F1 chega ao Japão com primeiras atualizações à prova em luta desenfreada contra McLaren
Não é dos melhores circuitos para se testar atualizações por ser muito peculiar, mas o domínio da McLaren nas duas primeiras etapas da temporada 2025 fez com que as principais rivais se adiantassem em novidades nos carros na técnica pista de Suzuka. Só que a previsão aponta chance de chuva, e se isso acontecer, haverá ainda mais pontos de interrogação do que certezas para o Bahrein, na semana que vem
A tentativa de ajustar uma logística cada vez mais insana fez com que o clássico GP do Japão, palco de tantas decisões de títulos ao longo da história da Fórmula 1, fosse jogado para o começo da temporada. Isso significa que se antes as equipes chegavam à técnica Suzuka com a linha de desenvolvimento totalmente traçada e poucos ajustes ainda a serem feitos, a corrida japonesa de 2025 será a primeira cobaia de uma temporada que começou com a McLaren enfiando o pé no acelerador sem dó, para desespero de Red Bull, Ferrari, Mercedes e companhia.
Não que Suzuka não seja aguardada pelos pilotos, muito pelo contrário. A natureza singular do traçado, com curvas muito técnicas e velozes, além do formato em oito que o torna horário e anti-horário ao mesmo tempo, ainda é venerado, mesmo tendo ficado um tanto obsoleto por ser considerado estreito para o tamanho dos carros de hoje. A questão é que mesmo com mais 22 corridas pela frente, não há tempo a perder, portanto será essa pista tão singular que verá em jogo importantes atualizações, a começar pela Ferrari.
A escuderia italiana começou 2025 vivendo o mais belo dos sonhos e com a Itália inteira em clima de Copa do Mundo. Também pudera: desde Michael Schumacher, a Ferrari sofre da eterna carência de não ter um grande ídolo para chamar de seu, e um ídolo vitorioso. A chegada de Lewis Hamilton representou, portanto, a luz no fim do túnel para uma torcida que não sabe o que é ter um piloto campeão na F1 há 18 anos.
Claro que a realidade tem sido muito mais conturbada, e isso porque Hamilton está passando pelo que qualquer piloto que muda de equipe passa: adaptação. É tudo muito novo ainda, tanto que a Ferrari corre contra o tempo para deixar o ambiente o mais familiar possível, a começar pelo volante. Mas esse é talvez o menor dos problemas, ou talvez o mais ‘simples’ de se resolver.

Acontece que a Ferrari começou 2025 subestimando as rivais, ou talvez superestimando a si própria. Mesmo com a vitória de Lewis na corrida sprint da China — e, diga-se, muito contundente, com excelente gerenciamento de pneus no abrasivo asfalto de Xangai —, a SF-25 revelou um problema complexo quanto à operacionalidade por conta de uma suavidade excessiva. Segundo a imprensa italiana, uma das causas para o desgaste excessivo do assoalho de Hamilton na China, que acabou gerando a desclassificação do #44, seria a suspensão traseira, em conjunto com a nova caixa de câmbio.
Espera-se, então, que os carros de Hamilton e Leclerc tenham já no Japão um novo assoalho para que, de acordo com La Gazzetta dello Sport, “controle melhor as diferenças entre a parte de cima e a de baixo do carro”. Mas é difícil prever que a equipe consiga já em Suzuka algum progresso significativo o bastante para não apenas fazer frente à McLaren, como também parar a Red Bull de Max Verstappen e a atrevida Mercedes de George Russell. Independentemente das desclassificações, a Ferrari deixou as duas primeiras rodadas atrás dessas equipes.
A situação, no entanto, também não é das melhores nas garagens taurinas, que ainda vive em estado de negação desde que Verstappen passou a não bastar mais para brigar por algo no Mundial de Construtores. Mas enquanto Helmut Marko bate cabeça com o troca-troca no assento nº 2, o corpo técnico se vê em situação ainda mais complicada por ter de resolver a limitada janela operacional do RB21. E isso depois de terem deixado o bólido mais equilibrado, ao menos nas palavras de Christian Horner.
