Antonelli e Bearman x Doohan e Lawson: novatos vivem 2025 de contrastes firmes na F1
Se Kimi Antonelli, Oliver Bearman e Isack Hadjar empolgam e são vistos como futuro do esporte, Jack Doohan e Liam Lawson vivem cada corrida na F1 2025 com medo de que seja a última. São os contrastes pesados dentro da turma dos novatos da categoria
A F1 2025 nasceu já interessante por muitos fatores, entre eles, a quantidade impressionante de pilotos novatos. Ao todo, seis nomes fazem, no campeonato atual, a primeira temporada completa na categoria, mas com graus bem diferentes de expectativa, performance e, principalmente, cobrança.
O GRANDE PRÊMIO trouxe uma análise do início duro de Gabriel Bortoleto, mas totalmente dentro do esperado para uma Sauber que não entregou absolutamente nada em 2024 e prometeu pouquíssimo também para 2025. Mas como ficam os demais estreantes?
Ainda que cada caso seja um caso e mereça ser tratado como tal, está claro que, depois de cinco etapas, o grupo de novatos se divide em dois: os que empolgam, mostram maturidade e já são tratados como futuro do esporte e a dupla que está sob pressão e vive cada corrida como se fosse a última – e realmente pode ser.
No primeiro grupo, o da esperança, por enquanto aparecem Kimi Antonelli, Oliver Bearman e Isack Hadjar. No segundo, o da panela de pressão, Liam Lawson e Jack Doohan. Mas passemos caso a caso, afinal, cada piloto conta uma história diferente na F1 2025.

KIMI ANTONELLI
Uma das grandes sensações da temporada 2025, Antonelli tem um começo de carreira na F1 muito interessante. A velocidade e o talento do italiano não eram segredo para a maioria das pessoas, mas a consistência que Kimi demonstra, do alto de seus 18 anos, é de encher os olhos e de sonhar com um futuro brilhante.
É bem verdade que Antonelli ainda não conseguiu desafiar George Russell verdadeiramente em sessão competitiva alguma, mas o garoto parece estar gradativamente se aproximando. Num primeiro momento, ter top-6 em quatro das cinco primeiras corridas já está mais que suficiente.
OLIVER BEARMAN
Se Antonelli é sensação na ‘F1 A’, correndo praticamente sozinho todo fim de semana, Bearman tem uma realidade muito mais agitada na ‘F1 B’. Com a vantagem de já ter corrido três vezes em 2024 como substituto, o inglês chegou com tudo em 2025 e, mesmo depois de uma estreia sofrível na Austrália, engrenou com a Haas.
É bem verdade que os resultados mais impactantes do time americano até aqui vieram com Esteban Ocon, mas aqui o confronto direto está bem mais acirrado que na Mercedes, por exemplo. Bearman tem classificado melhor que Esteban vez ou outra e foi aos pontos três vezes, enquanto o francês pontuou em duas corridas.

ISACK HADJAR
Assim como Bearman, teve uma estreia para esquecer na Austrália, quando bateu ainda na volta de apresentação. Só que Hadjar conseguiu se recompor muito rapidamente e esquecer o que passou, o que é uma tremenda virtude na F1. Não só isso: o franco-argelino tinha justamente esse ponto como mais fraco na base, o de remoer muito as infelicidades. Parece apresentar uma nova versão com a Racing Bulls.
E é fundamental que assim seja. Hadjar é um dos meninos dos olhos de Helmut Marko na Red Bull, mas nem por isso deixou de ser duramente criticado pelo consultor por ter chorado com o acidente na estreia. A resposta nas pistas é a melhor possível: Isack não caiu em nenhum Q1 até agora e pontuou duas vezes em ótimas atuações. É, hoje, o líder da Racing Bulls. Mesmo com só cinco provas no currículo.
JACK DOOHAN
Se o saldo de Antonelli, Bearman e Hadjar é mais que positivo, aqui o clima começa a pesar. A real é que Doohan nem precisou fazer nada para estar sob pressão, literalmente. É que Flavio Briatore chegou para comandar a Alpine e deixou claro desde o princípio que não concordava com o contrato dado a Jack depois da saída de Ocon. E aí veio Franco Colapinto como reserva, aquela história toda que estamos carecas de saber.
A única forma de Doohan segurar o rojão seria com performances muito convincentes, o que está bem longe de ser o caso. O australiano vive um típico ano de novato mediano: erros, pouco brilho, distante do companheiro de equipe. Com a sombra de Colapinto ali, aquecendo para entrar a qualquer momento, Jack parece quase entregue ao destino. E agora não parece ter muito mais como evitar o inevitável.

LIAM LAWSON
É curioso como a percepção sobre Lawson mudou tão rapidamente. O neozelandês era o mais experiente entre os novatos, já tinha 11 corridas de F1 espalhadas por duas temporadas e, de repente, viu-se diante da chance da vida ao assumir a Red Bull em 2025. O sonho durou duas etapas.
Perdidinho com um carro arisco, Lawson foi rapidamente rebaixado e voltou para a Racing Bulls, onde agora vem sendo dominado por Hadjar. É um cenário terrível para alguém que nunca foi prioridade no grupo Red Bull e que sabe que Arvid Lindblad vem pedindo passagem na base. Assim como Doohan, Liam parece com os dias contados e talvez não tenha muito a fazer para evitar a saída do esquema dos energéticos, mas ainda pode salvar uma vaguinha na F1 se mostrar que merece. A ver quantas provas vai ter para fazer isso e, nesse sentido, é bom que pare de tomar punições e arrisque uma suspensão. Se rolar, pode não voltar nunca mais.
Num cenário ideal, todos os novatos teriam tempo para mostrar do que são capazes e não precisariam se preocupar com contratos em andamento. A F1 não é assim, contudo. Assim, Antonelli, Bearman e Hadjar precisam manter a boa forma, enquanto Doohan e Lawson têm de encontrar uma fórmula mágica para impedir o fim de um sonho ainda em 2025.
A Fórmula 1 volta neste fim de semana, de 2 a 4 de maio em Miami, primeira corrida da temporada 2025 nos Estados Unidos.
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