CEO da McLaren admite vontade de “criar instabilidade” em rivais: “Pode retardá-los”
Zak Brown, diretor-executivo da McLaren, ressaltou importância de receber atenção da mídia e admitiu que tenta "perturbar" adversários ao falar sobre Christian Horner
As constantes trocas de farpas e a relação um tanto turbulenta entre Zak Brown, CEO da McLaren, e Christian Horner, chefe da Red Bull, foram abordadas pelo dirigente americano em entrevista a um podcast nos EUA. E Brown falou especificamente da rivalidade entre os dois, admitindo que parte do discurso envolve atrair atenção da mídia — o que ajuda em outros aspectos.
Segundo ele, faz parte da cultura da Fórmula 1 aliar a busca por desenvolvimento à atuação política. E parte disso se traduz em desestabilizar a concorrência, ao mesmo tempo em que a equipe foca os esforços em evoluir.
“Nosso esporte, talvez mais do que outros — e eu não diria que sou um especialista em outros esportes —, tem um aspecto altamente competitivo e político”, explicou Brown no podcast Kaleidoscope’s TechStuff. “O objetivo é ser o mais rápido possível, mas também há a estratégia de desestabilizar os rivais”, destacou.
As cutucadas, naturalmente, geram atenção da mídia — e o ciclo continua. Ao abordar o assunto, Brown admitiu que é importante manter esse aspecto em alta para atrair patrocinadores. E o americano ainda ressaltou um fato pouco comentado: as brigas entre as equipes nos bastidores pela contratação de funcionários.

“Tentamos criar tensão ou perturbar outras equipes, o que não é algo único da F1. Mas é particularmente forte aqui. Você está constantemente lutando por funcionários, pilotos e patrocinadores. E a atenção da mídia desempenha um grande papel nisso”, admitiu o CEO da McLaren.
“Se você conseguir gerar alguma instabilidade em times rivais, e nem sempre precisa funcionar a nosso favor, isso pode retardá-los — enquanto focamos em acelerar”, finalizou Brown.
A rivalidade entre os dois começou ainda em 2022, quando Brown soltou uma carta aberta em que criticava a Red Bull por “trapacear”. Na época, a equipe austríaca foi punida por ultrapassar o teto orçamentário previsto em regulamento para 2021 — ano em que foi campeã do Mundial de Pilotos com Max Verstappen, quebrando a sequência de sete títulos da Mercedes.
Como consequência, o time liderado por Horner teve de pagar US$ 7 milhões [cerca de R$ 39,6 milhões na cotação atual] e perdeu 10% do tempo em testes aerodinâmicos para 2023.

No ano passado, Horner passou por uma investigação interna por assédio a uma funcionária da Red Bull. Brown, então, voltou a se pronunciar ao ser questionado sobre o assunto em uma coletiva de imprensa da Fórmula 1 e falou em “ferimento à integridade” do esporte.
A produção Drive to Survive, da Netflix, mostrou que Horner reagiu aos comentários de Brown na coletiva chamando-o de “babaca”. Em ocasiões anteriores, o americano também se colocou contra o fato de uma marca ter duas equipes na F1. É o caso da Red Bull, que corre com o time principal e ainda conta com a Racing Bulls.
Terceira etapa da temporada 2025 da F1, o GP do Japão será disputado entre os dias 4 e 6 de abril, no Circuito de Suzuka. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento.
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