Pneus invertem lógica e criam primeira fila impetuosa em GP do Canadá sem ordem

A escolha dos pneus do GP do Canadá acabou se tornando um dos pontos centrais do fim de semana, uma vez que ajudou a formar um grid imprevisível e altamente explosivo para a corrida deste domingo (14). O clima mais ameno também teve seu papel, na medida em que permitiu o sucesso da Mercedes e de um oportunista George Russell, que terá ao lado o desafeto Max Verstappen na primeira fila. Só por isso já vale a espera pelo apagar das luzes. Mas a prova canadense reserva mais

A vida pode ser bem caprichosa às vezes, e a história da Fórmula 1 idem, especialmente aí no Canadá, onde há vários exemplos disso. E o sábado (14) desta edição de 2025, certamente, vai entrar para a lista dos grandes episódios da jornada canadense do Mundial. Há pouco mais de duas semanas, na Espanha, George Russell e Max Verstappen reacendiam mais um capítulo da turbulenta convivência em pista de ambos, depois de um novo incidente entre eles na parte final da corrida em Barcelona. O neerlandês foi considerado culpado e punido. Mas as farpas seguiram até Montreal. Desta vez, no entanto, a disputa foi mais aberta e deliciosamente inesperada. Acontece que os dois rivais se encontraram em condições de lutar pela pole até os instantes derradeiros da classificação. Russell levou a melhor ao superar Verstappen para ficar com a posição de honra do grid. Apenas 0s160 separaram os dois, que agora vão dividir a primeira fila neste domingo. E só por isso já vale a espera pela largada, mas as 70 voltas pelo Gilles Villeneuve prometem muito mais.

É aqui que os pneus entram na história. Claro que o clima mais ameno na região da Île Notre-Dame ajudou a colocar a Mercedes em uma posição de força para a disputa das posições de largada, mas a difícil escolha entre os compostos também teve uma consequência grande no resultado. É que a Pirelli decidiu entregar às equipes a gama mais macia de sua prateleira. Num contexto de asfalto pouco abrasivo, piso liso e temperaturas mais baixas, o comportamento do produto italiano se tornou chave para uma boa volta. E de novo, os pneus médios (C5) e macios (C6) tiveram um desempenho muito semelhante, com diferenças mínimas. O que pesou foi realmente a capacidade dos pilotos em manter os pneus na janela correta de operação. E é bem verdade que o composto vermelho é mais sensível e tem uma margem mais estreita de performance. Entender isso foi fundamental.

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Portanto, não foi uma surpresa perceber que alguns pilotos abriram mão do C6 e arriscaram ir à pista com os médios na hora decisiva — isso já havia acontecido em Ímola, mas não da forma contundente como foi desta vez. O Q3, a fase final da classificação, resumiu bem esse cenário, porque nos últimos minutos houve uma insana troca de mãos da pole — com menos de 30s para o fim, houve quatro trocas na ponta da tabela. Até que Verstappen estabeleceu a melhor marca em 1min11s059, o que garantia a primeira posição, mas aí Russell o desbancou ao romper a barreira de 1min10s. Ambos lançaram mão dos C5 para as tentativas derradeiras. A última vez que um piloto obteve a pole com pneu médio em pista seca havia sido em 2020, quando Lewis Hamilton foi o mais rápido no GP de Portugal. Importante dizer ainda que Kimi Antonelli obteve a quarta posição com médios usados.

“Acho que esse foi definitivamente o pneu [médio] mais rápido hoje”, disse Russell após a conquista do posto de honra do grid — o primeiro da Mercedes na temporada. “Já vimos isso algumas vezes antes. A classificação foi uma sessão complicada. No Q1, eu estava mais atrás. Depois, no Q2, fiz uma boa volta. Na primeira tentativa no Q3, estava um pouco fora do ritmo — três ou quatro décimos atrás — e parecia uma boa volta também, mas o médio realmente me deu um pouco mais de confiança. Mas acho que a diferença para o Oscar com o macio ainda era de quase 0s3. Então, não estou dizendo que eu teria conseguido fazer uma volta tão boa com o macio, mas o médio definitivamente não é 0s3 melhor que o macio”, completou.