A esperança para o Japão é o retrospecto favorável de Verstappen por lá, o único a vencer em Suzuka desde a introdução do atual regulamento. Tal histórico deve, portanto, fazer com que a equipe austríaca ao menos chegue bem preparada, pronta para se aproveitar de qualquer vacilo dos carros laranjas. É possível também que as primeiras atualizações sejam vistas, embora Marko tenha falado que a meta era evoluir “de três a cinco corridas“. Outro ponto que tem sido um fator preocupante é o alto desgaste de pneus, e o Japão é conhecido por ser abrasivo — a Pirelli, aliás, separou a gama mais dura, C1, C2 e C3 para a etapa.

Nesse ponto, a Mercedes tem bem mais a comemorar, pois a borracha mais dura só ajuda o W16, que demonstra dificuldades com os compostos mais macios da gama da Pirelli. Além disso, finalmente tem nas mãos um carro mais fácil de ser compreendido e trabalhado dentro do atual regulamento. Na Austrália e na China, foi a grande oportunista, mas teve, sim, ritmo melhor que Ferrari e Red Bull para arrancar dois pódios com Russell. Talvez não seja categoricamente a segunda força, mas realmente é quem tem aproveitado melhor as chances que surgem.
Tudo isso, claro, para bater a McLaren, que até agora nada em águas tranquilas quando o assunto é o equipamento que tem nas mãos. A dor de cabeça que poderia ter por conta do barulho da Red Bull em torno das asas traseiras não aconteceu, e Lando Norris e Oscar Piastri ensaiam luta interessante entre si que pode ser a grande chave para as adversárias. A própria história já tratou de mostrar que rivalidades ferrenhas no time de Woking podem dar muito certo e não interferir em títulos (Ayrton Senna × Alain Prost) ou muito errado (Fernando Alonso × Lewis Hamilton), e a equipe costuma pagar para ver qual será o rumo da vez. A dupla atual, por exemplo, é muito talentosa e rápida e de potencial igualmente explosivo. Por enquanto, está 1 a 1 em vitórias em duas corridas realizadas, e se nada de anormal acontecer, Suzuka chega justamente para desempatar o jogo.
Agora, a atenção terá de ser redobrada com dois itens: o primeiro, o recapeamento da pista, que promete “alta aderência, boa drenagem e uma superfície superplana”. Na China, no entanto, o asfalto novo gerou desgaste excessivo nos pneus e bagunçou as estratégias para a corrida. O outro ponto é a chuva, pois há uma previsão para o domingo, da mesma forma como em Melbourne. E no asfalto molhado, Verstappen dispara nas casas de apostas.
E para não dizer que não falamos da ‘F1 B’, quem promete novidades e demonstrou otimismo para voltar a brigar por pontos foi a Sauber. Depois de duas etapas muito oscilantes, o time de Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg planeja mudanças no sidepod e conta com o feedback do experiente alemão para seguir a linha de desenvolvimento.
Quanto a Gabriel, o foco será mais uma vez no aprendizado. Suzuka é das mais singulares pistas do calendário e vai exigir concentração e dedicação, coisas que ele já demonstrou ter. Mas é preciso pé no chão para, de fato, se colocar em uma hipotética briga por pontos, ainda mais pela proximidade das equipes que hoje compõem o pelotão intermediário. Williams desponta como a força deste segundo grupo, com uma RB que ainda não mostrou totalmente a que veio e uma Haas que continua ousada nas táticas sob a batuta de Ayao Komatsu.
São, por isso, muitas possibilidades, tanto na parte de cima quanto na parte de baixo, e não é exagero dizer que aquela que menos errar terá vantagem sobre as demais.
A Fórmula 1 realiza o GP do Japão, em Suzuka, entre os dias 3 e 6 de abril, terceira etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. Por conta do fuso, o treino livre 1 acontece na noite de quinta-feira (3), às 23h30 (de Brasília, GMT-3). Depois, às 3h de sexta-feira (4), realizam a segunda sessão. Ainda na sexta, às 23h30, eles retornam para o terceiro treino livre, ao passo que a classificação será na madrugada de sábado (5), às 3h. Por fim, no domingo (6), os pilotos disputam o GP do Japão às 2h. O Briefing chega para comentar na GPTV após o fim de cada dia de atividades.
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