Marc Márquez assume que premeditou abandono tardio do grid: “Conheço as regras”

Marc Márquez reconheceu que deixou para abandonar o grid do GP das Américas instantes antes da largada na expectativa de ser acompanhado por um grupo de pilotos e, assim, escapar de punição por conta de uma largada adiada

Pilotos saem correndo para o pit-lane e trocam motos para pneus slick em Austin (Vídeo: MotoGP)

Marc Márquez assumiu que o abandono tardio do grid no GP das Américas de domingo (30) foi premeditado. O piloto da Ducati destacou que “conhece bem as regras” e agiu na expectativa de ser seguido e, assim, ver a largada abortada.

Pouco antes da largada, a chuva que já tinha condicionado a corrida da Moto2 voltou a cair no Circuito das Américas, levando a direção de prova a declarar uma corrida em pista molhada. A maioria dos pilotos optou por pneus de chuva, com exceção de Brad Binder, Enea Bastianini e Ai Ogura, que apostaram nos slicks.

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Três minutos antes da largada, porém, Marc Márquez, que não tinha subido na moto, saiu correndo em direção ao pit-lane, sendo imediatamente seguido por Francesco Bagnaia, Fabio Di Giannantonio e mais um grupo de pilotos.

A direção de prova, então, acionou a bandeira vermelha, devolvendo todos os pilotos ao pit-lane. Assim, todos trocaram de moto e retomaram as posições originais no grid, também sem receberem punições.

Marc Márquez abandonou grid no último instante de caso pensado (Foto: Ducati)

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Após a corrida, Marc admitiu que deixou para abandonar o grid no último instante, já que imaginou que seria acompanhado e, assim, poderia escapar de sanções.

“Realmente conheço as regras, como fazer e como estar no limite o tempo todo”, disse Márquez. “Perguntei a [Marco] Rigamonti sete minutes antes da largada se a moto estava pronta. Ele me disse que sim, e aí eu disse a ele que talvez deixasse o grid”, relatou.

“Por quê? Pois eu previ que, quando saísse… Vi que os pneus de chuva não eram a estratégia correta”, assumiu. “E aí previ que mais de dez pilotos me seguiriam, e aí parariam a corrida. Foi isso que aconteceu. Mas, é, fizemos tudo bem, tudo perfeito, tudo estava claro, mas cometemos um erro na curva 5”, acrescentou.

A previsão de Marc, contudo, não foi certeira, já que exatamente dez pilotos abandonaram o grid naquele momento. Luca Marini, Fabio Quartararo e todos os demais que se classificaram abaixo do 13º posto permaneceram no grid. O fiel da balança, porém, foi Maverick Viñales, que, no meio da correria, se viu a pé na reta, com a moto já removida para o pit-lane. O espanhol pediu o retorno da RC16, o que acionou a bandeira vermelha.

Maverick Viñales ficou sem moto no grid e causou bandeira vermelha (Vídeo: Reprodução/MotoGP)

O Artigo 1.18 do regulamento da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) explica o cenário visto em Austin.

“Todos os ajustes devem ser completados até a placa de três minutos. Depois da exibição dessa placa, os pilotos que ainda desejam fazer ajustes devem empurrar a moto para o pit-lane. Tais pilotos e as máquinas deles devem estar fora do grid e no pit-lane antes da exibição da placa de um minuto, onde podem continuar a fazer ajustes, ou trocar a máquina apenas na MotoGP”, diz o texto. “Tais pilotos vão começar a volta de aquecimento do pit-lane e iniciar a corrida no fundo do grid, desde que, apenas na MotoGP, não sejam feitas trocas de pneu relacionadas ao clima”, segue.

“Os pilotos da MotoGP que fizerem qualquer mudança de pneu relacionada ao clima (de chuva para slick ou vice-versa, dianteira, traseira ou ambos) neste momento, em comparação com os pneus com os quais deixaram o grid (se a mesma máquina for usada para iniciar a corrida) ou com os pneus usados na última saída para a volta de alinhamento (quando uma máquina diferente é usada para começar a corrida), começarão a volta de aquecimento no pit-lane, assumirão a posição de classificação no grid e terão de cumprir um ride-through quando instruídos pela direção de prova (normalmente entre as três primeiras voltas da corrida)”, detalha.

Outro ponto do regulamento, porém, determina que, se mais de dez pilotos “forem começar a corrida da saída do pit-lane, a largada será atrasada e um novo procedimento vai ocorrer (procedimento rápido)”.

Diretor de prova da MotoGP, Mike Webb enviou um comunicado à imprensa para explicar a razão de a bandeira vermelha ter sido acionada. De acordo com o dirigente, a segurança foi a prioridade.

“Nós optamos por adiar e depois fazer um rápido procedimento de largada por preocupações com a segurança. Devido ao alto número de pilotos, motos e integrantes de equipes no grid e na área dos boxes, era impossível fazer a volta de aquecimento”, disse Webb.

“Uma nova largada foi o caminho mais seguro para responder as circunstâncias sem precedências na largada da corrida. Vamos analisar a situação junto com as equipes e rever o regulamento”, acrescentou.

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