas a concorrência da Ferrari é forte. A Mercedes, embora em um programa técnico bem diferente, pode surpreender, enquanto a Red Bull se viu às voltas com contratempos que lembraram a pré-temporada
A Fórmula 1 2025 deu o pontapé inicial nesta sexta-feira (14) na Austrália e já mostrou que nem tudo é o que parece. Em um circuito bem diferente do usado na pré-temporada e sob temperaturas mais altas, foi possível começar a entender a ordem de forças do Mundial — ao menos no Albert Park. E desta maneira, o primeiro dia de treinos livres provocou e propôs um confronto entre Ferrari e McLaren. A equipe laranja, favorita do campeonato, liderou a sessão inaugural com Lando Norris, enquanto a escuderia fechou o dia com a melhor marca, na veloz performance de Charles Leclerc. Mais do que os tempos, é importante dizer: o desempenho geral revelou um grid mais parelho do que o apresentado no Bahrein, há duas semanas.
Isso porque a Ferrari exibiu um ritmo bem mais consistente em Melbourne. A escuderia se dedicou ao trabalho de preparação do giro único, ou seja, certificou-se de colocar os pneus na melhor janela de funcionamento, tirando proveito de uma pista mais emborrachada na tarde australiana e do calor, em um asfalto que passou dos 40ºC. E Leclerc alcançou 1min16s439 na segunda volta rápida, alterando um pouco os protocolos, porque conduziu a passagem anterior de forma mais lenta. A SF-25 também se mostrou rápida na parte final do traçado, o que fez diferença para a performance. Sem dúvida, os italianos chegam fortes para a classificação deste sábado. Esse era um dos pontos de maior atenção dos engenheiros neste novo projeto, uma vez que a disputa das posições de largada foi o calcanhar de Aquiles em 2024.
No entanto, foi o ritmo de corrida que chamou a atenção. Na comparação com os rivais papaias, Charles foi 0s2 mais lento em média, em cima de pneus médios (C4), virando na casa de 1min22s1. Lewis Hamilton também simulou condições de corrida, mas ficou um pouco mais atrás, andando em 1min22s2 — como efeito de análise, Lando Norris guiou em 1min21s9. É destaque o fato de que a Ferrari foi capaz de minimizar o desgaste de pneus e ainda empatou com a rival inglesa no que diz respeito à velocidade de reta.
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“Sinceramente, estamos em boas condições, em ambas as situações, tanto em volta única quanto em ritmo de corrida, mas o mais importante neste fim de semana será nos adaptarmos à pista e às condições. Amanhã haverá muito mais aderência, e a temperatura estará um pouco mais alta. Para domingo, não sabemos, então precisamos ser capazes de antecipar o nível de aderência neste fim de semana. Este é o grande desafio em Melbourne”, disse o chefe Frédéric Vasseur.
A única ressalva aqui é Hamilton. O heptacampeão enfrentou problemas de adaptação ao longo deste primeiro dia e se queixou da dirigibilidade do carro, mas foi capaz de se aproximar de Leclerc à tarde, quando terminou o dia em quinto, 0s4 atrás do líder. “Honestamente, o carro pareceu muito diferente nessa pista, então tomou um pouco de tempo no primeiro treino. No segundo treino, tudo pareceu melhor”, revelou Lewis, que emendou: “O carro não parece ruim nem nada, só requer uma maneira diferente de guiar, então estou ajustando meu estilo aos poucos.”
“Ainda estou me acostumando com todas as mudanças de configuração. Não tenho tudo a mão como costumava ter, obviamente, na Mercedes, porque estive lá há tanto tempo que sabia exatamente todas as mudanças de acerto. Então, ainda estou trabalhando para entender quais ferramentas podemos usar aqui”, completou o piloto da Ferrari.
Oscar Piastri e Norris ficaram a 0s1 do melhor registro de Charles e da Ferrari ao fim da sexta-feira. O australiano conseguiu superar o companheiro e já se coloca no páreo. O desempenho de ambos também sanou as dúvidas sobre o ritmo de classificação dos papaias, algo que não apareceu no Bahrein. A McLaren é favorita à pole neste sábado, embora Lando tenha demonstrado certa preocupação com a performance em volta única. Ainda assim, a grande arma dos laranjas é realmente o ritmo em condições de prova. Norris foi o melhor entre os concorrentes.

“Foi um bom começo de fim de semana, temos uma boa base, mas certamente não estamos felizes, como não estamos confiantes com o carro em termos de encontrar o melhor equilíbrio e ser consistente o suficiente, especialmente com pouco combustível. Com o carro mais pesado, me senti bem. Só que, com menos combustível, o comportamento me lembrou o Bahrein, com muitas inconsistências, muitos problemas, então foi um pouco difícil”, reconheceu o piloto #4.
