Red Bull chega à segunda metade de 2025 só com Verstappen agarrado à porta do Titanic

Na prática, poucos são os circuitos em que a Red Bull realmente pode sonhar com uma briga mais igualitária contra a McLaren. O que resta é voltar o foco para 2026 enquanto Max Verstappen ainda resiste em meio ao naufrágio

O navio da Red Bull naufragou há tempos. Trata-se de uma analogia tão verdadeira que o discurso nas garagens taurinas já está totalmente voltado para o ano que vem, com mais 12 corridas pela frente em 2025 — o que também não traz alento, já que a mudança de regulamento vem embalada por muito mais dúvidas do que certezas. Ainda assim, é a única porta à qual a equipe de Milton Keynes precisa se agarrar se realmente quiser sobreviver em meio ao desastre.

Max Verstappen, inclusive, já está por lá, mesmo aceitando a muito contragosto que não vence. É o único que realmente se salva no que restou daquela equipe magnânima que derrubou o recorde de domínio da McLaren de Ayrton Senna e Alain Prost. A queda tardia de Christian Horner é só mais um símbolo dessa ruína.

Claro que a liderança de Horner tem muito culpa no ponto em que chegou a Red Bull, e a demissão dele é praticamente uma tentativa desesperada de se reparar o erro cometido ainda em 2024, quando a alta cúpula da marca dos energéticos optou por bancá-lo quando enfrentava acusações por conduta inapropriada com uma funcionária. Este processo agora corre na justiça trabalhista do Reino Unido, já que a equipe achou de melhor tom afastar a profissional e manter o dirigente.

Todos sabem o desenrolar dos fatos, e ainda que se negue aqui e ali, proteger Horner significou sacrificar peças fundamentais que hoje estão fazendo muita falta no entendimento do RB21, a começar, claro, por Adrian Newey, a mente responsável pelo projeto, que deixou a equipe após quase 20 anos para se unir à Aston Martin. Desde o momento em que o projetista se afastou do trabalho no desenvolvimento do carro, a coisa degringolou.

Max Verstappen e Helmut Marko: só resta à Red Bull pensar em 2026 (Foto: Red Bull Content Pool)

Mas sejamos objetivos: afinal, quais as reais condições da Red Bull nas 12 corridas que faltam para o término da temporada 2025? Na prática, ela deixou a Espanha, sempre palco de importantes atualizações, 0s1 pior que o visto na Austrália, quando tomou 0s3 de Lando Norris na classificação. Claro que a performance varia muito de acordo com a pista e também com os fatores externos. Mas a realidade é que, talvez Japão à parte puramente pelo circuito travado e a volta magistral de Verstappen na classificação, a Red Bull em nenhum momento se viu favorita em um fim de semana.

O ponto forte do RB21 são os trechos de alta velocidade — por isso também o sucesso em Suzuka. Na Arábia Saudita, por exemplo, Max fez a pole por míseros 0s010, mas tomou 5s de punição por sair da pista e ganhar vantagem na largada, perdendo a corrida para Oscar Piastri. Já em Silverstone, Verstappen foi novamente pole graças ao ótimo acerto para não ser pego nas retas, porém sofreu em ritmo de corrida e ainda errou na relargada. Mesmo assim, são GPs que ilustram bem a gordura que a Red Bull possui e onde ela pode ser queimada.

Acontece que circuitos de alta velocidade são minoria no inchado calendário da F1. Baseado puramente nas características da pista, é possível traçar algumas praças até Abu Dhabi onde os taurinos podem surpreender. Spa-Francorchamps é uma delas, a próxima da fila. Monza é outra. E, por fim, Las Vegas. As outras nove etapas são em circuitos ou de rua, ou mais seletivos, e isso é exatamente tudo o que o carro da Red Bull odeia, já que são condições que pedem um equilíbrio maior em curvas, e Verstappen não tem feito outra coisa a não ser reclamar do quão instável é o bólido em freadas e ataques às zebras, além das saídas de frente — esta última, o que realmente atrapalha a condução de Max.

Não há também grandes pacotes de atualizações vindo por aí, portanto é provável que o último tenha sido realmente o assoalho introduzido na Inglaterra. Isso significa que os taurinos terão de trabalhar bastante a configuração do RB21 com as armas já expostas.

Agora, considerando o conformismo de Verstappen em não brigar por vitórias, o fracasso em 2025 até pode ser deixado em segundo plano pela simples razão de a Red Bull não ter outra escolha. O que resta é voltar todo o esforço possível para que o projeto de 2026 dê muito certo — mesmo sem a menor garantia de que isso realmente vá fazer o único sobrevivente não abandonar os destroços do navio.

Fórmula 1 volta de 25 a 27 de julho, em Spa-Francorchamps, que recebe o GP da Bélgica.

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