Verstappen apresenta melhor versão, mas já demonstra insatisfação em caldeirão Red Bull

Max Verstappen vive um auge técnico duradouro indiscutível, mas que não parece suficiente para garantir o penta da F1 em momento tão conturbado da Red Bull. E assim, em meio ao caldeirão energético, o papo de saída do neerlandês já voltou a ganhar força, especialmente pelas palavras de um imparável Helmut Marko

Max Verstappen vive um início de temporada daqueles. Ainda que a pontuação indique uma proximidade grande com o líder Lando Norris, a performance mostra como o neerlandês começa o ano atrás do principal rival no momento em termos de equipamento. E é crucial que isso mude imediatamente para o sonho do penta da F1 permanecer vivo em 2025.

Não de graça, a Red Bull preparou a tal reunião de emergência após sofrer no GP da China e saiu de lá com duas resoluções impostas pelo próprio piloto: o foco total no GP do Japão e os resultados voltando de maneira imediata. Max sabe, no fim, que pode ficar tarde demais para reagir caso a McLaren aproveite todo potencial que tem.

É que, por mais que 2024 tenha sido uma temporada dura para os energéticos, a McLaren começa 2025 muito mais forte: não perdeu corridas antes de uma atualização parruda e tem um carro que parece ainda mais versátil, casando bem com todo tipo de pista ou condição. Ou seja, não vai adiantar muita coisa Verstappen passar o ano todo reduzindo danos como fez em parte de 2024 porque os papaias não precisam tirar gordura alguma e estão ainda mais poderosos. Max precisa, desesperadamente, de mais vindo da equipe.

Em paralelo a isso, o fim da linha de Liam Lawson na Red Bull. Após incríveis duas corridas, o neozelandês foi rebaixado, com Yuki Tsunoda recebendo a esperada promoção. Importante que seja registrado: Verstappen não gostou e não fez a menor questão de esconder isso, chegando até a curtir uma postagem em que o ex-F1 e compatriota Giedo van der Garde chamava de “bullying” o que a equipe fez com Lawson.

Max Verstappen terminou o GP da China fora do pódio mesmo lutando bastante (Foto: AFP)

Pode parecer bobagem, mas isso tudo tem um peso lá na frente, em um ano que é tão crucial para a renovação de contrato de Verstappen com a Red Bull. Depois de muito ter tido a permanência ameaçada pelo pai, Jos, em 2024, em meio ao caos especialmente gerado pelo ‘Caso Horner’, 2025 se apresenta com a fritura de Lawson e com esse carro problemático.

Agora, porém, nem é Jos o mais vocal sobre uma possível saída, mas Helmut Marko, justamente um dos grandes responsáveis pelo que acontece no momento com Lawson, aliás. O consultor do time, em poucos dias, já disse que “será difícil segurar Max sem um carro vencedor”, que até o recesso o neerlandês se decide e, ainda, que pode se aposentar da F1 em caso de saída de Verstappen. Muito mais do que uma informação, o tom do discurso de Marko é de cobrança pública na própria equipe.

No fim das contas, provavelmente só Verstappen saiba o que vai fazer da vida nos próximos anos, mas o neerlandês não vai largar o osso na briga pelo penta. A redução de danos precisa acabar e o RB21, enfim, aliar velocidade a um cuidado maior com os pneus, um trato melhor nas curvas. Há margem para tal, o estilo de tocada de Max ao menos está no carro, o que precisa fazer a Red Bull acreditar.

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Helmut Marko tem pressionado a Red Bull com o contrato de Max Verstappen (Foto: Red Bull Content Pool)

É importante também que o discurso que prega que o trabalho continue mesmo em ano véspera de novo regulamento seja posto em prática, afinal a margem de vantagem da McLaren é boa e, dificilmente, os papaias vão se acomodar. Não basta só se afastar de Ferrari e Mercedes, no fim das contas.

O cenário de momento está posto: Verstappen hoje não tem meios de ser campeão mesmo sendo indiscutivelmente o melhor piloto do grid nos últimos anos. Resta a Red Bull tentar acalmar um pouco o borbulhante caldeirão que se transformou e, assim, desbloquear potencial em um carro que tem a cara do piloto, mas que ainda não apresenta performance. Se ficar com equipamento ao menos próximo das McLaren, a chance de sucesso já passa a ser bem considerável, como a campanha do tetra já mostrou lá atrás.

Fórmula 1 volta nesta semana, de 4 a 6 de abril, em Suzuka, palco do GP do Japão, terceira etapa da temporada 2025.

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