Verstappen também atribuiu a performance à escolha correta dos pneus na hora mais crítica da classificação. “É preciso ser bastante eficiente nas retas, o que acontece em geral, então, no geral, estou bastante satisfeito com a classificação. O carro, mais uma vez, estava funcionando muito bem. E a escolha difícil foram quanto aos pneus, qual usar. Mas acho que fizemos a coisa certa ao preferir os médios”, falou o tetracampeão.

Oscar Piastri e a McLaren foram por um caminho mais convencional e usaram os pneus macios, assim como a Ferrari com Hamilton e Charles Leclerc. “A questão sempre foi: queríamos pneus médios ou macios para o Q3? Escolhemos os macios porque estávamos com muitos problemas e queríamos manter a consistência. Estou muito feliz com o terceiro lugar, o que é um pouco diferente este ano, mas com certeza vou ficar com ele”, explicou o líder do campeonato, que sai em terceiro — é a primeira vez na temporada que a equipe laranja fica fora da linha de honra do grid.

Max Verstappen vai sair na segunda colocação do grid (Foto: Red Bull Content Pool)

Já o heptacampeão ferrarista se mostrou resignado, mas questionou as escolhas pelas feitas equipe italiana. “Definitivamente não acho que podemos competir com os caras da frente e temos que aceitar que é assim que as coisas são. Mas os outros também tinham o pneu médio, e não sei bem por que não o consideramos”, analisou Lewis, que larga da quinta colocação do grid, ao lado de Fernando Alonso, que andou bastante com os médios ao longo do sábado.

Agora, diante das opções, a corrida promete drama ainda maior por conta também dos pneus e do fato de que o grid parece mais parelho do que nunca, porque há um doce equilíbrio no ritmo de corrida entre Mercedes, Red Bull e McLaren. A esquadra alemã está no páreo devido ao clima mais ameno e à pista de baixa aderência em Montreal. Cenário ideal para o W16, que enfrenta problemas de superaquecimento quando as temperaturas sobem. Já taurinos e ingleses estão próximos, embora o time laranja tenha ligeira vantagem em cuidar melhor dos pneus. Será igualmente interessante entender as decisões estratégicas de cada um, especialmente devido ao uso de tantos jogos de pneus médios na classificação. Isso porque o GP do Canadá deve ser decidido em duas paradas, sendo o pneu duro o ponto central da corrida de 70 voltas.

“No momento, os pneus não estão superaquecendo”, disse Russell ao ser questionado sobre a expectativa para a prova. “E em qualquer circuito que visitamos onde os pneus não estão superaquecendo, como aqui, como Las Vegas no ano passado, tivemos um desempenho muito bom. A McLaren — sabe, nós os vimos nos treinos — estava realmente na defensiva. Então, depende de amanhã. É algo literalmente tão simples quanto estar nublado que pode nos dar uma vantagem de dois décimos sobre a McLaren. Se o sol aparecer, isso meio que neutraliza tudo. Eu adoraria dizer algo mais do que isso — está um pouco fora de nosso controle agora. Mas, independentemente das condições, obviamente estamos começando no melhor lugar.”

Oscar Piastri larga em terceiro, enquanto Lando Norris sai apenas em sétimo (Foto: AFP)

“Mas ainda não sabemos como a corrida vai se desenrolar porque o pneu duro é o que todos nós vamos usar em algum momento da corrida, e ninguém sabe se vai dar conta da distância necessária para uma parada ou não”, completou o piloto da Mercedes.

Mario Isola, chefe da Pirelli, detalhou mais o que deve acontecer em termos de tática e comportamento dos pneus. “Quanto à estratégia, acreditamos que dois pit-stops ainda seja a opção mais plausível, favorecendo o uso de pneus médios e duros. A parada única é teoricamente possível, mas dificilmente compensará, especialmente considerando que as ultrapassagens são possíveis aqui. O C6 pode ser uma escolha útil para a largada, por exemplo, para aqueles com dois novos conjuntos de pneus duros disponíveis, que planejam um primeiro stint relativamente curto ou para quem aposta em um safety-car logo no início.”

Agora é esperar pelo apagar das luzes.

Fórmula 1 realiza o GP do Canadá neste fim de semana, de 13 a 15 de junho, em Montreal, décima etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Corrida15:0017:0019:0020:00

*Horários em Brasília

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