Mercedes e Red Bull entram em colisão em debate sobre eletrificação nos motores da F1

Comissão da F1 debateu a redução da energia elétrica nos motores de 2026 por receio da desaceleração nas retas. Red Bull é maior apoiadora da medida, enquanto Mercedes se opõe

A proposta de redução no uso da energia elétrica durante as corridas voltou a esquentar o debate técnico da Fórmula 1. Durante a reunião da Comissão da F1 na quinta-feira (11), a possibilidade de limitar o uso de energia elétrica ao longo das corridas esteve em voga. O debate era sobre mudar o planejamento original de 350 kW para 200 kW — redução de 470 cv para cerca de 270 cv. A medida, que visa evitar que os carros fiquem sem energia nas retas ou precisem economizar de forma excessiva, divide opiniões, principalmente entre Red Bull e Mercedes.

A preocupação surgiu porque, com a nova proporção de potência elétrica nos motores — que vai subir de 20% para 50% — e a necessidade de maior regeneração por meio do eixo traseiro, há dúvidas se os carros conseguirão recarregar as baterias o suficiente para manter o desempenho ideal ao longo de toda a volta. Por isso, desde a semana passada que a FIA [Federação Internacional de Automobilismo] discute a possibilidade de manter a divisão de 50% de energia gerada por motor de combustão interna e 50% de bateria elétrica seja válida somente para a classificação, com a proporção na corrida passando a 64% para combustão e 36% de bateria.

A mudança faria com que o máximo de potência elétrica continue em 350 kW apenas nas sessões de classificação e novo sistema push-to-pass — que substituirá o atual DRS em 2026. Nas corridas, o limite seria reduzido para tornar o uso da energia mais uniforme ao longo das voltas.

A Red Bull é a principal apoiadora da proposta, temendo que o atual formato cause falta de energia em algumas pistas. Por outro lado, a Mercedes é abertamente contra. Toto Wolff chegou a classificar a ideia como “uma piada”, alegando que ainda é cedo para se antecipar a um problema que pode nem ocorrer.

Regulamentos de 2026 seguem gerando debate na F1 (Foto: AFP)

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Como tentativa de mitigar o problema, a F1 já aprovou mudanças no regulamento aerodinâmico, com a introdução de elementos móveis para reduzir o arrasto nas retas e aumentar a velocidade final. Ainda assim, há pistas onde os engenheiros acreditam que será necessário tirar o pé do acelerador antes das frenagens desde cedo nas retas para preservar energia.

A FIA declarou que o tema segue em discussão e será aprofundado nas comissões técnicas. Até o momento, não houve acordo para mudança no valor permitido de energia.

O uso da energia elétrica é mais um debate que cerca os novos regulamentos da F1, que entrarão em vigor em 2026. Mecanismos para auxiliar montadoras que tenham baixa performance também vêm sendo discutidos. A intenção da categoria é evitar um cenário semelhante ao de 2014, quando os motores híbridos foram introduzidos e a Mercedes iniciou uma era de oito anos de domínio, onde conquistou praticamente todos os títulos disputados — a exceção foi o título de pilotos de 2021, último ano do regulamento, que ficou com Max Verstappen.

Fórmula 1 retorna entre 2 a 4 de maio em Miami, primeira corrida da temporada 2025 nos Estados Unidos.

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