Já o chefe Andrea Stella minimizou o caso. “Uma sessão relativamente tranquila, sem grandes problemas. Isso nos permitiu executar nosso plano e verificar o comportamento do MCL39 aqui na Austrália, que é um circuito muito diferente do Bahrein, onde realizamos testes de pré-temporada. Acho que vimos que o carro se comporta como esperado, o que é uma boa notícia. Com base no que vimos hoje, temos algum trabalho a fazer em termos de otimização, mas, no geral, foi positivo.”
Mas se as duas ponteiras atravessaram a sexta-feira sem muitos sustos, o mesmo não se pode dizer da Red Bull. A equipe austríaca até passou ilesa pelo primeira treino livre, mas acabou envolvida em uma série de contratempos à tarde. O problema é que Max Verstappen não aprovou os elementos novos — assoalho e suspensão, especialmente — e se queixou também da dirigibilidade. De fato, o RB21 pareceu ainda muito arisco.
O tetracampeão concluiu o dia com a sétima marca, 0s6 atrás de Leclerc. No entanto, Max perdeu um tempo precioso durante a sessão vespertina, quando foi necessária a troca de toda a suspensão dianteira. Mesmo assim, foi capaz de completar uma curta simulação de corrida com os pneus médios — em termos de ritmo, ficou atrás das duplas de Ferrari e McLaren e também de George Russell.
“Não houve problemas grandes ou importantes, mas de alguma forma a aderência não estava funcionando e houve dificuldades com os pneus, na verdade, no setor 1 e no fim. Isso significa, é claro, que não estamos realmente aonde gostaríamos”, explicou o piloto #1, que demostrou apreensão. “O problema é que não é como se tivesse grandes questões de equilíbrio, então acho que será um pouco difícil consertar.”
“Mas também não é nada que eu não esperasse quando cheguei aqui, então não estou surpreso nem positiva nem negativamente com o ritmo que estamos mostrando”, acrescentou Verstappen.
E no meio de tudo está a Mercedes. A equipe alemã ficou longe da ponta de cima da tabela de tempos. Russell foi o 10º colocado, enquanto o estreante Andrea Kimi Antonelli terminou em 16º. É bem verdade que o W16 enfrentou mais problemas com os pneus macios (C5). Na volta única, ambos os pilotos tiveram dificuldades de administrar o desgaste, o que já é uma motivo de preocupação para Toto Wolff e companhia. Por outro lado, o ritmo de corrida foi bem interessante. Na verdade, a octacampeã foi a única do grid a conduzir os ensaios em especificação de prova com os pneus duros (C3). E nesse cenário, Russell conseguiu se colocar entre McLaren e Ferrari, que deram prioridade aos médios.
“Foi um dia de altos e baixos porque toda vez que usamos o pneu médio ou duro, ficamos entre os dois primeiros na tabela de tempos e cada volta foi boa. Então colocamos o macio e não fomos muito mais rápidos”, afirmou o inglês. “Claramente há um pouco de ritmo no carro e ele está tirando o máximo proveito dos pneus, então precisamos entender o porquê disso. Obviamente, não se classifica com o pneu duro ou médio, apenas com o pneu macio e não parecemos tão competitivos com isso. Tenho certeza de que podemos encontrar algumas melhorias esta noite”, concluiu.

De toda a forma, a disputa das primeiras filas se desenha entre McLaren, Ferrari, Red Bull e Mercedes, mas, diante desta sexta-feira, é prudente não descartar os times do bloco intermediário, como Williams, que apresentou um trabalho sólido ao longo do dia, Alpine, apesar dos problemas nos freios, e a surpresa Racing Bulls, que viu seus dois pilotos no top-6. E é preciso lembrar também que a classificação deste sábado será ainda mais importante, porque, além do Albert Park possuir um traçado de difícil ultrapassagem, a previsão de chuva para o domingo torna tudo mais complexo.
A Fórmula 1 abre a temporada 2025 entre os dias 13 e 16 de março, no GP da Austrália, em Melbourne. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL. Os horários se repetem com o TL3 realizado às 22h30 da sexta-feira (de Brasília, GMT-3), enquanto a classificação define o grid de largada começando às 2h do sábado (15). Por fim, a largada está marcada para a 1h do domingo (16). Tanto classificação quanto corrida terão transmissão do GP em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para comentar na GPTV após o fim de cada dia de atividades.
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