CEO da Racing Bulls compara volta dos V10 a ‘Jurassic Park’: “É como ver um T-rex passar”
Peter Bayer, CEO da Racing Bulls, criticou discussões promovidas pela FIA a respeito de um possível retornos dos motores V10 à Fórmula 1
Em meses recentes, o mundo da Fórmula 1 embarcou em discussões sobre uma possível volta dos motores V10 à categoria e dividiu opiniões no paddock. No entanto, enquanto grande parte das montadoras se opõe a uma mudança de regulamento já para 2026, o debate deu uma esfriada, mas ainda incomoda Peter Bayer, que segue em busca de explicações para o porquê dessa conversa sequer existir.
O CEO da Racing Bulls, que fez parte do desenvolvimento do regulamento de 2026 quando ocupava os cargos de secretário-geral na FIA e diretor-executivo na Fórmula 1, não entende a motivação por trás das discussões recentes sobre os motores da categoria.
Além de não ver vantagem esportiva na volta dos V10, Bayer também destacou que a volta desses motores não seria um atrativo tão grande para os fãs quanto a FIA espera.
“A discussão atual, estou tentando entender de onde está vindo. Estive envolvido naquela época. Sei que todos os fabricantes se uniram, definiram uma visão e disseram: ‘É isso que precisamos da F1 para continuar sendo relevante para a sociedade e para os carros de rua’. A F1 mudou completamente do que costumava ser”, analisou Bayer em entrevista ao portal RacingNews365.

“Observando a quantidade de fãs que ganhamos nos últimos anos — um em cada três entrou na F1 apenas nos últimos cinco anos. Então, para essas pessoas, é como Oscar Piastri, eles nunca viram ou ouviram um V10. Para eles, é uma discussão muito abstrata. Acho que é um debate que deveríamos ter internamente”, opinou.
“Mas antes de tudo, acho que o que precisamos é que a F1, a FIA, as montadoras e as equipes se alinhem sobre o que achamos que a F1 deve ser em 2030 e além. Essa é a principal pergunta que precisamos responder”, seguiu.
Bayer também argumentou que, mesmo que a categoria enxergue uma vantagem na volta dos motores em termos de popularidade, não deveria tomar uma decisão baseada em “emoções ou lembranças românticas”. Para o dirigente, ver um V10 passar hoje se assemelha a “ver um T-rex” no Jurassic Park.
O CEO da Racing Bulls também lembra a mudança da F1 para os motores híbridos em 2014 e reforça que não entende a motivação por trás dessas discussões sobre desfazer o progresso alcançado pelo esporte.

“Não acho que devemos ser guiados por emoções ou lembranças românticas do V10, que todos amamos. É como ver um T-rex passando, as pessoas podem achar que foram ao Jurassic Park. Agora temos muitos fãs jovens, famílias indo aos autódromos. Talvez não estejam tão interessados quanto nós em ouvir o rugido dos T-rexes descendo a reta principal. Mas, de novo, é por isso que precisa ser uma discussão estratégica, que ouça o esporte, os fabricantes e os pilotos”, reforçou.
“Mas deveria ser uma discussão interna. Lembre-se que, em 2014, a F1 apresentou um dos milagres técnicos. A F1 chegou a colocar grandes cartazes dizendo ‘somos híbridos’ porque ninguém sabia. Durante anos, as pessoas falavam mal disso, e então parece que estamos quase cometendo o mesmo erro de novo”, comparou Bayer.
“Teremos uma nova unidade de potência, mais eficiente, mais sustentável, com combustível 100% sustentável, e agora estamos começando uma discussão sobre potencialmente mudar isso. Estou tentando entender qual é a motivação”, encerrou.
A Fórmula 1 retorna entre 2 e 4 de maio justamente em Miami, primeira corrida da temporada 2025 nos Estados Unidos.
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